A OpenAI surpreendeu o mercado de tecnologia nesta terça-feira (24) ao confirmar o encerramento do Sora, aplicativo que transformava texto em vídeo realista em poucos segundos. Sem explicações detalhadas, a empresa avisou que o app, sua API e o site Sora.com serão retirados do ar em breve. Usuários, estúdios e criadores independentes agora correm para salvar seus projetos antes que os servidores sejam desligados.
Do topo da App Store ao desligamento em seis meses
Lançado publicamente em dezembro de 2024 e impulsionado pela versão 2 em setembro de 2025, o Sora atingiu 1 milhão de downloads em cinco dias e chegou a liderar a categoria Foto & Vídeo da App Store. O ápice veio em novembro de 2025, com 3,3 milhões de instalações somadas entre iOS e Android, segundo a Appfigures. Porém, o número desabou 66 % até fevereiro de 2026, caindo para 1,1 milhão de downloads mensais.
Em termos de receita, o aplicativo faturou apenas US$ 2,1 milhões em micro-transações que liberavam créditos extras de renderização — irrisório diante do investimento em infraestrutura.
O buraco de US$ 15 milhões por dia
Relatório da Forbes estimou que a OpenAI consumia até US$ 15 milhões diários para manter o Sora online, algo próximo de US$ 5 bilhões por ano. O próprio Bill Peebles, chefe do projeto, admitiu em outubro que o modelo de negócios era “completamente insustentável”. Para contextualizar, todo o ChatGPT — carro-chefe da OpenAI — sustenta 900 milhões de usuários ativos semanais com custos computacionais menores por cabeça, graças ao foco em texto.
A conta não fecha por um motivo simples: vídeo em IA exige clusters de GPUs de ponta, caso das Nvidia H100/H200, que podem custar mais de US$ 40 mil cada. Só para rodar o Sora em tempo real, analistas calculam necessidade de dezenas de milhares dessas placas, além de refrigeração líquida, redes InfiniBand e energia elétrica capaz de alimentar uma pequena cidade.
IPO à vista: finanças no microscópio
O timing do cancelamento não é coincidência. A OpenAI prepara um IPO possivelmente para 2026, depois de levantar US$ 110 bilhões e alcançar avaliação de mercado de US$ 730 bilhões. Quando uma empresa abre capital, cada linha de despesa vira alvo de investidores — e um produto que queima bilhões para gerar apenas alguns milhões em receita prejudica a narrativa de rentabilidade.
Disney, deepfakes e dor de cabeça jurídica
Além do custo, o Sora acumulou polêmicas. Deepfakes de figuras públicas como Martin Luther King Jr. e Robin Williams correram soltos, apesar das diretrizes que proibiam tal conteúdo. A Disney chegou a anunciar, em dezembro de 2025, um acordo de US$ 1 bilhão para licenciar mais de 200 personagens (Marvel, Pixar, Star Wars), mas nenhuma parcela foi paga. A empresa de entretenimento soube do fim do app apenas 30 minutos após a última reunião técnica — um verdadeiro rug pull, nas palavras de um executivo.
O que acontece com a tecnologia de vídeo da OpenAI agora?
Trechos de código no aplicativo Android do ChatGPT indicam que os recursos de vídeo devem migrar para dentro da experiência principal — movimento parecido com o que o Google fez ao fundir ferramentas independentes ao Gemini. A consolidação favorece clientes corporativos, segmento em que márgenes são mais previsíveis e onde a OpenAI disputa espaço com Anthropic, Google e a recém-fundada xAI, de Elon Musk.
Imagem: Internet
Impacto para criadores de conteúdo e profissionais de marketing
Se você usava o Sora para prototipar anúncios, trailers ou explicações animadas, é hora de buscar alternativas. Entre as opções mais citadas estão:
- Runway Gen-2: geração de vídeo curta com foco em publicidade.
- Pika Labs: forte em cenas estilo cinema, já integrada a fluxos de pós-produção.
- Luma AI: bom equilíbrio entre custo por quadro e qualidade 3D.
Embora nenhuma ofereça exatamente o mesmo realismo do Sora, todas consomem menos créditos e têm planos mensais mais acessíveis. Para quem pretende montar uma estação local de IA, GPUs como a Nvidia RTX 4090 (que você encontra em promoções na Amazon) entregam mais de 250 TFLOPs de FP16 — potência suficiente para treinar modelos menores de difusão e gerar storyboards em minutos.
Uma lição para o mercado de hardware
O cancelamento do Sora comprova que escalabilidade não se resume a desempenho bruto. Data centers de IA exigem placas de vídeo topo de linha, mas também linhas de crédito igualmente robustas. Para fabricantes de GPUs, a mensagem é clara: eficiência energética e custos operacionais importam tanto quanto ter o maior número de núcleos CUDA. Essa equação deve pautar lançamentos futuros como as séries Nvidia “Blackwell” e AMD Instinct MI300X — já cotadas para equipar serviços de IA mais sustentáveis.
No fim das contas, o Sora sai de cena como um caso de estudo: a velocidade com que o hype pode se transformar em prejuízo bilionário quando a infraestrutura não acompanha o modelo de negócios. Se a OpenAI aprenderá e conseguirá monetizar a próxima onda — robótica e multimodalidade — veremos no prospecto do seu IPO.
Com informações de Mundo Conectado