A Samsung acaba de mexer no tabuleiro global de Smart TVs. Depois de duas décadas na liderança isolada do mercado, a companhia sul-coreana nomeou Won-Jin Lee — ex-chefe de marketing global — como novo presidente da unidade Visual Display, que reúne TVs, monitores e soundbars. O movimento, anunciado nesta segunda-feira (4), acontece num momento em que a gigante vê a chinesa TCL encolher a distância em volume de vendas e até firmar uma joint venture com a Sony para brigar no segmento premium.
Por que a mudança importa?
A troca de comando é mais do que rotineira. Ao colocar um especialista em software e anúncios no lugar de um veterano de hardware, a Samsung sinaliza que o próximo campo de batalha não será o painel em si, mas a experiência e os serviços que rodam sobre ele. Para quem está de olho em uma nova TV 4K ou 8K, isso se traduz em:
- Mais integrações de conteúdo gratuito via Samsung TV Plus, rivalizando com apps como Pluto TV e LG Channels;
- Soluções de publicidade menos invasivas — a empresa promete equilibrar anúncios com recomendações personalizadas de filmes, séries e, claro, jogos;
- Atualizações de software mais frequentes, aproveitando inteligência artificial para upscaling e calibração automática de imagem em tempo real.
O tamanho da pressão da TCL
Em novembro de 2025, a Samsung detinha 17 % das remessas globais de Smart TVs, apenas um ponto percentual à frente da TCL, segundo a Counterpoint Research. Em receita, a sul-coreana ainda nada de braçada — 29,1 % de participação, chegando a 54,3 % no segmento acima dos US$ 2.500. Mas a joint venture TCL-Sony, que entra em vigor em abril de 2027, ameaça justamente essa faixa premium onde ficam modelos QD-OLED de 65″ e 77″, tão cobiçados por cinéfilos e gamers.
Para efeito de comparação, a TCL C845 Mini LED já entrega pico de brilho acima de 2.000 nits por um valor bem menor que o de uma Samsung Neo QLED QN90C, vendida hoje na Amazon. Se a marca chinesa aproveitar o know-how de processamento de imagem da Sony (Motionflow, Triluminos Pro etc.), a diferença de preço pode pesar ainda mais para o consumidor em 2026.
Quem é Won-Jin Lee?
Contratado em 2014 após fundar o escritório do Google em Seul, Lee foi o arquiteto do Samsung TV Plus, disponível hoje em mais de 20 países. Sua missão será gerar novas fontes de receita em serviços sem sacrificar margens de hardware. Isso inclui:
- Expansão de pacotes de assinatura (esportes ao vivo e canais FAST);
- Marketplace de games em nuvem, aproveitando o boom de controles Bluetooth e mouses sem fio otimizados para Android TV;
- Parcerias com estúdios de Hollywood para entregas exclusivas em 8K — ponto-chave para justificar os modelos Neo QLED topos de linha.
O que esperar dos próximos lançamentos
A próxima conferência da marca na CES 2027 deve revelar as primeiras TVs sob a batuta de Lee. Rumores apontam para:
Imagem: Internet
- Processador Neural Quantum 3.0 com IA dedicada a reduzir artefatos em streaming e input lag em consoles como PS6 e Xbox Series Z;
- Integração nativa com assistentes domésticos em forma de robôs, projeto que ficará sob supervisão do ex-presidente Seok-Woo Yong, agora conselheiro de IA e robótica;
- Versões Mini LED mais acessíveis, mirando diretamente nas linhas C e QM8 da TCL/Hisense.
Como isso impacta sua próxima compra?
Se você pretende investir em uma TV entre a Black Friday de 2026 e o começo de 2027, vale observar três indicadores nos relatórios trimestrais da Samsung:
- Receita de serviços: quanto maior a fatia de software, maior a chance de vermos bundles de streaming grátis ou descontos em hardwares complementares (soundbars, câmeras para videochamadas, controles de jogos Bluetooth, etc.).
- Market share no segmento premium: se a TCL-Sony ganhar espaço, a Samsung pode reagir com promoções agressivas nos modelos Neo QLED e QD-OLED, algo que historicamente não acontecia.
- Integração TV + IA + robótica: uma TV que converse com aspiradores e braços robóticos (Ballie, por exemplo) pode virar o novo centro de comando da casa conectada — útil para quem já investe em lâmpadas inteligentes ou placas-mãe compatíveis com SmartThings.
No curto prazo, porém, a experiência do usuário deve melhorar principalmente em software. Quem prioriza qualidade de imagem ainda encontra nos painéis QD-OLED da Samsung o melhor pico de brilho e cobertura de cores DCI-P3 do mercado. Já quem busca custo-benefício deve ficar atento às TCL Mini LED de próxima geração que prometem chegar ao Brasil com preços até 30 % menores.
A batalha está só começando, e a cadeira de Lee será avaliada já no resultado do segundo trimestre de 2026. Se os serviços de TV Plus decolarem e a margem do hardware se manter, a Samsung pode garantir o 21º ano no topo. Caso contrário, 2027 pode ser o ano em que veremos pela primeira vez um rival chinês-japonês assumir a liderança em volume — e você, consumidor, terá mais opções competitivas no carrinho da Amazon.
Com informações de Mundo Conectado