Se você já está de olho no próximo upgrade de celular, talvez seja melhor repensar a data da compra. Projeções da Counterpoint Research indicam que 2026 será um ano de preços mais altos, catálogos enxutos e especificações podadas, especialmente nas linhas de entrada e intermediárias. Em outras palavras: menos opções, avanços tímidos e conta mais salgada no caixa.
Por que o valor dos smartphones vai subir?
A resposta curta: memória cara e demanda fora de controle. DRAM e NAND — componentes essenciais para desempenho em jogos, multitarefas e até fotografia computacional — estão sendo disputadas a tapa pelos data centers de IA que crescem em ritmo explosivo. A cadeia de suprimentos, que já opera com margens apertadas, não consegue produzir o bastante para todo mundo.
Na prática, as fabricantes de smartphones competem com nomes de peso como Nvidia, Microsoft e Amazon Web Services pelos mesmos chips. Resultado? Falta de estoque e aumento de custo entre 10% e 15% somente nesses itens até meados de 2026.
Quanto mais caro, exatamente?
A consultoria prevê que o preço médio de venda (ASP) global suba 6,9% em 2026, quase o dobro da projeção anterior. Mas nos aparelhos acessíveis o impacto é maior. Estimativas internas de fornecedores sinalizam alta de:
- 25% nos modelos de entrada (até R$ 1.500 no Brasil).
- 15% nos intermediários (R$ 1.500 a R$ 3.000).
- 10% nos topos de linha, que já custam caro e ainda absorvem parte do reajuste.
Menos RAM, menos variedade
Para não repassar todo o acréscimo ao consumidor — algo inviável nos segmentos baratos — as marcas têm duas cartas na manga:
- Cortar capacidade de memória. Celulares básicos podem voltar a ter 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento, enquanto 8 GB e 12 GB devem se tornar o novo “padrão de conforto” dos intermediários. Aqueles 16 GB de RAM vistos em flagships recentes podem virar raridade.
- Enxugar o portfólio. Em vez de quatro ou cinco variações de um mesmo modelo, veremos duas ou três, concentrando vendas em unidades com maior margem.
Quem sai na frente nessa maré alta?
Apple e Samsung continuam melhor posicionadas: negociam volumes gigantes, fecham contratos de longo prazo e têm poder de barganha em toda a cadeia. Já fabricantes chinesas focadas em custo-benefício — como Realme, Poco e algumas linhas da Xiaomi — enfrentam o dilema de subir preços ou reduzir lucro.
Impacto real para você, gamer ou fotógrafo móvel
Se as previsões se confirmarem, o consumidor pode notar reflexos diretos:
Imagem: Internet
- Jogos mais pesados podem sofrer com celulares de 4 GB ou 6 GB de RAM, exigindo mais otimização ou quedas de taxa de quadros.
- Captura de foto e vídeo em alta resolução (8 K, 4 K 60 fps) consome muita RAM para processamento de imagem; cortes vão limitar tempo de gravação ou forçar compressão mais agressiva.
- Atualizações de sistema podem encurtar: aparelhos com menos memória costumam receber menos anos de suporte por parte das fabricantes.
Vale antecipar a compra ou esperar?
Especialistas em mercado recomendam três estratégias:
1. Apostar em modelos 2024 e início de 2025: já consolidados, preços com queda natural e ainda com hardware competitivo.
2. Ficar de olho em grandes promoções: Prime Day, 11.11 e Black Friday devem ser as melhores janelas antes da virada para 2026.
3. Investir em celulares com RAM expansível via memória virtual: alguns sistemas permitem “emprestar” parte do armazenamento para a RAM; não substitui chips dedicados, mas quebra galho em multitarefas.
E o ciclo de troca, como fica?
Com tags de preço subindo e saltos tecnológicos menores, a tendência é esticar o tempo de uso para três ou quatro anos. Isso já acontece em mercados maduros, onde o hype por novidades cede espaço a escolhas racionais: manter seu aparelho atual, trocar bateria, ou buscar o modelo do ano anterior recondicionado ou em oferta, pode entregar melhor custo–benefício.
O que observar nos próximos lançamentos
Ainda que 2026 não seja o melhor ano para trocar de celular, vale monitorar:
- Adoção de chips 3 nm e 2 nm, que prometem ganhos de eficiência energética mesmo em aparelhos com menos RAM.
- Câmeras com sensores maiores, tendência que pode continuar evoluindo independentemente do corte de memória.
- Suporte a IA on-device, possível diferencial para justificar preços premium.
No fim das contas, 2026 deve ser um divisor de águas: menos sobre apresentar o smartphone mais poderoso do mundo e mais sobre driblar limitações de custo — sem estourar o orçamento do consumidor.
Com informações de Mundo Conectado