A corrida mundial por infraestrutura de inteligência artificial acaba de coroar um novo campeão de faturamento. A Samsung Electronics fechou o primeiro trimestre de 2026 com 57,2 trilhões de won em lucro operacional – cerca de US$ 43 bilhões – um salto de quase 700% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total atingiu 133 trilhões de won (aprox. US$ 100 bi), superando sozinha todo o lucro acumulado pela companhia ao longo de 2025.
HBM no centro do furacão financeiro
O grande motor desse desempenho é a divisão de semicondutores. Mais precisamente, os chips de memória HBM (High Bandwidth Memory), peça-chave nos aceleradores de IA de gigantes como NVIDIA, AMD e, cada vez mais, de startups focadas em aprendizagem de máquina.
Com a oferta global apertada e a procura explodindo, analistas estimam que os contratos de fornecimento de HBM ficaram até 100% mais caros em um ano. Resultado: o segmento respondeu por 95% de todo o lucro da Samsung no trimestre.
HBM x DDR5 x GDDR7: entenda a diferença
Se você está de olho em um novo kit de memória ou naquela GPU topo de linha que chegará à Amazon nos próximos meses, vale entender por que a HBM virou ouro:
- HBM 3E (até 1,2 TB/s por empilhamento): usada em placas como NVIDIA H200 e AMD Instinct MI300. Mais banda, menos consumo, mas custo altíssimo.
- DDR5: padrão atual para PCs gamer e workstations. Entrega velocidade de até 8,8 GB/s por módulo, bem abaixo da HBM, porém muito mais barata.
- GDDR7: próxima geração para GPUs de consumo. Promete 32 Gbps por pino, sendo o “meio-termo” entre preço e largura de banda.
Na prática, quanto maior a adoção de HBM em data centers, maior a pressão nas fábricas de memória em geral — e isso costuma repercutir no preço de prateleira dos SSDs, módulos DDR5 e até nos kits de RAM para notebooks.
Fundição reacelera com processo de 2 nm
Além das memórias, a Samsung começa a recuperar terreno na fundição de chips, segmento onde vinha perdendo espaço para a TSMC. A empresa sul-coreana já testa litografia de 2 nanômetros e, segundo fontes de mercado, negocia fornecimento com companhias como a Tesla para futuros chips de direção autônoma.
Divisão mobile: ainda relevante, mas sem brilho
Os smartphones Galaxy, apesar de seguirem fortes em vendas, trouxeram “apenas” 4 trilhões de won de lucro operacional — menos de 5% do total. O contraste mostra como o centro de gravidade da Samsung mudou dos aparelhos de bolso para os data centers de IA.
Imagem: Internet
O que isso significa para quem monta ou faz upgrade de PC?
1. Memória e SSD podem oscilar de preço: mais rentabilidade para HBM tende a direcionar capacidade fabril para o segmento de IA. DDR5 e NAND Flash (SSDs) podem ficar pressionados a curto prazo.
2. Novas placas de vídeo topo de linha: NVIDIA, AMD e Intel dependem do volume de HBM para GPUs profissionais — e isso pode atrasar ou encarecer modelos gamer baseados nas mesmas fábricas.
3. Processadores de 2 nm no horizonte: se a Samsung consolidar clientes na fundição, veremos CPUs e SoCs móveis ainda mais eficientes, possivelmente chegando ao varejo já em 2027, acelerando a queda de preço nos chips atuais.
Perspectiva para o resto de 2026
Analistas projetam novos reajustes de memória já no segundo trimestre, mantendo o ciclo positivo para a Samsung. Para o consumidor final, o recado é claro: se você encontrar um deal atrativo — seja de RAM DDR5, SSD NVMe ou GPU — vale considerar antecipar a compra antes que o mercado absorva completamente o impacto da IA nos estoques.
No fim das contas, a Samsung mostra que, neste momento, quem domina os blocos básicos da inteligência artificial também domina a rentabilidade da indústria de tecnologia. E os entusiastas de hardware precisam manter o radar ligado: mudanças nas linhas de produção lá no topo da cadeia impactam diretamente o valor dos componentes que colocamos dentro do gabinete.
Com informações de Mundo Conectado