A cada dezembro a Apple divulga os App Store Awards, reconhecendo aplicativos e jogos que, segundo a empresa, representam o estado da arte em design e inovação nos seus ecossistemas – iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, Apple TV e agora o Vision Pro. Ainda que a curadoria humana da Apple tenha sido referência por anos, analistas e desenvolvedores experientes já não veem a premiação com o mesmo brilho de antigamente.
Será que a Apple caiu na rotina? Ou será que o mercado evoluiu mais rápido do que o troféu de vidro da empresa consegue acompanhar? A seguir, reunimos os pontos de crítica e, principalmente, sete propostas práticas para o prêmio recuperar relevância – algo que impacta diretamente você, usuário, que quer apps cada vez melhores para turbinar seu iPhone, seu Mac ou qualquer outro dispositivo da maçã.
O que mudou nos App Store Awards de 2023
Nesta edição, a Apple incluiu a nova categoria “Cultural Impact”, buscando destacar apps que geram transformação social. O vencedor do iPhone foi o Tiimo, um gerenciador de tarefas pensado para pessoas neurodivergentes. A iniciativa de acessibilidade é louvável, mas gerou debates porque o Tiimo não oferece versão nativa para Mac – no desktop, o usuário precisa recorrer ao site. O jornalista John Gruber, do Daring Fireball, criticou a escolha; outros, como este colunista, preferem enxergar o prêmio como um sinal de caminho, embora desconectado da experiência multiplataforma que a Apple tanto prega.
Por que a credibilidade anda abalada
- Falta de transparência: ninguém fora de Cupertino sabe exatamente quais critérios pesam mais – design, inovação técnica ou alinhamento com diretrizes da Apple?
- Ausência de vozes externas: todo o processo fica restrito aos editores da App Store, sem participação de especialistas independentes ou, principalmente, dos usuários.
- Categoria única para acessibilidade: quando um app vencedor “acumula função” e vira símbolo de inclusão, a causa principal acaba diluída entre outros méritos.
Sete ideias para a Apple tornar o prêmio inesquecível
1. Criar um troféu dedicado à Acessibilidade
Separar a categoria estimularia milhares de times a pensar primeiro na inclusão, algo que já rendeu recursos como VoiceOver e AssistiveTouch no hardware da Apple.
2. Montar um júri misto
Metade dos votos viria de especialistas independentes em UX, devs renomados e pesquisadores. A outra metade, de usuários “power users” convidados. Nada de votação aberta (que vira concurso de popularidade), mas sim um painel rotativo e anônimo até o anúncio final.
3. Garantir apontamentos públicos de critério
Ao divulgar por que cada vencedor brilhou – seja uso exemplar de SwiftUI, seja integração impecável entre Apple Watch e iPhone –, a empresa educa a comunidade e eleva a barra de qualidade.
4. Abrir inscrição proativa
Hoje, a escolha é 100% curada. Permitir que devs submetam seus próprios apps (com uma taxa simbólica, como no Oscar) traria diversidade e impediria que pérolas de nicho passem despercebidas.
5. Premiar continuidade
Uma categoria “Melhor App em Evolução” daria visibilidade a projetos que, ano após ano, entregam updates significativos. Bom para o usuário, que vê compromisso de longo prazo, e para o desenvolvedor, que ganha incentivo financeiro e de marketing.
Imagem: Jny Evans
6. Feedback técnico detalhado
Mesmo apps que não levarem o troféu receberiam um relatório resumido da Apple apontando pontos fortes e fracos em design, performance e privacidade. Isso acelera melhoria de qualidade em larga escala.
7. Integração com hardware recente
Pense no potencial de categorias específicas para Spatial Computing do Vision Pro ou para o Neural Engine do processador M3. Isso criaria um ciclo virtuoso: devs exploram ao máximo novos chips, e você, que talvez acabe de comprar um MacBook M3 ou planeja um futuro upgrade, já colhe apps otimizados.
O que tudo isso significa para você, usuário Apple
Um prêmio mais relevante é um incentivo direto para que desenvolvedores entreguem apps responsivos, com menor consumo de bateria e suporte total aos recursos dos chips mais novos – seja seu Apple Silicon no Mac ou o A17 Pro do iPhone 15 Pro. E, se você avalia investir em um novo mouse, teclado mecânico ou até uma GPU externa compatível com Metal, lembre-se: a qualidade do software que vai controlar esses periféricos faz toda a diferença na experiência final.
Em outras palavras, um App Store Awards revitalizado coloca na vitrine não apenas a criatividade, mas aquilo que traduz o poder bruto do hardware Apple em benefícios tangíveis – melhor frame rate nos jogos, mais automação no trabalho e, claro, usabilidade para todos.
No fim das contas, conseguir esse equilíbrio entre curadoria humana, participação da comunidade e critérios transparentes pode transformar o prêmio em um selo de qualidade que realmente ajude você a escolher o próximo aplicativo… e até a decidir qual dispositivo comprar para aproveitar tudo isso.
Com informações de Computerworld