Na virada de segunda (3) para terça-feira (4), moradores de Patos de Minas viveram um instante que só quem permanece atento ao céu conhece: um bólido verde brilhante rasgou a atmosfera pouco depois da meia-noite, transformando a escuridão em palco para um espetáculo esmeralda. O fenômeno, registrado por câmeras do Observatório IDS Meteor, ofuscou até a Lua quase cheia — feito raro até para eventos do tipo bola de fogo.
Por que esse meteoro foi tão chamativo?
Segundo a American Meteor Society (AMS), meteoro é classificado como bola de fogo quando seu brilho se equipara ou supera o planeta Vênus (magnitude –4). Se há explosão luminosa e possível estrondo, o termo técnico sobe de nível para bólido. Foi exatamente o caso em Minas Gerais: a queima turbulenta do meteoroide, potencialmente rico em magnésio, gerou o tom verde intenso que tomou as redes sociais.
Relação com a chuva de meteoros Táuridas do Sul
O clarão não foi um visitante aleatório. Astrônomos associam o evento ao pico da chuva Táuridas do Sul, gerada por detritos do cometa periódico 2P/Encke. Diferente de enxames populares como as Perseidas, as Táuridas entregam poucos rastros por hora, mas seus fragmentos são maiores — perfeita receita para bolas de fogo coloridas.
O calendário 2025 da Organização Internacional de Meteoros (IMO) previa justamente o auge na noite de 3 de novembro. Telescópios e câmeras de monitoramento no Rio Grande do Sul também captaram bolas de fogo, confirmando que o enxame estava “ligado no turbo”.
É perigoso? Preciso me preocupar?
Calma: 99,9% desses corpos se desintegram antes de tocar o solo. Em raríssimos casos, sobram fragmentos — os famosos meteoritos — que normalmente não passam de algumas centenas de gramas. Para quem ficou assustado com o flash, a explicação é simples: o atrito extremo já vaporiza quase todo o material a dezenas de quilômetros de altitude.
Como registrar o seu próprio meteoro (e qual equipamento ajuda)
Se o brilho verde despertou o cinegrafista interno em você, vale investir em um kit de astrofotografia básico, composto por:
- Câmera mirrorless com ISO alto (ex.: Sony α6400 ou Canon EOS R50);
- Lente grande-angular luminosa (f/1.8 ou inferior) para capturar o máximo do céu;
- Tripé robusto de alumínio — vibrações anuladas, fotos nítidas;
- Intervalômetro ou módulos de disparo contínuo, ideal para time-lapse de longas madrugadas;
- Para quem prefere praticidade, action cams 4K com modo noturno (GoPro HERO12, Insta360 Ace Pro) também surpreendem.
Todos esses itens contam com ofertas frequentes na Amazon Brasil e ainda podem ser combinados com softwares gratuitos como StarStaX ou Sequator para empilhar frames — técnica que amplifica rastros fracos e realça os meteoros mais tímidos.
Imagem: Ankush Magotra
Dicas rápidas de captura
1. Busque céus escuros: aplicativos como Light Pollution Map revelam áreas com menor poluição luminosa.
2. Programe exposições de 10 a 20 s: garante estrelas fixas e aumenta a chance de flagrar bolas de fogo.
3. Use ISO entre 1600 e 3200: equilibra sensibilidade e ruído.
4. Monte um carregador portátil de alta capacidade: madrugadas geladas drenam baterias — power banks de 20.000 mAh são o mínimo recomendado.
O que esperar das Táuridas nos próximos dias?
A fase de maior atividade dura cerca de uma semana. Se a sua agenda permitir, reserve um fim de noite ou início da madrugada até meados do dia 10 para aumentar as chances de ver outro clarão esverdeado. E lembre-se: olhe aproximadamente 45° acima do horizonte leste, região onde a constelação de Touro nasce nesta época do ano.
Na dúvida, configure o celular — mesmo modelos intermediários como o Galaxy A54 ou o iPhone 13 — em vídeo 4K com exposição automática. Pode ser o suficiente para capturar o próximo bólido e, de quebra, criar conteúdo de tirar o fôlego para redes sociais ou canais no YouTube.
Independentemente do equipamento, ter paciência e olhos treinados ainda é metade da missão. A outra metade é separar aquela caneca térmica, vestir um casaco resistente e aproveitar cada instante do cinema cósmico gratuito que a chuva de meteoros Táuridas oferece a quem ousa perder algumas horas de sono.
Com informações de Olhar Digital