Boa notícia para quem depende do 4G — e, em breve, do 5G fora dos grandes centros. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recebeu nesta semana a autorização definitiva da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para homologar e assinar as outorgas do novo leilão da faixa de 700 MHz, realizado no início de abril. A decisão encerra a disputa judicial puxada pela Associação Nacional das Operadoras Celulares (Acel), que reúne Claro, TIM e Vivo, e destrava o cronograma de expansão de cobertura em estradas, cidades pequenas e zonas rurais.
Por que a faixa de 700 MHz é tão estratégica?
O espectro de 700 MHz possui alcance maior e melhor penetração em paredes, o que significa sinal mais estável dentro de casa, do escritório ou até mesmo na fazenda. Para quem joga no smartphone, faz lives no Instagram ou simplesmente quer curtir o Amazon Prime Video sem travar, a liberação dessa frequência reduz latência e aumenta a velocidade média do 4G em celulares de entrada e intermediários, que já vêm de fábrica compatíveis com a banda 28.
Além disso, o 700 MHz serve de “base” de cobertura para o 5G DSS — tecnologia que compartilha frequências do 4G para entregar uma experiência de quinta geração onde ainda não há 3,5 GHz ativo. Em outras palavras, esta decisão judicial acelera também a popularização do 5G fora das capitais.
Quem ganhou o quê no leilão
No martelo batido em 4 de abril, duas empresas se destacaram:
- Unifique: ampliou portfólio em Santa Catarina e outros estados ao arrematar blocos regionais.
- Consórcio Amazônia 5G: formado por provedores do Norte, levou licenças focadas em áreas carentes de conectividade.
Ambas ficaram no centro da polêmica porque a Acel argumentou que o edital de 2021, no item 7.1, proíbe a transferência de outorgas de 3,5 GHz antes do cumprimento integral das obrigações de cobertura. A Unifique pretende receber frequências da Ligga (PR) e o Consórcio Amazônia 5G, da Sercomtel (SP e Norte). Para o juiz, porém, impedir a assinatura dos contratos agora apenas atrasaria o sinal em localidades que mais precisam.
O que muda para você — consumidor, gamer ou criador de conteúdo
1. Mais bars no display: com 700 MHz ativo, a chance de ficar no 3G em viagens cai drasticamente, o que significa menos pings altos em partidas de Free Fire e Fortnite Mobile.
2. Velocidade extra para casa de campo ou praia: roteadores 4G/5G que aceitam banda 28 podem virar uma alternativa real à internet fixa em regiões afastadas.
Imagem: Vitor Pádua
3. Internet das Coisas: sensores agrícolas, rastreadores de frota e câmeras de segurança LTE ganham campo, porque o sinal percorre longas distâncias com baixo consumo de bateria.
Calendário: quando a nova cobertura chega
Os compromissos de implantação começam a vencer ainda em 2024 e se estendem até dezembro de 2029. Com a homologação em mãos, as operadoras e os provedores regionais podem ligar as primeiras torres já no segundo semestre, priorizando rodovias federais e municípios com menos de 30 mil habitantes.
Vale trocar de smartphone ou roteador agora?
Se o seu aparelho já suporta banda 28 (a maioria dos modelos lançados desde 2018, incluindo linhas Galaxy A, iPhone a partir do 6s e vários Xiaomi), você está pronto. Caso contrário, pensar em um upgrade para um smartphone 4G+/5G compatível ou até um roteador 4G com agregação de bandas pode ser um investimento inteligente para aproveitar o novo sinal — produtos facilmente encontrados na Amazon com preços em queda devido à concorrência.
No fim das contas, a liberação da Justiça não é apenas um capítulo burocrático: ela abre caminho para que mais brasileiros tenham internet móvel decente, fundamental para trabalho remoto, estudo EAD e, claro, para seus jogos online e streaming de vídeo favoritos.
Com informações de Tecnoblog