Se você estava esperando o próximo Amazon Prime Day para trocar de notebook ou montar um desktop gamer, talvez seja hora de repensar a estratégia. Um relatório recém-publicado pela Gartner projeta a maior retração do mercado de hardware dos últimos dez anos: os envios globais de PCs devem cair 10,4% em 2024 em comparação com 2023, e os smartphones encolherão 8,4% no mesmo período. O gatilho? Uma escalada sem precedentes no preço das memórias DRAM e dos SSDs.
O que está puxando os preços para cima?
A consultoria prevê que o custo combinado de DRAM e NAND salte 130% até o fim de 2026. O motivo principal é a demanda explosiva por servidores de IA, que consomem módulos de alta largura de banda (HBM) e chips NAND de capacidade extrema, drenando oferta do varejo. Some a isso cortes de produção, taxas de juros elevadas e câmbio volátil e temos a tempestade perfeita.
Impacto direto no bolso: PCs 17% mais caros
Na prateleira, a Gartner estima que o preço médio dos computadores subirá 17% até 2026. O documento aponta aumento também para smartphones, mas não detalha a porcentagem final. Para o consumidor, isso significa que máquinas com processadores Intel Core i5 ou AMD Ryzen 5, hoje encontradas em promoções abaixo de R$ 3.500, podem pular de faixa de preço nos próximos trimestres.
Risco real: a extinção dos PCs abaixo de US$ 500
Com as margens comprimidas, fabricantes estão priorizando linhas premium — notebooks ultrafinos, GPUs de alto TDP e desktops focados em creators. A projeção é drástica: até 2028, o segmento de entrada (sub-US$ 500) pode simplesmente desaparecer. Isso afeta sobretudo estudantes e escritórios que contam com máquinas básicas para tarefas de produtividade.
Vida longa (e forçada) ao seu hardware atual
A consequência imediata é a prorrogação dos ciclos de troca. Segundo a Gartner, o tempo médio que um usuário doméstico fica com o mesmo PC deve crescer 20%; nas empresas, o aumento será de 15%. Para gamers, isso pode significar esperar mais uma geração antes de migrar de uma placa de vídeo GTX 1660 para uma RTX 4060, por exemplo.
Segurança e manutenção: o calcanhar de Aquiles corporativo
Manter máquinas antigas rodando Windows 10 ou versões legadas do macOS implica drivers desatualizados e mais brechas de segurança. Equipes de TI precisarão investir em monitoração, antivírus de próxima geração e, possivelmente, em serviços de nuvem para compensar a falta de poder de processamento local.
Imagem: William R
Comparativo rápido: DRAM e SSDs hoje vs. projeção 2026
- DDR4 16 GB 3200 MHz – Hoje: ~R$ 250 | 2026: ~R$ 575*
- DDR5 32 GB 5600 MHz – Hoje: ~R$ 800 | 2026: ~R$ 1.840*
- SSD NVMe 1 TB Gen3 – Hoje: ~R$ 380 | 2026: ~R$ 870*
- SSD NVMe 2 TB Gen4 – Hoje: ~R$ 950 | 2026: ~R$ 2.185*
*Valores estimados aplicando a projeção de 130% no custo de memória.
Como se preparar: dicas para entusiastas e profissionais
1. Planeje upgrades modulares: troque primeiro componentes que devem ficar raros, como kits de RAM DDR4 de baixa latência.
2. Aproveite estoques atuais: varejistas ainda seguram lotes comprados a preços antigos; monitorar quedas-relâmpago pode render economia significativa.
3. Considere periféricos premium: mouses, teclados mecânicos e monitores tendem a sofrer menos impacto de memória e podem elevar a experiência do setup existente.
4. Invista em manutenção preventiva: pasta térmica de boa qualidade e fontes de alimentação eficientes estendem a vida útil do hardware.
No fim das contas, o aviso da Gartner é claro: montagens acessíveis podem virar peça de museu em poucos anos. Para quem depende do PC para estudar, trabalhar ou jogar, antecipar compras essenciais — ou, pelo menos, entender a próxima onda de preços — será crucial para não pagar mais caro lá na frente.
Com informações de Hardware.com.br