A Sony Honda Mobility (SHM) apertou o freio de mão no projeto de seus primeiros veículos elétricos, os modelos Afeela 1 e Afeela 2. Em comunicado oficial, a joint venture informou que o desenvolvimento dos dois carros está suspenso e que “um novo rumo estratégico” será detalhado nos próximos meses.
Por que o Afeela derrapou?
A decisão ocorre em um momento delicado para a Honda. Em 12 de março, a montadora japonesa registrou um prejuízo contábil de até US$ 15,7 bilhões após amortizar boa parte dos investimentos em eletrificação. O cenário ficou ainda mais turbulento nos Estados Unidos, onde a recente reversão de créditos fiscais para EVs e a adoção de tarifas mais altas sobre importações reduziram a viabilidade econômica de novos lançamentos.
Somam-se a isso os constrangimentos da Honda na Fórmula 1 — o motor híbrido desenvolvido para a Aston Martin não entregou o desempenho esperado — e a análise morna da mídia especializada sobre o protótipo apresentado pela Sony na CES 2024.
Visual datado e preço salgado
O Afeela 1, um sedã totalmente elétrico que nasceu como Vision-S em 2018, foi criticado por especialistas por exibir um design considerado “pouco emocionante” e preço estimado acima de rivais diretos, como o Tesla Model 3, o BMW i4 e o recém-chegado BYD Seal. Enquanto esses concorrentes já oferecem autonomia real acima de 500 km, o conceito da Sony não passava de 400 km em ciclo estimado — um número que, na prática, limitaria viagens mais longas.
SUV em silêncio: cadê o Afeela 2?
Apesar de o mercado global mostrar preferência crescente por SUVs, o comunicado da SHM sequer mencionou o Afeela 2, versão utilitário esportivo do projeto. A ausência sugere que o modelo já havia perdido prioridade antes mesmo do anúncio oficial, reforçando a percepção de que o ciclo da marca Afeela chegou ao fim.
O que essa guinada significa para você?
Para o consumidor entusiasta de tecnologia — especialmente quem equipou o setup com os gadgets Sony, como fones WH-1000XM5 ou monitores Inzone para jogos — o cancelamento sinaliza que a fabricante deve voltar a focar nos seus produtos de entretenimento e imagem, segmentos em que mantém liderança e inovação constantes.
Já para quem cogitava um carro elétrico da Sony, a lição é clara: fique de olho nos lançamentos de marcas que avançam a passos largos, como BYD, Hyundai-Kia e Tesla, cujos ecossistemas de software e assistência estão mais consolidados em 2024.
Imagem: Internet
E agora, qual o próximo movimento de Sony e Honda?
Fontes próximas à joint venture indicam que as empresas podem migrar para parcerias modulares de software automotivo e sensores de câmera LiDAR — áreas em que a Sony possui propriedade intelectual sólida. Enquanto isso, a Honda deve concentrar esforços em plataformas elétricas próprias, como o e:Architecture, e em novos acordos de bateria com fornecedores norte-americanos.
Para quem acompanha de perto a evolução do hardware de consumo, vale a pena monitorar como a Sony transfere a expertise de sensores de imagem — utilizados em smartphones como o Xperia 1 V — para futuros sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS). Essa convergência pode abrir oportunidades interessantes no mercado de acessórios automotivos vendidos na Amazon, como câmeras 4K para retrovisor ou módulos de infotainment Android Auto sem fio.
No curto prazo, no entanto, a linha Afeela sai de cena, encerrando um capítulo que prometia revolucionar a indústria, mas que acabou ultrapassado pela velocidade de concorrentes mais agressivos.
Com informações de Mundo Conectado