Se você depende de cartões de memória da Sony para fotografia ou vídeo profissional, é hora de reavaliar o estoque. A gigante japonesa anunciou o congelamento imediato de pedidos para praticamente toda a sua linha de cartões SD e CFexpress no mercado doméstico, citando a falta de componentes essenciais — em especial memória NAND Flash. O alerta soa global e deve mexer não só com quem opera câmeras Sony, mas com todo o ecossistema de equipamentos que usam esse tipo de mídia.
Quais modelos foram afetados?
Do SDHC mais simples ao CFexpress Type A de 1,92 TB, quase tudo saiu do portfólio de curto prazo. Por enquanto, sobrevivem apenas:
- Alguns cartões CFexpress Type B (linha Tough)
- A série de entrada SDXC SF-UZ
E mesmo esses continuam à venda somente enquanto houver unidades em estoque — depois, sem previsão de retorno.
Memória NAND está sumindo — e a IA é a culpada
Data centers dedicados a Inteligência Artificial consomem volumes inéditos de NAND para acelerar modelos de linguagem e treinamento de redes neurais. Segundo projeções de consultorias como a TrendForce, a demanda triplica até 2026, empurrando fabricantes de acessórios e eletrônicos de consumo para o fim da fila.
A escassez ganhou um tempero geopolítico: a redução na oferta de hélio — gás crítico para litografia em semicondutores — por causa das tensões no Irã. O resultado é uma cadeia de suprimentos ainda mais frágil, refletida agora na decisão drástica da Sony.
O que isso significa para fotógrafos e cinegrafistas?
Para quem grava em 4K/6K/8K ou captura fotos em RAW, a notícia é um balde de água fria. Os CFexpress Type A da Sony são referência de velocidade, chegando a até 800 MB/s em escrita sustentada, algo essencial para câmeras como a Alpha A7S III ou a FX3. Sem eles, profissionais podem enfrentar gargalos de buffer, maior risco de drop frames e workflows mais lentos.
A suspensão também tende a pressionar preços de revenda e encarecer dispositivos compatíveis. Em marketplaces internacionais, já se vê alta de 10 a 20 % em alguns SKUs esgotados no Japão.
Existe alternativa à altura?
Sim, mas com ressalvas. Marcas como SanDisk, Lexar e ProGrade oferecem cartões CFexpress Type B com taxas similares ou até maiores (até 1.700 MB/s). No entanto, o formato Type A — compacto e exclusivo de câmeras Sony de última geração — ainda tem poucas opções de terceiros. Por enquanto, o ProGrade CFexpress Type A Cobalt desponta como substituto viável, embora custe até 15 % mais e tenha disponibilidade irregular.
Imagem: William R
Impacto para consumidores comuns
Quem usa cartões SD de entrada para drones, notebooks ou câmeras mirrorless intermediárias também pode sentir o efeito dominó. Uma redução no portfólio aumenta a pressão sobre modelos rivais, potencialmente elevando os valores de cartões UHS-I e UHS-II de alta capacidade (512 GB ou 1 TB).
Previsão de normalização?
A Sony não cravou data. Analistas de mercado estimam que a cadeia de suprimentos de NAND só volte a um equilíbrio relativo no segundo semestre de 2025, quando novas fábricas — como a expansão da Micron nos EUA e da Samsung na Coreia — atingirem volume comercial. Até lá, flutuações de preço e disponibilidade devem ser a norma.
Vale estocar agora?
Se você depende de gravação ininterrupta ou projetos de alto fluxo de dados, a resposta curta é sim. Adquirir unidades enquanto ainda há estoque pode evitar dores de cabeça e sobrepreço no curto prazo. Para quem pensa em trocar de câmera neste ano, considerar modelos com suporte a CFexpress Type B ou SD UHS-II pode oferecer mais segurança de abastecimento.
No cenário atual, o movimento da Sony é um termômetro: outros fabricantes podem seguir caminho parecido. Ficaremos de olho para atualizar você sobre novos desdobramentos — e, claro, sobre quaisquer soluções que surjam no mercado.
Com informações de Hardware.com.br