No fim dos anos 1980, a Apple comemorava as vendas surpreendentes de um pequeno aplicativo de slides exclusivo do Macintosh. Nove meses depois, a Microsoft desembolsava US$ 14 milhões para comprar a desenvolvedora Forethought e, de quebra, o software que se tornaria peça-chave do Office: o PowerPoint. Mais do que uma simples aquisição, esse movimento definiu o domínio de Redmond no mercado de produtividade — hoje estimado em US$ 7,5 bilhões por ano — e alterou a forma como empresas, universidades e criadores de conteúdo apresentam ideias em todo o planeta.
De ideia acadêmica a sucesso meteórico no Macintosh
Concebido por Robert Gaskins em 1984, o PowerPoint nasceu para aproveitar as capacidades gráficas do recém-lançado Macintosh. Ao lado do engenheiro Dennis Austin, Gaskins descartou o nome “Presenter” e entregou a versão 1.0 em 20 de abril de 1987. Resultado: cerca de 40 mil cópias vendidas em apenas nove meses, esgotando estoques em eventos como a Macworld Expo e recebendo elogios públicos de John Sculley, então CEO da Apple.
A imprensa especializada previa que apresentações gráficas poderiam superar até mesmo processadores de texto, então carro-chefe do Macintosh. A Apple, empolgada, chegou a investir US$ 432 mil na Forethought — seu primeiro aporte de venture capital em uma empresa fora do ecossistema —, mas hesitou em adquirir a companhia por completo.
Ofertas, hesitações e a jogada de mestre da Microsoft
Enquanto isso, gigantes como Borland e Xerox flertavam com a compra, mas não concluíam o acordo. A Microsoft cogitava desenvolver um clone internamente, ideia que exigiria tempo e recursos de uma equipe já sobrecarregada com o Windows 2.0 e o Word. A vitrine de vendas vazias nas lojas Apple falou mais alto: era prova de demanda real.
Após uma proposta inicial de US$ 5,3 milhões — rejeitada por ignorar o banco de dados FileMaker Plus — e uma segunda oferta de US$ 12 milhões em ações, Bill Gates fechou o negócio em 30 de julho de 1987 com um pagamento à vista de US$ 14 milhões. Foi a primeira grande aquisição da Microsoft.
Do Vale do Silício ao Windows 3.0 — e ao topo do mercado
A divisão recém-comprada permaneceu na Califórnia, mas reescreveu todo o código para o Windows 3.0, lançado em 1990. Gates usou o aplicativo em sua keynote de apresentação do sistema operacional — marketing gratuito que impulsionou tanto o Windows quanto o próprio PowerPoint.
Com a versão 3.0, em 1992, chegaram animações, paleta de cores completa e o formato de slides que conhecemos hoje. Integrado ao recém-formado pacote Office, o PowerPoint se tornou um pilar que ajudou a Microsoft a faturar mais de US$ 300 bilhões em suítes de produtividade desde então.
Imagem: William R
Impacto prático para você em 2024
• Padrão de mercado: Mais de 30% das empresas globais utilizam o Microsoft 365, onde o PowerPoint continua peça central.
• Compatibilidade universal: arquivos .pptx são reconhecidos em praticamente qualquer dispositivo — PCs Windows, Macs, Chromebooks, iPads e até smartphones Android.
• Integração com hardware moderno: placas de vídeo atuais, como as GeForce RTX ou Radeon RX, aceleram transições 3D e exportações em 4K, recurso útil para criadores de conteúdo e streamers que dependem de apresentações animadas.
• Concorrência direta: Google Slides e Apple Keynote evoluíram, porém ainda perdem em quantidade de modelos, compatibilidade de macros e recursos de IA do Copilot, disponível para quem assina Microsoft 365.
Por que a história ainda vale milhões (talvez bilhões) hoje
A compra de 1987 demonstra como a velocidade na tomada de decisão pode valer mais que o preço pago. A Apple hesitou. A Microsoft agiu rápido e transformou um aplicativo promissor em um ecossistema de produtividade que, décadas depois, continua se expandindo com recursos baseados em nuvem e inteligência artificial. Para o usuário final, isso se traduz em apresentações mais dinâmicas, colaboração em tempo real e integração direta com Outlook, Teams e OneDrive.
Se você cria conteúdos visuais, leciona ou trabalha com marketing, entender essa trajetória ajuda a escolher a ferramenta (e o hardware) que entrega o desempenho necessário. Afinal, cada nova transição de slide ou exportação em 4K também depende da GPU, do processador e até do mouse/teclado que você utiliza para produzir com agilidade. E, como mostrou a história, escolher o parceiro certo no momento certo faz toda a diferença.
Com informações de Hardware.com.br