Em 1º de abril de 1976, dois Steves e uma garagem em Los Altos iniciaram uma revolução que transformaria a maneira como trabalhamos, ouvimos música, falamos ao telefone — e, em breve, como lidamos com inteligência artificial. Meio século depois, a Apple vale mais de US$ 3 trilhões, já vendeu mais de 3 bilhões de iPhones e se prepara para o maior salto tecnológico desde o smartphone: a era da Apple Intelligence. Entenda como essa trajetória de altos, baixos e inovação constante moldou o mercado de hardware de consumo e o que esperar dos próximos 50 anos.
O ponto de partida: Apple II, o PC que pagou as contas por 15 anos
Lançado em 1977, o Apple II foi a primeira máquina “tire da caixa e use” para o consumidor comum — algo que concorrentes da época, como o TRS-80 da Tandy, não conseguiam oferecer sem longas linhas de comando. O design integrado, o teclado embutido e a possibilidade de expandir a memória com facilidade fizeram do Apple II a galinha dos ovos de ouro da empresa até o início dos anos 1990.
Os tropeços que quase encerraram a história
Nem tudo foi sucesso na primeira década. O Apple III (1980) superaqueceu tanto que muitas unidades falhavam antes de sair da loja, e o Apple Lisa (1983) custava US$ 10 mil — o preço de um carro compacto da época. Enquanto a IBM popularizava o PC, a Apple lutava para encontrar um novo hit.
Macintosh 1984: clique, arraste, mude o mundo
O resgate veio com o primeiro Macintosh, que trouxe interface gráfica, ícones e mouse para as massas. O mesmo conceito de usabilidade que hoje consideramos óbvio — janelas, lixeira, arrastar arquivos — nasceu dessa máquina. Se você joga no PC com apenas um clique ou organiza projetos de vídeo sem códigos de linha de comando, agradeça à inspiração que Jobs teve ao visitar o laboratório Xerox PARC.
Anos 1990: Jobs sai, a Apple desanda e quase quebra
Após desentendimentos com o então CEO John Sculley, Steve Jobs deixou a empresa em 1985. Seguiram-se produtos que viraram meme antes da era dos memes, como o Newton MessagePad e o console Pippin. Em 1996, as reservas de caixa cairam a ponto de analistas preverem apenas 90 dias de sobrevida.
O retorno do filho pródigo e a aliança improvável com a Microsoft
Em 1997, a Apple compra a NeXT por US$ 429 milhões, traz Jobs de volta e, de quebra, adota o sistema que viraria o macOS. No mesmo ano, aceita um investimento de US$ 150 milhões da rival Microsoft — dinheiro que garantia a produção de novos Macs enquanto o Windows continuava dominando. Era o empurrão que faltava para a guinada.
Ive + Jobs: transformar chips em objetos de desejo
Com o designer Jony Ive, Jobs inaugura a estética minimalista que virou referência em toda a indústria:
- iMac G3 (1998) – cores translúcidas e conexão USB, aposentando as torres bege;
- iPod (2001) – 1 mil faixa de música no bolso, algo impossível para os MP3 players rivais;
- iPhone (2007) – adeus teclados físicos, olá telas multi-toque de vidro e metal.
A fórmula deu tão certo que, em 2025, a Apple cruzou a marca de 3 bilhões de iPhones vendidos e mantém cerca de 1 bilhão de usuários ativos — um ecossistema que explica o sucesso de acessórios como AirPods e Apple Watch.
Imagem: Internet
A era Tim Cook: logística impecável, serviços recorrentes e US$ 3 trilhões
Desde 2011, Tim Cook elevou a eficiência da cadeia de suprimentos a um nível que nenhum concorrente igualou. Enquanto os AirPods dominam metade do mercado global de fones TWS, serviços como iCloud, Apple Music e a App Store geram receita constante, independentemente de o usuário trocar de iPhone todo ano.
Próxima parada: Apple Intelligence e a corrida da IA generativa
Com generative AI virando palavra-de-ordem entre Microsoft, Google, OpenAI e NVIDIA, o maior desafio da Apple para 2026 é provar que consegue surpreender de novo. Rumores indicam que os próximos chips da família M-series terão NPUs dedicadas, prometendo acelerar tarefas de IA local, algo que gamers de PC já começam a ver em GPUs RTX com Tensor Cores. O objetivo? Processar linguagem natural, criação de imagens e automação de fluxos sem depender 100 % da nuvem — preservando privacidade, uma bandeira da marca.
Se a Apple entregar um assistente que entenda contexto no nível de ChatGPT sem drenar bateria ou dados móveis, poderá repetir o salto de 2007. Caso contrário, corre o risco de assistir à próxima revolução acontecer fora do seu jardim murado.
Neste aniversário de 50 anos, a Maçã se encontra no mesmo ponto em que estava antes do iPhone: pressionada a inovar de forma que mude novamente o dia a dia do usuário comum. Quem acompanha tecnologia — e planeja a próxima atualização de hardware — deve ficar atento: as escolhas da Apple em IA definirão não apenas seus futuros dispositivos, mas os padrões de todo o setor.
Com informações de Mundo Conectado