A Apple está prestes a ganhar um novo aliado de peso na produção dos seus processadores da família Apple Silicon. Segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, a companhia de Cupertino fechou um acordo preliminar para que a Intel assuma parte da fabricação (foundry) dos futuros chips utilizados em Macs, iPads e, quem sabe, até em acessórios como o Apple Vision Pro. Nem Apple nem Intel comentaram oficialmente, mas o movimento pode mexer com todo o mercado de semicondutores — e, claro, com o bolso de quem pretende comprar um novo computador ou tablet nos próximos meses.
Por que a Apple precisa de outra fábrica além da TSMC?
Hoje, quase todos os processadores da série M e A (linha de iPhones) saem das linhas ultramodernas de 3 nm da TSMC em Taiwan. O problema é que a mesma TSMC precisa dividir suas máquinas EUV entre a Apple, Nvidia, AMD e todo o boom de chips para inteligência artificial. Resultado: filas de espera que já afetam o Mac Mini, Mac Studio e até alguns lotes de iPhone 15 Pro.
A Intel, por outro lado, vem investindo pesado na sua divisão Intel Foundry Services (IFS) para competir em nós de 18A (aprox. 1,8 nm) e 20A já em 2025. Se a parceria avançar, a Apple poderia:
- Reduzir a dependência da Ásia em plena tensão geopolítica;
- Aproveitar incentivos do governo dos EUA, que se tornou acionista (9,9%) da Intel após converter US$ 8,87 bilhões em subsídios;
- Acelerar a entrega de modelos de entrada — pense nos futuros M3 ou M4 “base” para MacBook Air e iPad Pro.
O que muda para você que joga, trabalha ou cria conteúdo?
Para o consumidor final, o impacto se resume a duas palavras: estoque e preço. Mais espaço de produção pode significar:
- Menos atrasos na reposição de Mac Mini, MacBook Air e Macs Studio no varejo;
- Pressão menor nos preços, já que a Apple tende a evitar custos extras com frete aéreo de última hora e “lotes VIP” da TSMC;
- Concorrência mais acirrada: Qualcomm, AMD e Nvidia podem ter de negociar slots alternativos, o que, no longo prazo, acelera a evolução dos componentes que você encontra em placas-mãe, GPUs externas e até nos notebooks gamer vendidos na Amazon.
Como ficaria a divisão de tarefas entre Apple e Intel?
O projeto segue o modelo já praticado com a TSMC. A Apple mantém o design dos chips (CPU, GPU Neural Engine e toda a “receita secreta” de eficiência), enquanto a Intel entra com:
- Litografia avançada em novos nós (20A/18A);
- Embalagem 3D Foveros, que permite empilhar memória e lógica em um mesmo pacote;
- Capacidade de produção em solo norte-americano, algo que agrada a Washington e reduz riscos de logística.
Na prática, nada muda para o usuário final em performance ou compatibilidade de software — o que interessa é que seu próximo Mac Mini pode chegar mais cedo (e talvez mais barato).
Gerações atuais x futuras: onde o acordo deve surtir efeito primeiro?
A aposta dos analistas do MacRumors é que a Intel fabrique os chips mais “simples” da linha M (ex.: futuros M3 ou M4 sem sufixo “Pro” ou “Max”). Já os processadores topo de linha, com mais núcleos de GPU e cache, provavelmente continuarão na TSMC até que a Intel prove, em larga escala, que consegue bater o rendimento (yield) da concorrente taiwanesa.
Imagem: Internet
Para quem monitora as fichas técnicas antes de comprar, vale ficar de olho nas seguintes datas:
- 2º semestre de 2024: MacBook Air e Mac Mini podem receber o M3 (3 nm/TMSC);
- 2025: Primeiros chips Apple Silicon saindo das fábricas da Intel, possivelmente em desktops de entrada ou iPad Pro;
- 2026 em diante: Nós 18A/1,8 nm podem estrear recursos de IA embarcada ainda mais potentes que o Neural Engine atual, competindo diretamente com Snapdragon X Elite e Ryzen AI.
O olhar dos investidores: política e subsídios entram em jogo
O governo dos EUA, que já garantiu quase 10 % de participação sem direito a voto na Intel, pressiona para que gigantes americanas priorizem a produção doméstica. Relatos apontam que o secretário de Comércio, Howard Lutnick, manteve reuniões frequentes com Tim Cook para viabilizar o acordo. Menos importação, mais empregos — e, claro, pontos na agenda política de Washington.
Em resumo: boas notícias para quem pensa em trocar de hardware
Se o pacto Apple + Intel sair do papel, veremos cadeias de suprimentos mais fluidas e prateleiras melhor abastecidas. Para o entusiasta, isso significa oferta maior de Macs, iPads e, indiretamente, de peças PC que usam a mesma capacidade fabril. Fique de olho: a próxima geração de processadores pode chegar antes do que se imaginava — e você vai querer comparar preços assim que aparecerem nos distribuidores oficiais e, claro, nas vitrines da Amazon.
Com informações de Tecnoblog