Encontrar um tablet Android que já traga caneta ativa, capa e teclado na caixa sem estourar o orçamento é quase missão impossível. O Lenovo Idea Tab, lançado no Brasil em outubro de 2025 por R$ 2.149 e hoje já visto a partir de R$ 1.700, tenta exatamente esse feito. Mas será que o combo de acessórios compensa o hardware mais modesto? Testamos a novidade e explicamos, ponto a ponto, para quem ele faz sentido — e para quem é melhor olhar outro modelo.
Pacote completo logo de saída
Enquanto rivais como o Galaxy Tab A9+ e o iPad 9ª geração cobram extra por teclado ou stylus, o Idea Tab chega com tudo dentro da caixa: carregador de 20 W, cabo USB-A/USB-C, capa magnética com teclado retroiluminado e a Lenovo Active Pen. A caneta usa pilha AAAA — mais difícil de achar que a tradicional AAA —, mas ainda assim poupa você de gastar cerca de R$ 400 em um acessório separado.
Design premium, mas sem proteção à água
O corpo único em alumínio de 6,99 mm passa a sensação de tablet top, algo raro nesta faixa de preço. Com 480 g, ele é leve para segurar com uma mão, mas o conjunto salta para quase 1 kg quando capa e teclado entram em jogo. Vale lembrar: a certificação é apenas IP52 (respingo e poeira), portanto nada de mergulhar o aparelho.
Tela 2.5K de 90 Hz: ótima para streaming, limitada ao ar livre
O painel WVA de 11 pol. entrega resolução 2.560 × 1.600 p e taxa de atualização de 90 Hz — um degrau acima dos 60 Hz do Galaxy Tab A9+. Séries da Netflix e vídeos do YouTube ficam vibrantes, mas os 500 nits de brilho máximo não dão conta do uso sob sol forte. Se você pretende estudar num campus aberto ou em ônibus sem cortina, considere isso.
Som alto, porém sem graves
São quatro alto-falantes com Dolby Atmos. O volume impressiona; os graves, nem tanto. Em podcasts fica tudo ok, já em músicas eletrônicas a falta de “punch” é clara. O conector P2 salva quem prefere fone com fio.
Câmeras só para o básico
A lente traseira de 8 MP e a frontal de 5 MP gravam em Full HD a 30 fps. Elas quebram o galho em videochamadas e digitalização de documentos, mas não substituem o smartphone. Não há flash nem estabilização óptica.
Processador MediaTek Dimensity 6300: suficiente para apps de estudo, curto para jogos
Com 8 GB de RAM (há variante com 4 GB) e 128 GB de armazenamento expansível, o Idea Tab roda bem Google Docs, Canva, YouTube e apps de IA do Google, como o Circle to Search. No Geekbench 6, marcou 779 (single-core) e 1.945 (multi-core), abaixo do Snapdragon 778G que equipa o Galaxy Tab S9 FE, por exemplo. Fortnite só fica jogável no mínimo, e editores de vídeo como CapCut engasgam.
Bateria para o dia todo
Os 7.040 mAh renderam cerca de 8 horas de streaming contínuo e mais de um dia de uso misto (estudo + navegação). Carregar de 0 a 100 % com o adaptador de 20 W leva pouco mais de 2 h.
Imagem: Victor Toledo
Somente Wi-Fi — e USB-C 2.0
Não há slot para SIM, e-SIM nem NFC. A conexão se limita ao Wi-Fi dual-band e ao Bluetooth 5.2. A porta USB-C 2.0 restringe a velocidade de cópia de arquivos grandes, algo a considerar se você lida com projetos de design pesados.
Atualizações até 2029
De fábrica com Android 16, o Idea Tab tem promessa oficial de updates de segurança por cinco anos. Para quem precisa de um dispositivo de estudo que dure todo o ciclo universitário, é um ponto de tranquilidade.
Idea Tab versus concorrentes diretos
Galaxy Tab A9+ (11”, Snapdragon 695, 60 Hz): custa em média R$ 1.500, mas teclado e caneta vendidos à parte adicionam cerca de R$ 700 ao orçamento.
iPad 9ª geração (10,2”, A13 Bionic, 60 Hz): performance melhor e ecossistema de apps superior, porém parte de R$ 2.400 sem nenhum acessório incluso.
Xiaomi Pad 6 (11”, Snapdragon 870, 144 Hz): tela e CPU mais potentes, preço próximo a R$ 2.000 em importadoras, mas caneta + teclado encarecem o pacote.
Em resumo, o Lenovo é o único que já sai da caixa pronto para digitar e desenhar por menos de dois mil reais.
Para quem o Lenovo Idea Tab vale a pena?
- Estudantes que precisam tomar notas manuscritas, ler PDFs e editar textos.
- Profissionais que viajam pouco e não dependem de 4G/5G no tablet.
- Consumidores que priorizam autonomia, tela de boa resolução e o kit completo de acessórios.
Se a sua prioridade é jogar títulos pesados, editar vídeos no tablet ou ter brilho alto para uso externo, melhor considerar o Galaxy Tab S9 FE ou o iPad Air M1. Caso contrário, o Idea Tab entrega um equilíbrio raro entre preço e versatilidade — principalmente agora que já aparece perto de R$ 1.700 nos Achados das principais lojas online.
Com informações de Tecnoblog