O futuro do delivery brasileiro ganhou velocidade de cruzeiro. O iFood acaba de aplicar US$ 1,8 milhão na Speedbird Aero, única empresa nacional autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a operar drones de carga. O aporte faz parte de uma rodada-ponte de US$ 5,8 milhões que reuniu outros seis fundos e prepara a startup para uma Série B ainda em 2024.
Por que isso importa para você
Entregas aéreas prometem reduzir prazos, custos logísticos e emissões de CO₂ — fatores que podem baratear taxas de envio de comida, produtos de mercado e, no futuro, até hardware gamer. Para quem mora em áreas afastadas ou em condomínios de difícil acesso, a novidade significa finalmente receber pedidos em minutos, não em horas.
Como a parceria começou e onde está hoje
iFood e Speedbird voam juntos desde os primeiros testes em 2019, em Campinas (SP). Em 2021, a operação piloto desembarcou em Aracaju (SE), onde um trajeto de 18 km por terra foi reduzido a 3 minutos de voo. Os drones decolam do Shopping RioMar, cruzam o Rio Sergipe e pousam em Barra dos Coqueiros; dali, um entregador humano faz a última milha — modelo de hub & spoke capaz de processar até 280 pedidos/dia.
O que muda com o novo cheque
Com o dinheiro fresco, a Speedbird vai:
- Ampliar a frota: hoje são 35 aeronaves próprias; a meta é dobrar esse número até 2026.
- Expandir rotas: priorizando travessias sobre rios, regiões montanhosas e grandes condomínios.
- Obter novas certificações: inclusive para operar drones de até 5 kg, que resistem a ventos de 55 km/h e chuva leve.
São Paulo é o “chefe final”
O próximo grande salto será a Região Metropolitana de São Paulo — espaço aéreo congestionado por aeroportos, helipontos e rotas de táxi aéreo corporativo. Se o corredor que ligará um shopping a condomínios residenciais sair do papel, a tecnologia brasileira provará que consegue competir com iniciativas internacionais como a Amazon Prime Air e o Wing (Google).
Investidores de peso e smart money aeronáutico
Além do iFood, participaram da rodada DGF, Explorer Investments, Cedrus Capital, AcNext Capital, MSW Capital e a portuguesa Explorer. O destaque vai para a Embraer, presente via MSW, que oferece know-how em certificação e produção em escala — peça-chave para transformar protótipos em linhas de montagem.
Impacto para o mercado de tecnologia de consumo
Quanto mais a logística aérea amadurece, maior a pressão por componentes eletrônicos leves e eficientes. Motores sem escova (brushless), baterias de lítio de alta densidade e sensores de navegação se tornarão commodities, barateando também os drones de filmagem para hobby. Se você acompanha ofertas de modelos como DJI Mini 4 Pro ou Autel Evo, fique de olho: a produção em escala puxada por entregas comerciais tende a refletir nos preços para o consumidor final.
Imagem: Internet
Próximos passos e cenário internacional
A Speedbird já possui licença para operar em 14 países, entre eles Portugal, Bélgica e Singapura. Nos EUA, busca a permissão permanente após testes em Michigan. A expansão global será liderada por André Stein, ex-CEO da Eve Air Mobility (o “carro voador” da Embraer), alinhando a startup a um mercado estimado em US$ 51 bilhões até 2030, segundo a Allied Market Research.
Para o iFood, drones somam-se a outras apostas tecnológicas como pedidos por inteligência artificial via WhatsApp e integração de transporte urbano dentro do superapp. A meta é simples: encurtar distâncias, reduzir custos e tornar a experiência do usuário tão fluida que o tempo de espera deixe de ser um problema.
No ritmo atual, a pergunta não é mais se veremos drones riscando o céu das grandes cidades brasileiras, mas quando o “zumbido” das hélices passará a fazer parte da nossa rotina.
Com informações de Mundo Conectado