Depois de conquistar fãs com design transparente e interface luminosa, a Nothing ataca agora no segmento mais acessível. O Nothing Phone (4b) chega à Europa, Reino Unido e Índia tentando entregar aquilo que todo gamer casual e usuário heavy-user procura: boa autonomia, tela fluida, desempenho estável e, claro, pitadas de inteligência artificial — sem estourar a faixa dos € 330/R$ 2 000 (conversão direta). Será que ele entrega mesmo o melhor custo-benefício do momento? Acompanhe os detalhes.
Ficha técnica resumida
• Processador: Snapdragon 6 Gen 4 (4 nm)
• Tela: Super AMOLED 6,77″, 120 Hz, 1 200 nits
• RAM / armazenamento: 8 GB + 128 GB ou 256 GB
• Bateria: 6 000 mAh (Índia) / 5 200 mAh (demais países), 33 W
• Câmeras: 50 MP (principal, OIS) + 8 MP ultrawide / 16 MP frontal
• Extras: IA on-device, Glyph Bar, IP64, Nothing OS 4.1 (Android 16)
Desempenho: Snapdragon 6 Gen 4 finalmente troca a “arquitetura jurássica”
O novo chip intermediário da Qualcomm abandona os antigos núcleos Kryo e abraça os Cortex-A720/A520. Segundo testes citados pelo Android Authority, o ganho é de 11 % em CPU e 29 % em GPU frente ao Snapdragon 695 — presença comum em aparelhos próximos dos R$ 2 000 hoje. Na prática, jogos como Fortnite ou CoD Mobile deverão rodar a 60 fps no médio, e apps de edição de foto/vídeo sentirão menos engasgos.
Para quem acompanha a briga, o 6 Gen 4 concorre diretamente com o MediaTek Dimensity 6300 encontrado em modelos como o Redmi Note 15 Pro. A Qualcomm, porém, leva vantagem em ISP e em recursos dedicados de IA graças à NPU com suporte a INT4.
IA embarcada: funções “Essential” sempre à mão
A Nothing batizou o pacote de recursos de inteligência artificial de Essential Space, Essential Voice e Essential Apps, todos acionados por um botão físico na lateral (Essential Key). Diferente de assistentes que dependem de nuvem, a execução local reduz latência e preserva privacidade — ponto que deve agradar quem viaja ou joga sem conexão estável.
Tela e design: transparência renovada
Visual segue a identidade da marca, mas agora em corpo unibody de policarbonato tratado, parafusos à mostra e bordas retas. O módulo Glyph deixou de ser um “circuito” e virou a Glyph Bar, com 45 mini-LEDs mais brilhantes (até 40 % de ganho). Ela continua servindo como barra de progresso de carga e luz para gravação de vídeo, funções úteis até para criadores de conteúdo.
Bateria: números que superam Google e Apple em ciclos
Com 1 200 ciclos até 90 % da capacidade, o Phone (4b) passa na frente de rivais premium que citam 1 000 ciclos até 80 %. Mesmo na variante global de 5 200 mAh, deve garantir mais de um dia longe da tomada para quem faz streaming e redes sociais intensivas. Já os 6 000 mAh da edição indiana piscam para usuários de jogos competitivos que ficam horas em 5G e Wi-Fi.
O carregamento de 33 W não impressiona se comparado aos 67 W de Redmi e realme, mas a Nothing afirma que alcança 100 % em cerca de 80 min. Falta mesmo a recarga sem fio, presente no irmão maior Phone (4a).
Câmeras: sensor principal de 50 MP com OIS
Embora mantenha apenas dois sensores traseiros, a marca aposta em qualidade: o principal de 50 MP (1/2,76”) tem abertura f/1.8 e estabilização óptica, promessa de fotos menos tremidas em vídeos curtos ou Reels. Já o ultrawide de 8 MP cobre 119°, suficiente para paisagens e grupos grandes. A câmera frontal de 16 MP adota correção automática de tom de pele, ajuste bem-vindo para chamadas em vídeo no trabalho.
Imagem: Internet
Resistência e software para quem quer “longevidade”
O IP64 garante proteção total contra poeira e respingos fortes. A Nothing ainda diz que o aparelho suporta mergulho de 25 cm por 20 min, mas sem selo oficial IP68 — abuse por sua conta e risco. No software, o Nothing OS 4.1 (base Android 16) promete três grandes updates e seis anos de patches, algo que a Samsung popularizou e agora pressiona toda a indústria.
Preço e rivais diretos
• Reino Unido: £ 299 (~R$ 2 060)
• Europa: € 329 (~R$ 1 970)
• Índia: Rs 34 999 (~R$ 1 900)
Nessa prateleira, ele bate de frente com OnePlus Nord CE, Motorola Edge 2026 e Redmi Note 15 Pro. Todos trazem telas 120 Hz e câmeras de 50 MP, mas nenhum combina design transparente, LED funcional e promessa de 1 200 ciclos de bateria — diferenciais que podem pesar na decisão de compra de quem busca personalidade sem pagar preço de flagship.
Vale a pena importar?
Não há previsão oficial para o Brasil. Quem optar pela importação deve calcular taxas e a possível redução da bateria (5 200 mAh). Por outro lado, a construção leve, a Glyph Bar e a experiência Android quase pura podem atrair entusiastas que já cogitavam intermediários chineses na Amazon Global.
Com um chipset mais moderno, foco em IA on-device e a maior bateria já usada pela Nothing, o Phone (4b) pinta como um dos intermediários mais equilibrados de 2026. Resta ver se o marketing “transparente” — literal e figurado — convencerá o público de que menos pode ser mais.
Com informações de Mundo Conectado