A Apple parece disposta a levar a briga pelos seus olhos para um novo patamar. Segundo o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a empresa trabalha em um projeto interno batizado de N50, um par de óculos inteligentes sem tela que pode estrear entre o fim de 2026 e meados de 2027. Se confirmado, o lançamento colocará a companhia de Cupertino frente a frente com os smart glasses Ray-Ban Meta — mas com um tempero extra: a promessa de uma Siri totalmente remodelada e sem uso das mãos.
O que já sabemos sobre o Apple N50
O dispositivo seguiria a filosofia de “acessório do iPhone”, replicando alertas, capturando fotos e vídeos e permitindo ligações ou músicas via alto-falantes embutidos. A ausência de displays de realidade aumentada (AR) reduz o peso, o consumo de energia e, potencialmente, o preço — algo que não aconteceu com o robusto Apple Vision Pro.
Entre as especificações vazadas:
- Processamento no iPhone: a maioria das tarefas exigentes será enviada para o smartphone, minimizando aquecimento no óculos.
- Câmeras duplas em arranjo vertical com LEDs indicadores para gravação.
- Visão computacional para leitura de ambiente e contextualização de comandos de voz.
- Assistente Siri 2.0 (chegando com o iOS 27) que entenderá pedidos mais complexos — como “me lembre de regar esta planta quando eu chegar em casa”.
Quatro estilos, um material premium
A Apple teria desenhado quatro armações em acetato, material usado em óculos de grife por ser mais resistente e agradável ao toque que o plástico injetado comum. Cores em teste: preto, azul-marinho e marrom claro. Confira os formatos:
- Estilo 1: retangular grande, vibe Wayfarer.
- Estilo 2: retangular fino, próximo ao óculos favorito de Tim Cook.
- Estilo 3: oval ou circular robusto.
- Estilo 4: oval ou circular menor e mais delicado.
Como fica frente aos Ray-Ban Meta?
Hoje, os Ray-Ban Meta dominam o segmento de óculos sem tela, oferecendo gravação em 1080p, microfones beamforming e assistência por voz Meta AI. O N50 deve ir além com:
- Integração profunda com iOS, iCloud e apps nativos (Mensagens, Fotos, Mapas).
- Apple Intelligence para sugestões de enquadramento, legendas automáticas para vídeos e lembretes baseados em contexto visual.
- Atualizações de firmware OTA via iPhone, algo que a Apple domina desde o AirPods original.
Para usuários de jogos mobile ou streaming, a leitura instantânea do ambiente pode liberar comandos de voz em cenários onde o controle do touchscreen não é prático — imagine trocar de arma em um FPS ou iniciar gravação de gameplay sem tirar as mãos do joystick do Backbone One.
O ecossistema de “AI wearables” da Apple
Gurman menciona que os óculos são apenas uma peça de um trio de dispositivos focados em captura visual e inteligência artificial:
• AirPods Pro com câmera
• Pingente inteligente com lentes
• Óculos N50
Todos compartilham o mesmo propósito: coletar dados visuais, processar no iPhone ou em servidores privados da Apple e devolver insights contextuais ao usuário.
Imagem: Internet
Por que a Apple pulou direto para os óculos sem tela?
O cronograma original da empresa previa óculos de AR completo para 2022, mas os desafios de miniaturização e custo empurraram o foco para o Vision Pro. Segundo a consultoria Omdia, uma versão com painéis Micro-OLED (OLEDoS) de 0,6″ só deve chegar em 2028. Até lá, o N50 funciona como um “meio-termo”: entrega experiências inteligentes sem as dores de cabeça de projetar telas minúsculas e pesadas.
Desafios que ainda precisam ser resolvidos
- Duração de bateria: atingir um dia inteiro de uso com componentes fotográficos ativos é complexo.
- Privacidade: câmeras o tempo todo despertam preocupações — a Apple precisará de indicadores visuais claros, como já faz no iPhone.
- Siri confiável: a reputação atual do assistente é inferior à de rivais como o Alexa; a nova geração terá de provar valor.
O que isso significa para você?
Se você já vive no ecossistema Apple, o N50 pode se tornar o companheiro definitivo para registrar conteúdo social, ouvir podcasts enquanto caminha ou receber direções de forma quase invisível. Para criadores, a possibilidade de gravar com as mãos livres e enviar ao Final Cut Pro no Mac reduz etapas de produção. E, claro, o formato acetato deixa o produto com aparência de óculos “de verdade”, não de gadget experimental.
Até que a Apple confirme (ou negue) os rumores, quem deseja experimentar óculos conectados pode considerar alternativas já disponíveis — como Ray-Ban Meta ou modelos de marcas asiáticas que focam em áudio de alta fidelidade. Todos eles já aparecem nas vitrines brasileiras da Amazon com preços variados, podendo servir de termômetro para o segmento enquanto aguardamos a solução da maçã.
O fato é que, se a combinação de marca forte + chip proprietário + 1,3 bilhão de iPhones ativos funcionar, a Apple pode repetir o fenômeno dos AirPods, criando um novo acessório “obrigatório” para fãs da tecnologia.
Agora é esperar 2027 chegar — e torcer para que a Siri finalmente entenda quando pedirmos “tire uma foto minha com esse pôr do sol” sem precisar tocar em nada.
Com informações de Mundo Conectado