Uma guerra prolongada entre Estados Unidos, Israel e Irã pode atingir em cheio o bolso de empresas e consumidores de tecnologia em 2026. A consultoria IDC reviu para baixo, de 10% para apenas 9%, sua projeção de crescimento global em gastos de TI para 2026 logo após os ataques de 28 de fevereiro. Mas o cenário pode piorar: se os confrontos continuarem além do meio do ano, o avanço pode desabar para meros 5%-6%.
Por que essa previsão importa para quem monta PCs ou gerencia data centers?
Segundo Stephen Minton, vice-presidente de pesquisas na IDC, dois vetores explicam a freada:
- Petróleo mais caro → Eleva custos de energia e logística, pressionando preços de componentes como placas-mãe, GPUs e SSDs.
- Desconfiança macroeconômica → Empresas pisam no freio em projetos de modernização, adiando compras de servidores, switches e softwares.
Para o consumidor final, isso significa potencial alta nas etiquetas de itens que já sentiram inflação recente, como placas de vídeo RTX 40, processadores Ryzen e módulos de memória DDR5. Se você planeja um upgrade, vale ficar atento à evolução do conflito — turbulências semelhantes em 2020/21 fizeram o preço de GPUs dobrar em semanas.
Comparativo rápido: previsões 2026 antes e depois da crise
Antes do ataque (fev/2024): +10% de crescimento em TI
Pós-ataque (cenário “guerra curta”): +9%
Cenário “guerra longa”: +5%-6%
Para efeito de contexto, 2025 teve salto de 14% puxado pela troca de PCs pós-pandemia e explosão de IA generativa.
IA: o amortecedor que ainda segura o mercado
A IDC pondera que investimentos agressivos em inteligência artificial por hyperscalers (AWS, Azure, Google Cloud) continuam “colocando colchão” no impacto. Data centers seguirão comprando GPUs H100, CPUs EPYC e aceleradores dedicados, o que ajuda a manter fábricas rodando. Para quem depende de serviços em nuvem, a boa notícia é que a expansão de clusters de IA deve manter a oferta de instâncias poderosas, embora o custo por hora possa oscilar conforme energia e cadeias logísticas.
Especialistas veem risco de recessão e cortes de orçamento
Jack Gold, analista da J. Gold Associates, menciona um possível efeito dominó: “Se o petróleo dispara e a inflação sobe, empresas podem enxugar capex, revisitando demissões e adiamentos de upgrades”. Ou seja, projetos de transformação digital elegíveis a 2026 podem escorregar para 2027 — incluindo refresh de notebooks corporativos e migração para Wi-Fi 7.
Ataques físicos a data centers entram no radar
A tensão já provocou danos diretos a infraestruturas de nuvem na região: mísseis iranianos teriam atingido instalações da Oracle e da Amazon, segundo Minton. Para CISOs e engenheiros de confiabilidade, a palavra de ordem agora é resiliência. Chris Grove, diretor de cibersegurança da Nozomi Networks, recomenda manter capacidade on-premises mínima para sustentar operações caso um provedor sofra interrupção geopolítica.
Imagem: Agam Shah Seni
O que esperar dos preços de hardware?
• GPUs e placas de vídeo: dependem de litografia avançada e logística aérea; podem ser as primeiras a refletir alta no combustível.
• Processadores e memórias: a própria IDC já alertava sobre shortages de DRAM para o ano que vem. A guerra pode acentuar o gargalo.
• Periféricos (mouses, teclados, headsets): margem de manobra maior, porém fabricantes que importam componentes metálicos devem repassar custos.
Para entusiastas e gamers, monitorar promoções relâmpago e estoques locais pode reduzir o risco de pagar mais caro no futuro próximo.
Próximos passos: revisão em abril
A IDC promete atualizar suas estimativas no fim de abril, quando o quadro militar e o preço do barril de petróleo estiverem mais claros. Já a Gartner, em relatório anterior ao conflito, previa salto de 10,8% nos gastos de TI chegando a US$ 6,15 tri. A S&P Global falava em 9% graças à corrida por infraestrutura de IA. Essas projeções agora podem ser revistas para baixo.
Resumindo: se o cessar-fogo não se firmar até o meio do ano, prepare-se para ciclos de upgrade mais longos, orçamentos apertados e possível escalada de preços em todo o ecossistema de hardware. Fique de olho nas próximas análises — e nos estoques.
Com informações de Computerworld