A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou dezembro com uma operação de fôlego nos centros de distribuição da Amazon e Shopee. O saldo? 1.587 produtos apreendidos por falta de homologação obrigatória. A ação reforça o alerta para quem busca um novo mouse gamer, teclado mecânico ou headset sem fio nos grandes marketplaces: conhecer a procedência do item nunca foi tão essencial.
O que aconteceu na prática
Em 2 de dezembro, fiscais de várias regionais da Anatel vistoriaram o hub da Shopee em Jaboatão dos Guararapes (PE) e recolheram 864 eletrônicos irregulares, avaliados em R$ 112,7 mil. No dia seguinte, foi a vez do CD2 da Amazon em Santa Maria (DF), onde outros 753 produtos sem certificação foram retirados de circulação. Entre os itens barrados estavam câmeras Wi-Fi, smartwatches, carregadores, cabos de rede e dispositivos de radiação restrita.
Por que a homologação importa para gamers e criadores
Todo equipamento que emite sinal de rádio — de um simples adaptador Bluetooth a uma placa de vídeo com Wi-Fi integrado — precisa passar por testes que comprovem segurança elétrica, compatibilidade eletromagnética e limites de radiação. Sem esse selo, você corre riscos como:
- Instabilidade na conexão sem fio, gerando lag em jogos competitivos;
- Sobrecarga elétrica, que pode danificar outros componentes do PC;
- Vazamento de dados, já que produtos não certificados costumam ignorar protocolos de segurança.
Na prática, economizar alguns reais em um mouse “genérico” pode resultar em perda de desempenho ou, pior, na queima da porta USB da sua placa-mãe.
Quais produtos chamaram a atenção da Anatel
Embora a lista inclua itens de vários segmentos, a operação mirou categorias que cresceram na Black Friday:
- Carregadores rápidos de alta potência (GaN) sem proteção contra sobretemperatura;
- Fones TWS que operam fora da faixa de frequência permitida;
- Amplificadores de guitarra com interferência em redes Wi-Fi;
- Fechaduras inteligentes sem criptografia adequada.
Esses artigos são anunciados com preços muito abaixo da média — gatilho clássico para quem monta setup novo e quer cortar custos.
Como identificar um produto regular antes de clicar em “adicionar ao carrinho”
1. Procure o código de homologação (ex.: HHHHH-YY-XXXX) na descrição ou nas fotos.
2. Desconfie de marcas sem site oficial ou sem manuais em português.
3. No app da Anatel ou no site Sistema de Certificação e Homologação, digite o modelo e confirme a validade.
Imagem: Internet
Marketplace sob pressão: filtros mais rigorosos a caminho
Segundo a superintendente de Fiscalização da agência, Gesiléa Fonseca Teles, o uso de big data e da plataforma Regulatron levou a um salto de precisão nas inspeções em 2025. O próprio setor percebeu a mudança: pela primeira vez, o volume de produtos regulares encontrados superou o de irregulares.
Para Amazon, Shopee e afins, a mensagem é clara: ampliar algoritmos de triagem ou arcar com perdas logísticas. Para o consumidor, a consequência tende a ser positiva — mais transparência sobre a origem de acessórios como mouses Logitech, teclados Redragon e headsets HyperX, que já chegam ao país com certificação completa.
O que esperar em 2026
A Anatel adianta que a próxima fase inclui IoT doméstico e gadgets de IA, como roteadores mesh inteligentes e webcams com processamento on-device. Se você pretende turbinar o setup com sensores RGB ou placas de captura Wi-Fi 6E, vale ficar atento às especificações e ao selo da agência.
No fim das contas, a ofensiva não visa apenas coibir a pirataria; ela também nivela o mercado para marcas que investem em qualidade e suporte local. E, para quem compra, o recado é simples: escolher um produto homologado significa menos sustos e mais horas de jogo — sem travamentos ou cheiros de queimado.
Com informações de Mundo Conectado