O Japão quer voltar a ditar as regras do jogo nos semicondutores – e já tem data para isso. A Fujitsu anunciou uma parceria com a Rapidus para desenvolver o primeiro chip neural (TPU) em litografia de 1,4 nm totalmente fabricado em território nipônico. A produção piloto está prevista para 2029, mirando empresas de nuvem, universidades e centros de pesquisa que precisam de poder de IA na escala de exaflops. Em outras palavras: se você acha as GPUs NVIDIA H100 ou as novas MI300 da AMD impressionantes, prepare-se para um salto geracional com menos de metade da espessura de um átomo de silício disponível hoje nos produtos de varejo.
Por que 1,4 nm é tão importante – e raro
Para efeitos de comparação, os processadores de consumo mais avançados em 2024 (como Intel Core Ultra e Apple M3) utilizam litografias de 3 nm. Já os aceleradores de IA topo de linha da NVIDIA e AMD estão em 4 nm. Avançar para 1,4 nm significa:
- Maior densidade de transistores: mais unidades lógicas por milímetro quadrado, permitindo modelos de IA mais complexos.
- Eficiência energética elevada: consumo de energia reduzido, crucial para data centers que gastam milhões em eletricidade e refrigeração.
- Desempenho bruto superior: velocidades de clock mais altas e menor latência na comunicação interna do chip.
Fugaku NEXT: o supercomputador que vai abrigar a novidade
O futuro Fugaku NEXT será o “motor de testes” para a nova TPU. Segundo a Fujitsu, o projeto Monaka-X traz:
- Até 144 núcleos por chip com empilhamento 3D (TSV).
- PCIe 6.0 e CXL 3.0 nativos, garantindo até 256 GB/s de banda bidirecional por link.
- Capacidade de atingir exaflops de precisão mista (FP8/INT8), fundamental para LLMs como GPT-4, Gemini e seus sucessores.
Em termos práticos, esse conjunto deve superar a capacidade combinada de clusters baseados em GPUs H100, reduzindo o consumo energético em até 30 %, segundo estimativas preliminares da Fujitsu.
Rapidus: aposta bilionária para reconquistar o topo
Criada com capital do governo japonês e de gigantes como Sony e Toyota, a Rapidus já produziu wafers de 2 nm em parceria com a IBM. A nova fase, rumo aos 1,4 nm, coloca a empresa frente a frente com a TSMC, Samsung e Intel Foundry Services. Outros players, como Canon, devem contribuir com novas técnicas de litografia para evitar sanções ou gargalos na cadeia de EUV (Extreme Ultraviolet Lithography).
Impacto para gamers, criadores de conteúdo e entusiastas de hardware
Embora esses chips de 1,4 nm estejam focados em servidores, a tecnologia tende a vazar para produtos de consumo dentro de alguns anos. Isso significa:
- GPUs mais potentes e frias, possibilitando ray tracing em 8K sem comprometer o FPS.
- Processadores desktop e notebooks ultrafinos com autonomia de bateria inédita.
- Periféricos inteligentes, como mouses e teclados gamer, capazes de rodar modelos de IA localmente para ajustar DPI ou macros em tempo real.
Para quem já pesquisa peças na Amazon em busca do melhor bang for the buck, vale acompanhar: a próxima grande evolução de performance pode vir do outro lado do Pacífico, e não apenas de Taiwan ou dos EUA.
Desafios no caminho
Chegar a 1,4 nm não é trivial. Os custos de P&D e de produção podem ultrapassar US$ 20 bilhões. Além disso, existe a disputa geopolítica por equipamentos de litografia avançada, dominados por empresas europeias como a ASML. Se o Japão conseguir contornar esses obstáculos, poderá abrir uma janela de oportunidade para reconquistar a relevância perdida desde os anos 1990, quando marcas como NEC e Toshiba ainda figuravam entre as maiores fabricantes de chips do planeta.
Mesmo que 2029 pareça distante, a corrida já começou. E quanto mais cedo a Fujitsu e a Rapidus estabilizarem seus processos, mais rápido veremos notebooks ultraleves, placas de vídeo e até headsets de realidade mista tirando proveito dessa miniaturização extrema.
No fim das contas, o anúncio é um lembrete de que a próxima revolução em IA e jogos pode vir estampada com o selo “Made in Japan”. Fique de olho: seu próximo upgrade de PC pode carregar um pedacinho dessa engenharia de 1,4 nm.
Com informações de Hardware.com.br