A escalada de preços dos módulos de memória RAM ameaça interromper a tímida recuperação do mercado de computadores pessoais. De acordo com a consultoria Counterpoint Research, as remessas globais de PCs devem encolher 5% em 2026, somando 262 milhões de unidades contra as 275 milhões projetadas para 2025. O número mantém o setor bem distante do pico de 300 milhões registrado no boom do trabalho remoto em 2021.
Memória vira vilã: DDR5 ainda pesa no bolso
O grande gargalo está no custo dos chips de memória DRAM, que segue em trajetória de alta desde o segundo semestre de 2023. Para ter ideia, o preço médio por gigabyte da DDR5 — padrão que já domina boa parte dos lançamentos — subiu mais de 40% em 12 meses, segundo o índice TrendForce DRAMeXchange. Esse aumento comprime as margens das fabricantes e é repassado diretamente para o consumidor, sobretudo nos modelos de entrada em que cada dólar faz diferença.
Nos PCs básicos, um acréscimo de US$ 30 a US$ 50 em memória representa até 15% do valor final, freando a demanda de quem só precisa navegar, trabalhar e estudar. E, para completar, o dólar mais caro pressiona ainda mais o ticket médio em mercados emergentes como o Brasil.
Segmento gamer e máquinas premium nadam contra a corrente
Equipamentos focados em jogos, criação de conteúdo e estações de trabalho avançadas sofrem bem menos com o sobe-e-desce da DRAM. Nesses desktops ou notebooks que partem de US$ 2.000, um aumento de US$ 150 por módulo costuma significar menos de 8% do preço total — valor que raramente afeta a decisão de compra de quem quer taxa de quadros alta, Ray Tracing ou renderização mais rápida.
Além disso, a migração para placas-mãe compatíveis com PCIe 5.0 e CPUs de última geração (como Intel Core 14ª geração e AMD Ryzen 7000) faz com que o público entusiasta já espere pagar mais caro para ter o melhor desempenho hoje e alguns anos de folga para upgrades futuros.
Windows 11 vira “empurrãozinho” para a troca de hardware
A Microsoft encerra o suporte estendido ao Windows 10 em outubro de 2025. Quem ainda roda sistemas antigos inevitavelmente precisará trocar de hardware se quiser continuar recebendo atualizações de segurança, já que recursos como o Secure Boot e o TPM 2.0 são requisitos obrigatórios do Windows 11. Esse ciclo de substituição deve amortecer as perdas de grandes OEMs como Dell, HP e Lenovo, que possuem linhas corporativas consolidadas.
Por outro lado, marcas mais dependentes do varejo de entrada — casos de Acer e Asus — devem sentir o baque de forma mais intensa, apontam os analistas.
Apple: a exceção que confirma a regra
Enquanto os PCs x86 lutam para equilibrar custo e desempenho, a Apple desponta como a única fabricante com previsão de crescer em 2026. O principal motor atenderá pelo nome de MacBook Neo, aguardado para chegar ainda este ano.
Imagem: William R
A expectativa é que o novo modelo traga o chip Apple M4 (ou uma variante otimizada) fabricado em 3 nm, com eficiência energética recorde e GPU integrada mais próxima de placas dedicadas de entrada. Graças ao ecossistema fechado da Apple, o peso do aumento de memória é diluído no preço histórico da linha — e quem já investe no macOS costuma valorizar portabilidade, autonomia de bateria de mais de 20 horas e tela Liquid Retina como diferencias que justificam o valor premium.
A consultoria prevê vendas de até 5 milhões de unidades do MacBook Neo em 2025, puxando todo o portfólio Mac para cima e compensando parte do encolhimento no universo Windows.
O que isso significa para você?
• Vai montar um PC? Considere comprar o máximo de RAM que seu orçamento permitir, porque a tendência é de preço estável para cima nos próximos 18 meses.
• Precisa só de um notebook para tarefas básicas? Vale ficar de olho em promoções-relâmpago — especialmente durante Amazon Prime Day e Black Friday — quando os estoques de gerações anteriores costumam aparecer com bons descontos.
• Gamer ou criador de conteúdo? Mesmo com memórias caras, a janela de lançamento de novas GPUs NVIDIA RTX 50 e AMD Radeon 8000 deve trazer máquinas ainda mais poderosas, e o impacto percentual do upgrade de RAM será bem menor no preço final.
No balanço geral, a indústria caminha para dois mundos: PCs populares cada vez mais sensíveis ao preço da memória e, do outro lado, nichos de alto desempenho — tanto no universo gamer quanto no ecossistema Apple — que continuam acelerando sem pisar no freio.
Com informações de Hardware.com.br