Se você não abre mão de navegar sem banners piscando na tela, anote na agenda: o Google Chrome 150 será a última versão compatível com o uBlock Origin “raiz”, a edição baseada no Manifest V2 (MV2). A partir da build 151, prevista para os próximos meses, todos os “atalhos” que mantinham o MV2 vivo serão removidos do código-fonte do Chromium, afetando também navegadores derivados como Edge e Opera.
O que muda, na prática?
O uBlock Origin clássico depende do Manifest V2 para interceptar requisições e aplicar suas listas de bloqueio com a performance e granularidade que fizeram da extensão um ícone entre usuários avançados. Com a transição obrigatória para o Manifest V3 (MV3), o Chrome limitará a forma como extensões manipulam o tráfego da página, reduzindo o número de regras ativas e o tempo de execução de scripts. Resultado: menos eficácia contra anúncios agressivos, pop-ups e rastreadores.
Por que o Google insiste no Manifest V3?
Segundo a empresa, o MV3 amplia a segurança — cada extensão passa a ter permissões mais restritas — e melhora a performance do navegador. Na visão de desenvolvedores de bloqueadores de anúncios, porém, essas “travas” sacrificam parte da flexibilidade que ferramentas como uBlock Origin, AdGuard ou Ghostery sempre ofereceram. A polêmica se arrasta desde 2021, mas agora o cronômetro zerou.
Impacto imediato para o usuário
Quem instalar ou manter a versão clássica do uBlock Origin no Chrome verá a extensão simplesmente parar de filtrar anúncios após a atualização automática para a versão 151. Isso pode refletir em:
- Páginas carregando mais lentamente por causa de scripts publicitários;
- Maior consumo de dados em conexões móveis;
- Experiência visual poluída, especialmente em portais com muitos banners de vídeo.
Existe um plano B?
Sim, mas com ressalvas. O desenvolvedor Raymond Hill já oferece o uBlock Origin Lite, reescrito para o Manifest V3. Ele mantém o espírito da extensão original, mas perde recursos como o modo “element picker” avançado e filtros dinâmicos em tempo real. Para quem exige bloqueio total e scriptlet injection mais sofisticada, a opção mais robusta ainda é migrar para navegadores que continuarão aceitando MV2, como:
- Firefox – mantém suporte integral ao MV2 e MV3, além de oferecer isolamento de contêineres para ainda mais privacidade;
- Brave – força o MV2 via patch no código do Chromium e inclui bloqueador nativo baseado em listas;
- Opera (prometido) – a empresa sinalizou que, ao menos por enquanto, não pretende remover o MV2.
Vale a pena permanecer no Chrome?
Depende do seu perfil de uso. Se você prioriza o ecossistema Google (sincronização, perfis, senhas, extensões específicas), talvez o uBlock Origin Lite atenda de forma “boa o suficiente”. Por outro lado, quem joga online, assiste a streaming em 4K ou trabalha com muitas abas abertas pode sentir aumento de consumo de CPU e memória causado por anúncios não bloqueados. Nesse cenário, mudar de navegador ou combinar soluções — como o Pi-hole em nível de rede — pode ser a saída.
Imagem: Vitor Pádua
Dicas rápidas para se preparar
1. Verifique sua versão do Chrome: digite chrome://version na barra de endereços.
2. Exporte suas listas personalizadas: no uBlock Origin clássico, navegue até Configurações > Backup.
3. Teste o uBlock Origin Lite: instale a versão MV3 na Chrome Web Store e compare o bloqueio em sites de notícia recheados de anúncios.
4. Experimente outros navegadores por uma semana: sincronize favoritos pelo Firefox Sync ou Brave Sync para uma migração sem traumas.
Em resumo: o Google vai apertar o cerco ao Manifest V2, e o uBlock Origin clássico será a vítima mais sentida. Se bloquear anúncios é prioridade para você, a hora de planejar a mudança — seja de extensão ou de navegador — é agora.
Com informações de Tecnoblog