Enquanto rivais como Google e Microsoft disputam os holofotes com modelos generativos na nuvem, a Apple trabalha silenciosamente em uma resposta que pode mudar o jogo já neste segundo semestre. Fontes próximas ao desenvolvimento garantem que o iOS 18, o macOS 15 e o iPadOS 18 trarão uma leva de recursos de Apple Intelligence — o guarda-chuva de IA da empresa — com foco em edição de fotos, um novo Siri conversacional e, possivelmente, uma App Store dedicada a “agentes” de IA.
Edição de fotos: três novos superpoderes nativos
Além da ferramenta Clean Up (equivalente ao Magic Eraser do Google), a Apple deve apresentar:
- Extend – Expande a imagem além das bordas originais, nos moldes do Generative Expand do Adobe Photoshop.
- Enhance – Analisa cores, iluminação e ruído para otimizar automaticamente a qualidade da foto.
- Reframe – Usa dados de profundidade para alterar o ângulo ou transformar um perfil em retrato frontal, aproveitando sensores como o LiDAR do iPhone 15 Pro.
Na prática, usuários de iPhone e Mac poderão gerar composições mais amplas para redes sociais ou refinar imagens RAW sem migrar para softwares pagos — um atrativo enorme para criadores de conteúdo e fotógrafos amadores.
Novo Siri: chat completo e rodando no dispositivo
A Apple trabalha em modelos de linguagem próprios e em parceria com o Google Gemini, capazes de rodar:
- On-device, aproveitando o Neural Engine dos chips A17 Pro, M3 e futuros M4/M5;
- No Private Cloud Compute, solução que equilibra processamento local e nuvem sem abrir mão de criptografia de ponta a ponta.
A grande novidade deve ser um Siri App com interface de chat, nos moldes de ChatGPT, permitindo ao usuário escolher entre diferentes LLMs — um movimento que também atende pressões regulatórias por maior abertura de plataforma.
Chips menores, IA maior: como o hardware sustenta a estratégia
Com uma roadmap agressiva rumo a 1,4 nm, a Apple consolida vantagem de eficiência energética e desempenho em IA. Segundo Johny Srouji, o recém-anunciado M5 representa “o próximo salto de performance”, algo que impacta diretamente:
Imagem: Jny Evans
- Jogos: mais FPS e ray tracing sem esgotar a bateria do MacBook Air ou do iPad Pro.
- Produtividade: transcrição em tempo real de reuniões no FaceTime ou Zoom, sem latência.
- Criação de conteúdo: geração de vídeo e áudio assistidos por IA acelerada por hardware dedicado.
App Store para agentes de IA: o próximo ecossistema bilionário?
Analistas apostam que a Apple lance um marketplace só para IA agents, vendidos como apps ou assinaturas. Imagine baixar um “Coach de Treino” que analisa vídeos do seu Apple Watch ou um “Editor de Vídeos Shorts” que automatiza cortes para o TikTok. O modelo de curadoria da Apple adiciona uma camada de segurança: dados sensíveis ficam criptografados e longe de farms suspeitas.
Por que isso importa para você?
Se você já considera investir em um novo MacBook M3 ou em um iPhone 15 Pro, a atualização de software pode turbinar o hardware que você leva para casa hoje, prolongando o ciclo de vida do produto e aumentando o valor de revenda. Para quem trabalha com criação, cada segundo economizado em edição ou renderização significa mais conteúdo postado — e mais receita potencial.
No fim das contas, falar que a Apple “ficou para trás” pode ter sido precipitado. A empresa parece apostar em um tripé hardware + software + serviços: escolha de modelos de IA, processamento local poderoso e um ecossistema de apps preparado para monetizar a próxima onda tecnológica. Junho, na WWDC, deve ser o primeiro ato dessa virada.
Com informações de Computerworld