O WhatsApp começou a exibir, nesta semana, um aviso que pegou muita gente de surpresa: os avatares personalizados, lançados com pompa em 2022, estão sendo removidos gradualmente do aplicativo no Android e no iOS. Se você criou aquele bonequinho estilizado para ilustrar seu perfil ou encher os grupos de figurinhas, é melhor fazer uma última selfie virtual — a função está com os dias contados.
O que já desapareceu
De acordo com o WABetaInfo, referência em furos sobre o mensageiro, os primeiros sinais do fim já são visíveis:
- Pontos de acesso à criação e edição de avatar sumirem do menu de Configurações.
- O atalho no teclado, usado para enviar stickers do avatar, já não aparece para alguns usuários.
- A opção de usar o boneco como foto de perfil deixou de ser exibida em contas selecionadas.
O processo é gradual, então você pode ainda ver o recurso ativo; porém, o pop-up de despedida deixa claro que, em breve, não haverá como criar ou modificar avatares.
Suas figurinhas vão sumir? Calma, não tão rápido
Quem já enviou stickers de avatar não precisa entrar em pânico. Segundo o WhatsApp, as imagens já compartilhadas continuam acessíveis no histórico dos chats. Os stickers salvos como favoritos também permanecem ali para uso rápido. O que desaparece, de fato, é o backstage: a ferramenta de criação, o estúdio de edição e qualquer atalho oficial para o recurso.
Por que a Meta desistiu dos avatares?
A empresa não publicou uma nota oficial, mas fontes internas citadas pelo WABetaInfo apontam o motivo principal: baixa adoção. Mesmo após atualizações de visual e movimentação, apenas uma fração ínfima da base global de usuários aproveitava a função de forma consistente. Manter e evoluir um recurso que poucos utilizam não faz sentido de negócio, especialmente em um app que preza por simplicidade.
Outro fator pesa nessa equação: a Meta vem reavaliando todo o seu portfólio relacionado ao metaverso. A Reality Labs, divisão responsável por VR/AR, registrou prejuízos em série e já mudou o foco para inteligência artificial em dispositivos vestíveis, como os novos óculos inteligentes Ray-Ban Meta (vendidos oficialmente no Brasil via Amazon). Em outras palavras, os esforços agora estão concentrados em hardware que possa gerar receita — e não em funções cosméticas de aplicativos móveis.
Comparativo rápido: WhatsApp x concorrência
Enquanto o WhatsApp encerra a brincadeira, outras plataformas ainda apostam em avatares:
- Apple Memoji: integrado ao iMessage e ao iPhone, tem bom engajamento, mas vive dentro do ecossistema Apple.
- Samsung AR Emoji: similar, porém restrito a modelos Galaxy compatíveis.
- Snapchat Bitmoji: sucesso entre o público jovem, mas longe do mainstream no Brasil.
O recuo do WhatsApp indica que, sem um contexto mais amplo de realidade aumentada ou jogos — como acontece nos headsets Meta Quest ou nos filtros do Snapchat —, o avatar 2D perde relevância rapidamente.
Imagem: reprodução
Impacto prático: o que muda no seu dia a dia
Para a imensa maioria dos usuários, nada muda. O aplicativo continua leve, funcional e seguro. Quem gostava do avatar tem duas opções:
- Salvar as figurinhas mais usadas, garantindo acesso rápido antes que o atalho suma de vez.
- Substituir a foto de perfil caso ela ainda seja o boneco virtual.
Do ponto de vista de privacidade, não há coleta adicional de dados — a Meta apenas deixará de armazenar e sincronizar as características do avatar.
O futuro segundo a Meta: IA nos seus óculos (e talvez nos seus jogos)
A remoção reforça uma tendência: a companhia quer investir em experiências de IA embarcada em hardware. O recém-lançado Ray-Ban Meta, por exemplo, traz comandos por voz integrados ao WhatsApp e pode receber, em breve, um assistente capaz de responder perguntas sobre o mundo ao redor. Os headsets Quest 3, também listados na Amazon, ganham atualizações que aplicam IA generativa para criar ambientes virtuais.
Para quem acompanha o mercado de PC e acessórios gamers, a movimentação da Meta ecoa no ecossistema de hardware: GPUs mais potentes, teclados com menor latência e mouses com sensores de alta precisão são cada vez mais demandados por aplicações imersivas e IA em tempo real. Mesmo que o avatar 2D morra, a necessidade de performance (e dos componentes certos) só aumenta.
Em resumo, o fim dos avatares no WhatsApp é mais um sintoma de que a Meta está realocando recursos para projetos com potencial de receita — e, indiretamente, reforça a corrida da indústria por hardware capaz de suportar aplicações de IA e realidade mista.
Com informações de Tecnoblog