A Meta deu mais um passo ousado para reduzir a dependência das caras GPUs da NVIDIA: a companhia revelou a família de processadores MTIA 300, 400 (Iris), 450 (Arke) e 500 (Astrid). Os quatro chips de inteligência artificial entram em operação gradualmente até o fim de 2027, abastecendo desde o feed de recomendações do Instagram até o treinamento de grandes modelos de linguagem. Na prática, a Meta passa a controlar toda a pilha de hardware crucial para IA, algo que pode baratear custos, acelerar inovação e, de quebra, balançar o mercado dominado pela linha NVIDIA H100/Blackwell.
Por que criar chips próprios?
Com mais de 3 bilhões de usuários ativos diários, cada ganho de milissegundos ou de eficiência energética vira economia de centenas de milhões de dólares por ano. GPUs topo de linha, como a NVIDIA H100, podem ultrapassar US$ 30 mil a unidade — e ainda exigem alimentação de mais de 700 W por placa. Ao desenhar silício sob medida, a Meta não apenas corta a fatura elétrica como também alinha cada transistor às suas cargas de trabalho específicas (recomendação, inferência de linguagem e visão computacional).
MTIA 300: o motor que já roda seu feed
Primeiro da linha, o MTIA 300 já está em produção em litografia avançada da TSMC. Ele usa arquitetura de chiplets, dois núcleos RISC-V para controle e um motor de multiplicação de matrizes — coração do treinamento de redes neurais. A lógica fica colada à memória, minimizando gargalos de latência. Atualmente, esse chip processa a classificação de conteúdo que decide o que você vê primeiro no Facebook e no Instagram.
Iris (MTIA 400): 400% mais fôlego para treinar algoritmos
Codinome Iris, o MTIA 400 sai dos laboratórios direto para os data centers ainda em 2026. Ele entrega +400 % de performance em FP8 — formato numérico que virou padrão de treinamento de IA moderna — e abre 51 % a mais de largura de banda de memória HBM comparado ao MTIA 300. É evolução incremental: mesmas ferramentas de software, migração sem dor.
Arke (MTIA 450): inferência em escala planetária
Marcando 2027, o MTIA 450 Arke dobra de novo a largura de banda HBM do Iris. Esse pico de throughput faz a diferença na hora de gerar texto token a token, etapa conhecida como decodificação. Resultado para o usuário final? Respostas mais rápidas em chatbots, comentários e sistemas de moderação automatizada.
Astrid (MTIA 500): módulo de 22 chiplets para memória XXL
Seis meses após o Arke chega o Astrid, montado em 22 chiplets de cálculo rodeados por pilhas de HBM e um chiplet SoC que faz a ponte PCIe. Comparado ao Arke, o MTIA 500 expande a capacidade de memória em 80 % e a largura de banda em 50 %. O segredo está em data types personalizados, que mantêm a mesma qualidade de modelo com menos bits — mais parâmetros cabem no silício, sem explodir o custo de fabricação.
Imagem: William R
De olho no trono da NVIDIA — mas sem cortar os laços ainda
Mesmo com a linha MTIA, a Meta continua comprando GPUs NVIDIA e AMD para demandas genéricas, copiando a estratégia híbrida da Microsoft (Azure). A transição total leva tempo: do tape-out ao wafer funcional, a TSMC gasta por volta de dois anos. Para acelerar, a empresa adquiriu a Rivos, startup que desenvolvia sua própria GPU baseada em RISC-V, e tentou levar a sul-coreana FuriosaAI.
Só em 2025, Mark Zuckerberg pretende gastar entre US$ 60 e 65 bilhões em infraestrutura de IA, boa parte ainda destinada a GPUs H100 e à futura geração Blackwell. A missão declarada é alcançar paridade de desempenho com essas placas; o roadmap até 2027 sinaliza o primeiro ataque frontal, mas a Meta ainda não cravou data para vencer a NVIDIA no mano a mano.
O que muda para o usuário (e para o bolso da Meta)?
Para quem navega diariamente nas redes da companhia, a promessa é de feeds mais relevantes, experiências de realidade mista mais fluidas e chatbots que entendem contexto de forma quase instantânea. Internamente, cada watt economizado em milhões de inferências diárias reforça o caixa da empresa — dinheiro que pode voltar em novas features e, claro, em mais pesquisa de IA.
Com informações de Hardware.com.br