Se você está adiando aquela compra de memória RAM DDR5 ou daquele SSD de 2 TB esperando “uma promoção melhor”, é melhor ajustar as expectativas. Um novo relatório da Counterpoint Research indica que o alívio nos preços de DRAM e NAND – componentes-chave para RAM e unidades de estado sólido – não deve chegar antes do segundo semestre de 2027. Em outras palavras, teremos ainda pelo menos três anos de valores elevados, em alguns casos recordes historicamente.
O que disparou a alta de até 180% nos últimos meses?
Durante o período do Ano-Novo Chinês, módulos DDR5 para servidores, LPDDR5X para celulares e até os “antigos” SO-DIMM DDR4 para notebooks registraram saltos que variam de 130 % a 180 % em comparação com o trimestre anterior. No mercado NAND, que abastece SSDs e cartões de memória, o acréscimo ficou entre 130 % e 150 % – algo sem precedentes desde 2017.
O número mais chamativo veio dos RDIMM DDR5 de 64 GB para datacenters: alta de 150 % em apenas três meses. Já os populares SO-DIMM DDR4 de 8 GB, comuns em laptops de entrada, sofreram a maior variação proporcional (180 %), derrubando a noção de que “tecnologia madura é sempre mais barata”.
Capacidade de produção não acompanha a demanda
O gargalo principal é estrutural. Somente Samsung Electronics e SK hynix anunciaram investimentos de até KRW 90 trilhões (cerca de US$ 60 bilhões) em novas fábricas. Porém, um complexo de semicondutores demora de dois a quatro anos do anúncio até operar em escala. Até lá, o mercado seguirá apertado.
Segundo o analista Hwang Min-sung, a produção de DRAM dos cinco maiores fabricantes (Samsung, SK hynix, Micron, CXMT e Nanya) deve crescer 26 % em 2024; a de NAND, 24 %. Mesmo assim, o especialista é taxativo: “Não veremos correção de preços antes da segunda metade de 2027.”
HBM: IA leva a melhor fatia do bolo
A febre da inteligência artificial generativa alterou o jogo. Grande parte dos wafers antes destinados à DRAM convencional está sendo redirecionada para a produção de HBM (High Bandwidth Memory), memória empilhada de altíssima velocidade usada em GPUs como a série Nvidia H100/B100. Atualmente, a SK hynix domina cerca de 60 % desse nicho, mas precisará adaptar rapidamente suas linhas ao futuro padrão HBM4, exigido pela Nvidia.
Enquanto a rival faz a transição, a Samsung tem espaço para crescer nesse mercado premium – e cada wafer migrado para HBM representa menos chips DDR4/DDR5 disponíveis, inflando ainda mais os preços para consumidores domésticos.
Riscos geopolíticos e o “fator China”
Apesar das tensões no Oriente Médio poderem elevar custos de energia dos datacenters, o estudo da Counterpoint aponta que o maior vetor de mudança virá da China. A DRAM chinesa da CXMT pode chegar a 10 % de participação global até 2028; já a YMTC vem avançando na NAND e hoje detém 13 % desse mercado. Se as sanções ocidentais não se intensificarem, essa produção extra pode refrescar a oferta – mas apenas daqui a dois ou três anos.
Imagem: William R
O que isso significa para gamers, criadores de conteúdo e entusiastas de PC?
- Quem monta um desktop novo em 2024 já vai pagar mais: placas-mãe Intel LGA-1700 (Raptor/Arrow Lake) e os futuros sockets AM5 para Zen 5 exigem DDR5, justamente a categoria mais pressionada.
- Notebooks de entrada não escapam: mesmo RAM DDR4 sofreu o maior aumento proporcional; esperar “baixar o preço” pode ser em vão.
- SSDs NVMe topo de linha (PCIe 4.0/5.0) viraram artigos de luxo: como a NAND também encareceu 150 %, modelos de 4 TB já custam até 40 % a mais que no mesmo período de 2023.
- Gargalo em PCs de criação: fluxos 4K/8K e projetos 3D pedem 64 GB ou mais de RAM; planeje o orçamento com folga ou considere comprar módulos adicionais agora antes de novos repasses.
Devo comprar agora ou esperar?
Não existe uma regra universal, mas o cenário traçado pelos analistas é claro: os preços tendem a seguir pressionados até 2027. Para quem precisa de um upgrade urgente – seja para rodar Baldur’s Gate 3 sem engasgos ou acelerar a renderização no Blender – comprar enquanto ainda há estoque variado pode ser uma estratégia mais segura do que aguardar uma baixa que simplesmente não virá tão cedo.
Por outro lado, se o seu sistema atual atende bem e a troca seria meramente “por esporte”, talvez valha segurar o cartão de crédito até o mercado dar sinais concretos de aumento de oferta – algo que, na melhor das hipóteses, ficará para 2026/2027.
Fique de olho nos bundles e kits
Fabricantes como Crucial, Kingston, Corsair e ADATA já começam a oferecer kits DDR5 em pacotes com coolers ou placas-mãe para tornar a compra mais atraente. O mesmo vale para SSDs que chegam com dissipadores pré-instalados, prontos para PS5 e placas-mãe PCIe 5.0. Auxilia no custo-benefício enquanto os preços unitários seguem altos.
No fim das contas, o relatório da Counterpoint serve de alerta: memória barata vai demorar para voltar ao mercado. Quem lida diariamente com workloads pesados ou quer garantir performance em games AAA deve planejar upgrades com antecedência e, se possível, aproveitar promoções pontuais para não ficar refém de um mercado ainda em déficit.
Com informações de Hardware.com.br