Quem cresceu nos anos 90 sabe: poucas cenas eram tão hipnóticas quanto o mosaico colorido do Desfragmentador de Disco do Windows 98. Enquanto blocos azuis, vermelhos e verdes dançavam na tela, o disco rígido rangia num balé mecânico que podia levar uma tarde inteira. Agora, o engenheiro de software Dennis Morello colocou essa experiência — completa com os estalos e zumbidos originais dos HDDs — de volta ao alcance de um clique, em defrag98.com.
Viagem no tempo sem instalar máquina virtual
Morello recriou minuciosamente a interface do Windows 98, mas tudo roda direto no navegador. Você escolhe a unidade de C: a F:, cada uma com velocidades e ocupações distintas, e pressiona “Start”. O algoritmo então simula o deslocamento aleatório dos clusters de forma quase idêntica ao utilitário original. A unidade “mais lenta” consome cerca de 17 minutos — tempo suficiente para pegar um café e curtir o ASMR de hardware vintage.
O som faz toda a diferença
Para capturar o espírito da época, o engenheiro gravou discos rígidos IDE reais, sincronizando ticks, clacks e whirs com a animação. É um deleite para quem sente falta daquele barulho mecânico que desapareceu com a popularização dos SSDs silenciosos.
Entenda por que desfragmentávamos (e por que não fazemos mais)
HDDs gravam dados em setores físicos espalhados no prato magnético. Quando arquivos se fragmentam, o cabeçote precisa pular entre pontos diferentes, reduzindo a velocidade de leitura. O Windows 98 não era exatamente rápido, então desfragmentar podia recuperar frames preciosos nos jogos da época — quem lembra de Quake II rodando mais suave após o processo?
Nos SSDs atuais, não há partes móveis: a busca de dados é virtualmente instantânea. Além disso, desfragmentar um SSD gasta ciclos de gravação, encurtando sua vida útil. Moral da história: a nostalgia é divertida, mas deixe seu NVMe em paz.
Nostalgia que conversa com o presente
Para quem monta ou faz upgrade em PCs, o simulador ajuda a visualizar a evolução do armazenamento. Um SSD PCIe 4.0 de 7 GB/s, por exemplo, chega a ser 160 vezes mais veloz que um HDD IDE típico de 40 MB/s dos anos 90. Isso impacta não só o tempo de boot do Windows 11, mas também o carregamento de jogos como Starfield ou Cyberpunk 2077.
Imagem: William R
Vale o play?
Se você curte história da computação, precisa de um screen saver inusitado ou simplesmente quer mostrar aos amigos de geração Z por que “defrag” era papo sério, o site é obrigatório. E quem sabe a experiência não inspira aquela troca de hardware: sair de um HDD antigo para um SSD sazonalmente em promoção pode ser o upgrade mais perceptível no cotidiano, estando você em home office ou maratonando games.
O simulador é gratuito, não exige cadastro e roda tanto em desktops quanto em smartphones. Basta acessar, escolher a letra da unidade e deixar os bloquinhos coloridos fazerem o show — agora sem o risco de perder arquivos importantes no processo.
Com informações de Hardware.com.br