Depois de meses de manchetes sobre a “crise dos chips”, finalmente surgem sinais mistos no mercado de memória. Um levantamento do portal alemão 3DCenter mostra que, enquanto os kits DDR5 para desktops estacionaram nos preços — uma boa notícia para quem planeja montar ou atualizar o PC gamer —, os módulos SO-DIMM e SSDs voltados a notebooks continuam subindo em ritmo acelerado. A escalada nos portáteis já pressiona fabricantes como Acer, que anunciou reajustes a partir de 20 de fevereiro.
DDR5 nos desktops: o teto (caríssimo) finalmente aparece
De acordo com o relatório, os preços dos módulos DDR5 para PCs de mesa ficaram estáveis nas duas primeiras semanas de fevereiro, interrompendo uma alta que vinha desde meados de 2025. É um alívio parcial: no acumulado dos últimos 12 meses, a memória de nova geração ainda custa até 340 % mais caro. Em outras palavras, não houve recuo, apenas uma pausa no pico histórico.
Para o consumidor entusiasta, isso significa que os kits de 32 GB (2×16 GB) DDR5-6000 e DDR5-6400 — hoje faixa de desejo para quem monta PCs baseados nos processadores Intel Core 14ª geração ou AMD Ryzen 7000 — não deverão ficar mais baratos no curto prazo. A “boa” notícia é que a curva de alta parou, abrindo espaço para promoções pontuais em varejistas que ainda têm estoque antigo.
Portáteis encarecem: SO-DIMM sobe 23,4 % em um mês
O cenário para quem precisa de notebook novo é bem mais tenso. Os módulos DDR5 SO-DIMM avançaram 23,4 % apenas em janeiro, impacto direto de gargalos na produção de chips de memória de alta densidade. Como esse form-factor é soldado ou de difícil acesso em muitos laptops finos e leves, o aumento pesa imediatamente no preço final de modelos gamer e corporativos.
O efeito cascata já começou. A Acer confirmou ajustes nas tabelas europeias e outras marcas devem seguir o mesmo caminho. Se planeja importar ou aproveitar estoques nacionais de 2025, o relógio está correndo.
SSDs também em rota de alta — e o reflexo nos jogos
Não é só a RAM que preocupa. A pesquisa do 3DCenter indica que unidades SSD NVMe seguem tendência de valorização, puxadas pela demanda por data centers de IA e pela menor oferta de chips NAND Flash. Para jogadores, isso se traduz em menos opções de upgrades rápidos para acelerar tempos de carregamento em títulos como Starfield ou Hogwarts Legacy, que já pedem SSD como requisito mínimo.
Imagem: William R
DDR4 vira “porto seguro” temporário
Enquanto a DDR5 não recua, a DDR4 permanece barata e abundante. Se o seu setup ainda usa Intel 12ª geração ou Ryzen 5000, considerar kits de 32 GB DDR4-3600 CL16 pode proteger o bolso sem sacrificar desempenho em 1080p ou 1440p. A longo prazo, porém, o salto para DDR5 será inevitável à medida que novos processadores abandonem o suporte ao padrão antigo.
Brasil: vale a pena esperar ou correr?
No mercado brasileiro, o atraso logístico costuma deixar os preços internos “travados” algumas semanas depois da variação europeia. Isso dá uma janela curta para quem pensa em comprar notebook ainda com as tabelas antigas. Já para desktops, a recomendação segue a mesma: monitorar comparadores de preço diariamente. Com a estabilidade da DDR5 lá fora, promoções-relâmpago podem aparecer em kits de 6000 MT/s — velocidade já considerada “sweet spot” para CPUs atuais.
No fim das contas, a mensagem é clara: desktop builders ganharam uma trégua, os caçadores de laptops não. Se o seu próximo passo é investir em memória ou armazenamento, acompanhar estoques e oscilações semanais virou parte da estratégia tanto quanto escolher a melhor placa-mãe ou GPU.
Com informações de Hardware.com.br