Se você estava aguardando o “momento perfeito” para investir em um SSD NVMe de 2 TB ou trocar aquele pendrive USB-C de 256 GB, é melhor repensar a estratégia. Executivos de peso da indústria acabam de jogar um balde de água fria nos entusiastas: a cadeia de suprimentos de memória NAND — o coração de SSDs, cartões de memória e pendrives — caminha para um período prolongado de déficit, empurrando os preços para cima já nos próximos trimestres.
Por que a conta vai subir?
Dois fatores convergem para esse cenário:
- Explosão de demanda em data centers: aplicações de IA generativa, como ChatGPT e serviços de nuvem, vêm consumindo SSDs de alta velocidade em larga escala. Esses centros de dados priorizam latência mínima e elevadas taxas de leitura, sugando boa parte da produção mundial.
- Anos de baixo investimento (2019-2023): nesse período, o preço do GB despencou, forçando fabricantes a cortarem CAPEX e adiarem expansões fabris. Agora, com o retorno da procura, simplesmente não há wafers nem linhas de produção suficientes.
Previsões nada animadoras
Em entrevista recente, <strongJoseph Hsu, CEO da TeamGroup, afirmou que os estoques dos distribuidores devem secar já no primeiro semestre de 2026. A recuperação só chegaria entre 2027 e 2028, quando plantas de 3D NAND de última geração — como as de Samsung, Kioxia/WD e SK Hynix — entrarem em operação plena.
Mais pessimista, Wallace Kou, chefe da controladora de controladores Phison, acredita em um “ciclo de escassez” que pode se estender por até uma década. Para ele, a defasagem de investimento foi tão severa que mesmo com fábricas novas a indústria pode não dar conta do recado até 2030.
O que muda para quem joga, edita ou trabalha remoto?
• Builds gamers: SSDs PCIe 5.0 prometem leituras acima de 12 GB/s, mas custam até 40 % mais do que modelos PCIe 4.0 hoje. Se a oferta encolher, a diferença pode disparar. Quem busca valor talvez opte por unidades Gen4, como o WD Black SN770, que ainda entrega tempos de loading competitivos em jogos AAA.
• Notebook e upgrade corporativo: ultrafinos dependem de versões M.2 2230/2242, fabricadas em menor volume. A escassez pode deixar esses formatos ainda mais caros em relação aos 2280 padrão.
• Trabalho criativo: fotógrafos e videomakers, que trocam cartões SD a cada viagem, sentirão no bolso. Vale acompanhar promoções relâmpago e considerar marcas emergentes de boa reputação.
Imagem: William R
SSD hoje ou depois? Um comparativo rápido
| Modelo (PCIe 4.0) | Velocidade leitura | Preço médio atual* |
|---|---|---|
| Samsung 990 PRO 2 TB | 7.450 MB/s | R$ 1.299 |
| Kingston NV2 2 TB | 3.500 MB/s | R$ 829 |
| Crucial P5 Plus 1 TB | 6.600 MB/s | R$ 579 |
*Preços pesquisados na Amazon Brasil, sujeitos a variação.
Uma eventual alta de 15 % a 25 % em 2025, projetada por analistas da TrendForce, colocaria o 990 PRO acima de R$ 1.600 e empurraria o NV2 para perto de R$ 1.050, mudando a lógica de custo-benefício.
Dicas para minimizar o impacto
- Planejamento: se seu projeto de PC ou servidor sai em até 12 meses, avalie antecipar a compra de armazenamento.
- Capacidade sob medida: em vez de 4 TB num único drive, dois SSDs de 2 TB podem sair mais em conta e ainda oferecer RAID para backup ou desempenho.
- Rastreie estoques: use alertas de preço e notas de “últimas unidades”. Reposição pode demorar.
- Pendrives criptografados: modelos USB 3.2 com AES por hardware tendem a sofrer mais escassez, pois usam chips NAND premium iguais aos dos SSDs.
E as memórias RAM?
A situação da DRAM também inspira cautela. Micron e Samsung anunciaram corte de oferta para manter margens, mantendo módulos DDR5 e LPDDR5X num patamar elevado. Ou seja, quem planeja um upgrade completo talvez encare preço salgado tanto para RAM quanto para armazenamento.
No curto prazo, a mensagem é clara: estoque limitado + demanda alta = preços ascendentes. A janela de barganha que vimos em 2023/2024 está se fechando — e pode não reabrir tão cedo.
Com informações de Hardware.com.br