O Brasil acaba de ganhar uma importante linha de defesa contra a intoxicação por metanol. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta sexta-feira (3) uma resolução emergencial que autoriza a produção industrial de etanol farmacêutico injetável, principal antídoto utilizado em casos graves de contaminação. A medida chega em meio a um número crescente de ocorrências: já são 113 notificações em seis estados, com 11 casos confirmados — todos em São Paulo.
Por que essa decisão é tão urgente?
Embora visualmente semelhante ao etanol de consumo, o metanol é metabolizado de forma diferente pelo organismo, gerando compostos altamente tóxicos que podem provocar cegueira, falência renal e até a morte. Em 2024, o país registrava em média 20 intoxicações por ano; em 2025, esse número explodiu, pressionando o sistema de saúde e revelando um gargalo: a falta de um antídoto produzido localmente em escala.
Como será a produção do antídoto
Segundo Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, hospitais universitários e laboratórios de manipulação já detêm a tecnologia para fabricar o etanol farmacêutico, mas a regulamentação anterior permitia apenas lotes limitados. Com a nova resolução, essas mesmas estruturas poderão operar em regime industrial, possibilitando que as primeiras remessas cheguem à rede pública em até uma semana.
Estoque estratégico: números que importam
Para evitar o desabastecimento, o Ministério da Saúde adquiriu 4,3 mil ampolas do antídoto e está prestes a comprar mais 150 mil unidades, o que corresponde a cinco mil tratamentos completos. Além disso, um grande laboratório brasileiro se ofereceu para doar parte da produção caso a demanda aumente.
Fomepizol ainda fora do radar nacional
Outra terapia conhecida contra intoxicação por metanol é o fomepizol. Contudo, a substância possui processo de síntese mais complexo e, por enquanto, não há licença de fabricação no Brasil. Até que mude o cenário, o etanol farmacêutico será o pilar do protocolo de atendimento.
Impacto para o consumidor e 5 dicas de prevenção
Para o leitor que aprecia um bom drink — seja durante uma sessão de jogos ou em uma confraternização — a lição é clara: compre bebidas apenas de fornecedores confiáveis. Se o preço estiver muito abaixo da média, desconfie. Além disso:
Imagem: Brenda Rocha Blossom
- Verifique selos de origem e lacres intactos.
- Evite bebidas artesanais sem procedência.
- Fique atento a odores estranhos; o metanol pode ser levemente adocicado.
- Mantenha bebidas fora do alcance de crianças, que são mais vulneráveis.
- Se houver suspeita de contaminação, procure atendimento médico imediato e informe sobre a possível ingestão de metanol.
Próximos passos da Anvisa
A agência promete divulgar um painel público com dados em tempo real de produção e distribuição do etanol farmacêutico, aumentando a transparência e permitindo que estados identifiquem rapidamente eventuais faltas. Nos bastidores, a discussão sobre liberar a fabricação local de fomepizol continua, mas exigirá investimentos em P&D e validação regulatória.
O bottom line: a resolução não elimina o risco de intoxicação, mas fecha uma lacuna crítica no sistema de saúde. Para o consumidor, informação e consumo responsável seguem sendo a primeira linha de defesa.
Com informações de Olhar Digital