A japonesa Kioxia confirmou que colocará em produção, até 2026, sua décima geração de memória 3D NAND com impressionantes 332 camadas. O salto tecnológico mira, sobretudo, a demanda explosiva de data centers dedicados à inteligência artificial, mas abre caminho para SSDs cada vez mais velozes e espaçosos também no mercado doméstico.
Por que essa notícia importa?
Modelos de IA generativa, como o GPT-4 e sucessores, precisam de acesso a bancos de dados gigantescos em milissegundos. Isso pressiona os provedores de nuvem e empresas de hardware a buscar SSDs que entreguem mais gigabytes por dólar, maior largura de banda e menor consumo energético. Segundo projeções da Kioxia, a nova memória oferece:
- 59 % de aumento na densidade em relação às unidades de 218 camadas (8.ª geração);
- 33 % mais velocidade de transferência de dados;
- Redução significativa no consumo de energia por bit, fator decisivo para conter contas de luz em grandes fazendas de servidores.
332 camadas: o que muda na prática?
Empilhar mais camadas em um único chip permite que fabricantes coloquem mais capacidade em menos espaço físico. Na prateleira de 2026, isso pode se traduzir em SSDs PCIe 5.0 de 8 TB (ou mais) ocupando apenas um slot M.2 no seu desktop — e, claro, em unidades NVMe externas super-compactas ideais para criadores de conteúdo, streamers e gamers que gravam em 4K ou 8K.
Hoje, os líderes de mercado trabalham com 232 (Micron) ou 236 (Samsung) camadas. A aposta da Kioxia em 332 camadas não é apenas um recorde: ela aumenta a pressão competitiva e pode puxar para baixo o preço das unidades atuais de 1 TB e 2 TB já bem populares na Amazon.
Estratégia de fábricas divididas
A companhia adotou uma linha de produção em dois polos no Japão:
- Yokkaichi: focará na 9.ª geração (218 camadas otimizada), voltada a smartphones e dispositivos móveis onde a eficiência energética é prioridade.
- KitaKami: será a casa da 10.ª geração (332 camadas), orientada a alta capacidade para servidores de IA e soluções corporativas.
Essa especialização permite otimizar o investimento: enquanto uma planta trabalha em melhorias incrementais de custo, a outra aposta em processos mais complexos que exigem maquinário de litografia avançado.
Novo design “chiplet” dentro do SSD
A partir da 9.ª geração, a Kioxia abandonou o design monolítico e passou a usar duas pastilhas distintas: uma armazena as células de memória e outra concentra o circuito de controle. A separação facilita:
Imagem: William R
- Atualizar apenas o bloco de memória quando novas camadas forem viáveis;
- Reduzir custos de desenvolvimento e acelerar o time-to-market;
- Personalizar controladores para cada segmento (data center, consumidor gamer, mobile).
Como a Kioxia se posiciona frente à concorrência
Micron e Samsung são, hoje, as principais fornecedoras de SSDs PCIe 4.0 e 5.0 vendidos no varejo brasileiro. Com 332 camadas, a Kioxia poderá oferecer discos com capacidade comparável a HDDs de 3,5″ porém com as latências ínfimas do NAND, algo especialmente atraente para servidores de banco de dados, nuvem de jogos e edição de vídeo em tempo real.
Para o consumidor comum, mais competição significa queda de preço nos modelos atuais. Se você está de olho em SSDs NVMe para atualizar seu PC gamer ou notebook, fique atento: as unidades de 1 TB e 2 TB tendem a ficar ainda mais baratas quando a safra de 332 camadas chegar.
Quando essa tecnologia chegará ao seu PC?
A produção em massa está prevista para começar no ano fiscal que termina em abril de 2026. Primeiro, os chips abastecerão SSDs corporativos de alto desempenho. Tipicamente, 12 a 18 meses depois, versões voltadas ao consumidor chegam ao mercado — o que coloca 2027 como janela provável para vermos SSDs M.2 de 4 TB ou 8 TB baseados nessa memória aparecendo em promoções na Amazon Brasil.
Até lá, acompanhe as especificações nos anúncios: drives com controladores compatíveis com camadas superiores costumam destacar termos como “10th Gen BiCS” ou “BiCS X”. Se o upgrade de storage está no seu radar, vale monitorar.
Com informações de Hardware.com.br