Se você está esperando uma promoção generosa para renovar o parque de computadores da sua empresa (ou até mesmo o seu setup em casa), prepare-se para más notícias. De acordo com projeções da consultoria Gartner, o preço médio dos PCs corporativos e de consumo deve subir cerca de 17% ainda em 2024, e não há sinal de recuo no curto prazo. A principal culpada é a memória — componente que virou estrela na corrida pela inteligência artificial.
Memória RAM: do “primo barato” ao item de luxo
Até pouco tempo, memórias DDR4 ou DDR5 representavam algo em torno de 15% do custo total de fabricação de um notebook ou desktop. Hoje, segundo a HP, essa fatia já ultrapassa 35% da conta. O motivo? As fabricantes de chips estão desviando parte de suas linhas de produção para módulos avançados usados em servidores de IA, que têm margem de lucro muito maior do que os chips voltados a PCs convencionais e smartphones.
Resultado: escassez de oferta para o mercado “comum” e escalada de preços. Na prática, aquele notebook corporativo com 16 GB de RAM que você comprava por R$ 4.000 pode facilmente ultrapassar a faixa dos R$ 4.700 nos próximos trimestres, segundo analistas.
Panther Lake, Ryzen AI e companhia: novas CPUs chegam, mas não aliviam a conta
Intel e AMD já mostraram a próxima geração de processadores com NPUs (Unidades de Processamento Neural) embarcadas, capazes de acelerar tarefas de IA localmente. A Intel revelou o futuro Panther Lake, enquanto a AMD apresentou os chips Ryzen AI. Dell e HP prometem notebooks com essas plataformas ainda no primeiro semestre.
Em teoria, a competição deveria derrubar preços; na prática, ocorre o inverso. Como boa parte dos recursos de IA depende de maior largura de banda e capacidade de memória, os fabricantes são obrigados a equipar os modelos com 16 GB, 32 GB ou mais — justamente o componente que explodiu de preço.
Do “must-have” ao “nice-to-have”: IA local perde força nos planos das empresas
Muitas organizações planejaram 2024 para migrar workloads de inteligência artificial da nuvem para estações de trabalho internas, ganhando em privacidade e economia de banda. Mas, com o custo da RAM nas alturas, o PC com IA deixou de ser prioridade e virou atualização “quando der”. Analistas da J. Gold Associates observam que, ao reduzir memória para baratear o equipamento, o desempenho cai a ponto de inviabilizar as aplicações de IA. Ou seja, cortar RAM não é opção.
Imagem: Agam Shah Seni
Incerteza no ciclo de upgrades: segurar máquinas antigas vale a pena?
Historicamente, grandes empresas negociam preços agressivos com OEMs em compras volumosas — mas há limite para absorção de custos. Sem previsão de alívio, a tendência é alongar os ciclos de troca: em vez de renovar a cada três anos, muitos departamentos de TI já consideram cinco anos como nova referência.
Para o usuário doméstico, isso significa que a era do “PC de 500 dólares” (ou algo em torno dos R$ 2.800) chegou ao fim. Quem busca um desktop gamer de entrada ou um notebook leve para home office deve ficar atento às promoções pontuais de processadores anteriores (como Intel 13ª geração ou Ryzen 7000 sem NPU) e, principalmente, monitorar quedas momentâneas no preço de kits de memória em datas como Prime Day ou Black Friday.
Como essa alta afeta seu próximo upgrade?
- Gamers: priorize placas-mãe compatíveis com DDR5, mas compre apenas a quantidade de RAM que seu orçamento permitir agora; você poderá expandir depois.
- Profissionais de criação: 32 GB viraram novo “padrão confortável”. Avalie modelos com slots vazios para upgrade futuro.
- Pequenas empresas: considere locação ou leasing de hardware, diluindo o impacto no fluxo de caixa enquanto aguarda a estabilização dos preços.
No fim das contas, o fator memória deve permanecer no centro das discussões de TI ao longo de 2024 e 2025. E, embora as GPUs continuem chamando a atenção dos entusiastas, é o preço da RAM que ditará quando — e se — muitos projetos de modernização sairão do papel.
Com informações de Computerworld