Uma equipe do Northwest Institute of Nuclear Technology (NINT), na China, acaba de anunciar o TPG1000Cs, um emissor de micro-ondas capaz de sustentar 20 gigawatts (GW) de potência por um minuto inteiro. O feito técnico — até então inédito — coloca o equipamento na mira de analistas militares como um possível “pior pesadelo” da Starlink, a constelação de satélites de comunicação da SpaceX.
Por que essa potência sustenta a manchete?
Para efeito de comparação, armas de micro-ondas de alta potência (High-Power Microwave, HPM) normalmente trabalham em surtos de alguns segundos. Segundo o South China Morning Post, apenas 1 GW já bastaria para danificar eletrônicos em órbita baixa (LEO); o novo dispositivo chinês multiplica esse limiar por 20. Sustentar 20 GW por 60 s significa emitir energia suficiente para fritar circuitos sensíveis, desalinhar antenas ou causar reboot catastrófico em satélites inteiros.
Miniaturização: do laboratório ao campo de batalha
Outro ponto que chama a atenção é o tamanho. Com 4 m de comprimento e cerca de 5 t, o TPG1000Cs cabe em um caminhão de médio porte, navio de guerra, aeronave ou até uma plataforma orbital. Até pouco tempo, HPMs exigiam estruturas fixas do tamanho de contêineres e geradores dedicados; agora, o NINT afirma que um driver Tesla pulsado de nova geração faz todo o trabalho de compressão e descarga.
O “segredo” do resfriamento: Midel 7131
Manter componentes intactos sob 20 GW não é trivial. Os engenheiros adotaram Midel 7131, um éster sintético conhecido em transformadores de energia, como isolante e dissipador térmico. Combinado a uma linha de formação de pulso de largura dupla, o fluido elevou a eficiência e permitiu 200 mil pulsos estáveis nos testes de durabilidade — número incomum em protótipos desse porte.
Impacto para quem depende de internet via satélite
Do ponto de vista civil, a proliferação de HPM compactas sinaliza que satélites de banda larga, GPS e observação terrestre podem ficar vulneráveis a ataques não cinéticos. Para usuários de internet via satélite — gamers que buscam latência mais baixa ou moradores de regiões remotas —, interrupções ou degradações no sinal deixariam serviços essenciais e partidas online simplesmente offline.
Como o Ocidente responde?
Estados Unidos e Europa também investem em armas de energia dirigida. O programa CHAMP (Counter-Electronics High Power Microwave Advanced Missile Project), da Boeing e da USAF, é um exemplo, mas seus pulsos não chegam perto da duração noticiada no TPG1000Cs. Caso a China coloque o sistema em operação — especialmente em drones ou satélites militares —, abre-se uma nova etapa da corrida tecnológica para proteger ou endurecer eletrônicos contra pulsos eletromagnéticos.
Imagem: Internet
Starlink na linha de fogo
A constelação de Elon Musk soma hoje mais de 5 mil satélites em órbitas cada vez mais baixas, justamente para reduzir latência e ampliar cobertura. Mas satélites mais próximos da Terra também exigem menos energia de um emissor terrestre para sofrer interferência. Testes de computador divulgados por laboratórios chineses já simulam bloqueios seletivos sobre Taiwan usando drones jammer; agora, um dispositivo HPM físico eleva o nível de ameaça.
Perspectiva para o futuro próximo
Armas de micro-ondas não geram detritos espaciais como mísseis, o que as torna estrategicamente atraentes. Se confirmada a operacionalidade do TPG1000Cs, governos e empresas deverão acelerar o desenvolvimento de blindagem eletromagnética e rotas de redundância — incluindo satélites reserva e protocolos de fallback para comunicações críticas.
No fim das contas, dominar (ou negar) o espectro eletromagnético pode definir quem mantém seus dados, drones de entrega e partidas ranqueadas funcionando nos próximos anos. E, para o consumidor final, escolher serviços com múltiplos caminhos de conectividade pode deixar de ser luxo e virar questão de resiliência digital.
Com informações de Mundo Conectado