A Samsung acaba de oficializar o ENSS (Exynos Neural Super Sampling), tecnologia de upscaling e geração de quadros por inteligência artificial que estreia no Exynos 2600 — primeiro processador móvel de 2 nm com a litografia Gate-All-Around (GAA) da própria Samsung Foundry. Em números práticos, a solução promete até 15 % mais desempenho gráfico em comparação direta com SoCs topo de linha rivais, colocando os recém-anunciados Galaxy S26 e S26+ (mercados selecionados) no radar de quem busca jogar com qualidade de console, mas sem abrir mão da mobilidade.
O que é o ENSS e por que ele importa para você
Inspirada no DLSS da NVIDIA e no FSR da AMD, a Samsung dividiu a novidade em dois módulos complementares:
NSS (Neural Super Sampling) – renderiza o jogo em resolução mais baixa, reconstrói a imagem via IA e exibe o resultado em alta definição. Você ganha FPS, consome menos bateria e não sacrifica nitidez.
NFG (Neural Frame Generation) – insere quadros artificiais entre dois quadros reais, suavizando animações e aumentando a sensação de fluidez sem sobrecarregar a GPU.
Com o combo NSS+NFG, o Exynos 2600 dribla o maior vilão do gaming mobile: a temperatura. Menos carga na GPU significa menos calor, o que impede throttling e garante sessões de jogo mais longas mesmo em títulos 3D pesados.
Desempenho medido, não prometido
Nos testes sintéticos divulgados, o chip marcou posição de liderança:
- +15 % de ganho no 3DMark Steel Nomad Lite frente a SoCs equivalentes.
- Top 1 em Basemark Power Board para ray tracing, superando o Snapdragon 8 Elite Gen 5 e a Apple A18 Pro em cargas prolongadas.
O salto se deve também à GPU Xclipse 960, baseada na arquitetura RDNA da AMD. Em benchmarks independentes (Basemark In Vitro 1.0), a solução cravou até 8 321 pontos em ray tracing, contra 7 649 pontos da Adreno 840, prova de que a parceria Samsung+AMD começa a colher frutos tangíveis.
2 nm GAA: menos energia, mais espaço para potência
O Exynos 2600 é o primeiro SoC móvel fabricado em 2 nm com transistores GAA, que envolvem o canal de condução em quatro lados, melhorando controle elétrico e diminuindo vazamentos. Resultado? Eficiência energética superior e mais transistores por milímetro quadrado, o que abre caminho para IA embarcada mais parruda.
Na prática: quais jogos se beneficiam?
Aqui entra o “porém” que nenhum benchmark revela: suporte de software. Hoje, poucos estúdios otimizam titles para técnicas proprietárias no Android. Enquanto o iOS colhe ports de Resident Evil Village e Control, o lado verde do robozinho ainda celebra Tomb Raider (2013). A Samsung confirmou que já conversa com grandes publishers asiáticos, mas não citou nomes nem prazos.
Imagem: Internet
Mesmo assim, gamers mais hardcore podem aproveitar o ENSS em emuladores e jogos competitivos que ofereçam opções de resolução dinâmica ou FPS destravado — cenário ideal para o upscaling brilhar.
Comparativo rápido: Exynos 2600 vs. Snapdragon 8 Elite Gen 5
Processo de fabricação: 2 nm GAA (Samsung) vs. 3 nm FinFET (TSMC)
GPU: Xclipse 960 (RDNA) vs. Adreno 840
Upscaling/Frame Gen: ENSS dedicado vs. Snapdragon Game Super Resolution (software)
Ray Tracing: Liderança do Exynos em testes prolongados
Bateria: GAA promete até 20 % de economia em cargas sustentadas*
*Dados internos da Samsung; números podem variar conforme o dispositivo.
E a próxima geração?
Segundo fontes ligadas à cadeia de suprimentos, o Exynos 2700 já está em estágio avançado e deve chegar com empacotamento side-by-side para melhorar a dissipação de calor. Se o ENSS for mantido (ou evoluído), podemos ver ganhos ainda maiores, aproximando a experiência mobile de placas de vídeo desktop de entrada — ótimo indício para quem pensa em trocar de smartphone em 2025.
Com o ENSS, a Samsung cria um ecossistema próprio de IA gráfica que, no mínimo, eleva o sarrafo das experiências gamer no Android. Falta agora atrair desenvolvedores — e é exatamente aí que mora o futuro sucesso (ou fracasso) da iniciativa.
Com informações de Mundo Conectado