A contagem regressiva para 1º de setembro de 2026, data em que John Ternus sentará oficialmente na cadeira de CEO da Apple, já começou – e, ao que tudo indica, com ambições de hardware dignas dos melhores tempos de Steve Jobs. Em entrevista ao Tom’s Guide, concedida poucos dias antes do anúncio de sua sucessão a Tim Cook, o executivo de 51 anos deixou pistas claras sobre o futuro do Apple Vision Pro, dos próximos chips Apple Silicon e da tão aguardada ofensiva de inteligência artificial que a empresa chama de Apple Intelligence.
Quem é John Ternus – e por que isso importa para você?
Ternus não é um “CEO de planilha”. Engenheiro de formação, ele entrou na Apple em 2001, ajudou a tirar os primeiros AirPods do papel, supervisionou a transição histórica dos Macs para os próprios processadores da casa (linha M) e comandou o desenvolvimento do Apple Vision Pro. Em outras palavras, o próximo chefe máximo de Cupertino entende, linhas de código e soldas, do que faz um dispositivo se destacar no mercado.
Para o consumidor – seja você gamer, criador de conteúdo ou profissional corporativo – isso significa uma liderança mais agressiva em performance, autonomia de bateria e integração entre hardware e software. Se o seu próximo upgrade é um notebook, um headset ou até um teclado com trackpad avançado, vale ficar de olho no que vier de Ternus.
Computação espacial: Vision Pro ainda é só o “primeiro inning”
Lançado em 2024, o Apple Vision Pro colecionou críticas por ser caro e, supostamente, de nicho – vendeu cerca de US$ 157 milhões no trimestre de fim de ano de 2025, bem abaixo de best-sellers como o Meta Quest 3. Ternus, porém, defende que estamos nos “primeiros innings” da computação espacial. Segundo ele, médicos usam o headset para visualização 3D de exames, enquanto empresas exploram reuniões imersivas e prototipagem rápida.
Para quem acompanha o mercado de VR/AR, a leitura é clara: enquanto o Quest aposta em volume, a Apple mira margens e casos de uso premium – estratégia semelhante à do Mac nos anos 2000. Se você sonha em assistir a filmes em 4K em tela virtual de 100 polegadas sem precisar configurar um projetor, o Vision Pro (ou suas futuras versões) pode ganhar upgrades significativos em peso, autonomia e campo de visão nos próximos ciclos.
IA invisível: o objetivo é que você “nem perceba”
Questionado sobre inteligência artificial, Ternus reiterou: “A Apple não lança tecnologia pela tecnologia. O foco é melhorar a vida do usuário.” O exemplo citado foi a tradução em tempo real dos AirPods, recurso que dispensa comandos complexos e simplesmente funciona.
A estratégia contrasta com a da Microsoft, que posiciona o botão Copilot em todos os PCs, e do Google, que alardeia recursos de IA generativa no Android. Para quem busca desempenho consistente sem sacrificar privacidade, o Apple Silicon tem vantagem: boa parte do processamento roda localmente, evitando latência de nuvem e vazamento de dados sensíveis.
Mac x iPad: convivência, não fusão
Rumores de um MacBook com touchscreen e do iPadOS 26 “cada vez mais Mac” esquentaram fóruns de desenvolvedores, mas Ternus foi taxativo: “Jamais houve a ideia de fundir as duas coisas.” A Apple quer o melhor iPad possível para quem prioriza portabilidade com toque, e o melhor Mac possível para quem precisa de interface tradicional, compilação de código ou jogos AAA compatíveis com Metal 4.
Essa clareza de posicionamento ajuda o consumidor a escolher: se você passa horas em softwares profissionais como Final Cut, o Mac continua imbatível em desempenho por watt; se prefere sketchs rápidos com Apple Pencil, o iPad será aperfeiçoado sem compromissos.
Imagem: Internet
MacBook Neo: básico só no preço, não na experiência
Falando em notebooks, Ternus revelou detalhes do MacBook Neo, modelo de entrada que usa o chip A18 derivado do iPhone. Ele não será um “Air barateado”, mas um projeto do zero, com trackpad redesenhado e chassi afinado. Traduzindo em benefícios: espera-se autonomia próxima de 20 horas, desempenho suficiente para edição de fotos RAW e um preço que pode rivalizar com ultrabooks Windows equipados com Intel Core Ultra ou AMD Ryzen AI.
O “produto favorito” que ainda não existe
No momento mais curioso da conversa, Ternus declarou que seu produto preferido da Apple “ainda não foi lançado”. Analistas apostam em duas cartas para 2026: o iPhone 18 Pro com lentes periscópicas de 10× e o primeiro iPhone dobrável. Se você segura o upgrade do smartphone à espera de algo realmente disruptivo, talvez valha aguardar mais um ciclo.
Por que isso impacta seu próximo gadget?
• Gamers e criadores de conteúdo: chips M4 e M5 devem trazer núcleos gráficos com ray tracing dedicado, podendo rivalizar com GPUs discretas de entrada em notebooks Windows.
• Profissionais móveis: um MacBook Neo mais leve, com bateria gigante e preço competitivo, pode ser a ferramenta ideal para quem produz em cafés ou coworkings.
• Entusiastas de VR/AR: se o Vision Pro 2 evoluir em conforto e baixar de preço, ele pode, enfim, substituir múltiplos monitores – tendência que já vemos em headsets concorrentes na Amazon, como o Meta Quest 3 e o Lenovo ThinkReality.
Em síntese, a ascensão de John Ternus marca um retorno da Apple às raízes de hardware de altíssimo nível, mas com software e IA funcionando nos bastidores. Para quem planeja o próximo investimento em tecnologia – seja um mouse ergonômico para usar em um MacBook Neo ou um teclado mecânico compatível com iPad – o momento é de atenção redobrada: as peças estão sendo movidas agora, e as linhas de produtos que você encontra hoje na Amazon devem ganhar rivais de peso vindos de Cupertino muito em breve.
O melhor produto da Apple “ainda não foi lançado”, diz Ternus. E, se depender dele, essa frase deixará de ser enigma para virar realidade antes do fim desta década.
Com informações de Mundo Conectado