A iRobot, pioneira por trás do icônico aspirador robô Roomba, entrou com pedido de proteção judicial contra falência (Chapter 11) nos Estados Unidos. O processo marca o ponto mais crítico de uma crise que envolve concorrência acirrada com marcas chinesas, tarifas de importação de até 46 % e a frustração de uma venda bilionária para a Amazon. A chinesa Picea Robotics – principal fabricante terceirizada da iRobot – deverá assumir o controle operacional.
Por que a iRobot quebrou?
Relatórios judiciais mostram que a empresa precisou reduzir preços e investir pesado em P&D para acompanhar inovação de rivais como Ecovacs, Roborock e Dreame. Somado a isso, o custo extra de US$ 23 milhões em tarifas para produtos fabricados no Vietnã — vigente desde a gestão Trump — corroeu margens já apertadas.
Do topo ao vale em três anos
Impulsionada pela pandemia, a iRobot valia US$ 3,56 bilhões em 2021. Hoje, não passa de US$ 140 milhões. Na sexta-feira anterior ao anúncio, as ações despencaram 13 % na Nasdaq, refletindo a perda de tração da marca que ainda detém 42 % do mercado norte-americano e 65 % do japonês de aspiradores robotizados.
E o acordo de US$ 1,7 bilhão com a Amazon?
O negócio, anunciado em 2022, prometia integrar o Roomba ao ecossistema Alexa, mas foi barrado pela União Europeia em 2023 por preocupações concorrenciais. A rejeição eliminou a tábua de salvação financeira que poderia ter reforçado o caixa da iRobot.
Capítulo 11: o que acontece na prática?
O Chapter 11 não encerra as operações; ele permite reestruturação de dívidas. A Picea Robotics — com 7 mil funcionários e 20 milhões de unidades vendidas — assume a produção e parte da estratégia global. A iRobot garante que aplicativo, peças de reposição e suporte técnico continuam ativos.
Impacto para quem já tem (ou quer comprar) um Roomba
- Suporte e garantias: a empresa afirma que continuam válidos. Futuros compradores devem monitorar se a transição para a Picea manterá centros de serviço locais.
- Atualizações de software: como o app e servidores seguem ativos, rotinas de mapeamento e integração com assistentes de voz permanecem.
- Preço: liquidações podem surgir para reduzir estoque, abrindo oportunidade para adquirir modelos premium (série j ou s) por menos.
- Concorrência aquecida: marcas emergentes, muitas já populares na Amazon Brasil, podem acelerar lançamentos com navegação a laser e mop vibratório, tecnologias que só chegaram aos Roomba recentemente.
Comparativo rápido: Roomba vs. novos rivais
Roborock Q Revo e Dreame L10s Ultra — campeões de avaliação na Amazon — oferecem base de lavagem de pano e vácuo de sucção acima de 5 000 Pa. Já o Roomba j7+ prioriza IA de detecção de obstáculos e integração profunda com Alexa e Google Home, mas fica atrás em poder de sucção (2 200 Pa) e faz apenas passagem úmida simples.
Imagem: Internet
Vale a pena esperar os próximos passos?
Se você busca um aspirador robô em 2024, a falência da iRobot não significa que o Roomba vá desaparecer, mas sugere um reposicionamento de preço e portfólio. Quem prefere histórico de marca e rede de assistência já estabelecida ainda encontrará boa relação custo-benefício nos modelos i3 e j7, principalmente se surgirem promoções pós-reestruturação. Para quem prioriza recursos de lavagem avançada e maior sucção, os rivais asiáticos despontam como alternativas competitivas.
No fim das contas, o drama da iRobot evidencia como inovação constante e escala de produção tornaram-se cruciais num segmento que já movimenta mais de US$ 15 bilhões ao ano. Fique atento: os próximos lançamentos, sejam da “nova iRobot” sob comando da Picea ou de competidores chineses, definirão o rumo da limpeza inteligente em nossos lares.
Com informações de Mundo Conectado