Primeiro foram os crawlers do Google indexando cada cantinho da web. Agora, uma nova leva de bots de Inteligência Artificial está tomando as páginas de comércio eletrônico de assalto — e o crescimento é vertiginoso: 400% em apenas 12 meses, segundo dados da Akamai. Embora ainda representem cerca de 1% de todo o tráfego automatizado validado, a velocidade com que avançam indica que 2024 será o ano em que os LLMs (Large Language Models) deixarão de ser apenas “motores de busca turbinados” para se tornarem verdadeiros agentes de compra e decisão.
Por que esses bots são diferentes?
Enquanto um bot tradicional de busca apenas coleta páginas para montar um índice, os novos “fetchers” de IA fazem algo extra: buscam informações em tempo real sempre que você pergunta algo ao ChatGPT, Bard ou Claude. Eles precisam varrer preços, disponibilidade e avaliações no exato momento da consulta para entregar respostas “frescas”.
Ainda há outro degrau nessa escada: os agentes autônomos. Diferentemente dos fetchers, eles tomam decisões, colocam itens no carrinho e — acredite — já começam a testar compras no ponto de venda (POS). Ou seja, estamos perto de ver assistentes capazes de fechar negócio sem intervenção humana.
Os setores mais visados: comércio, hotelaria e… hardware
Ao contrário do que muita gente imagina, o tráfego não se concentra em sites puramente tecnológicos. O comércio eletrônico lidera, seguido por hotelaria e varejo de marcas. Faz sentido: preços de hotel e de produtos como placas de vídeo, mouses gamer e SSDs mudam o tempo todo, e os bots precisam acompanhar essas oscilações.
Isso cria um cenário inédito para quem procura ofertas de hardware na Amazon. Quanto mais bots comparam preços, mais rápido as lojas ajustam seus valores para brigar pela primeira posição nas respostas geradas por IA. Resultado? Quedas súbitas de preço podem acontecer com maior frequência — excelente notícia para quem monitora lançamentos de GPUs NVIDIA RTX ou switches mecânicos hot-swap.
O impacto para quem joga ou trabalha com PC
Mais bots consultando páginas significa mais requisições nos servidores das lojas e, potencialmente, maior latência nos momentos de pico, como Black Friday. Se você costuma montar alertas de preços ou usar extensões de comparação, prepare seu roteador e sua conexão: a concorrência virtual não será mais só com outros humanos.
Por outro lado, as respostas das IAs tendem a ficar melhores. Imagine perguntar ao ChatGPT: “Qual teclado mecânico TKL com switch linear está mais barato agora?” e receber, em segundos, um ranking cruzando estoque, preço e tempo de envio Prime. Isso poupa horas de pesquisa manual.
Mitigar, liberar ou negociar? O dilema dos sites
Segundo Robert Lester, cientista de dados da Akamai, cada empresa precisa definir sua estratégia:
Imagem: Internet
- Mídia digital prefere bloquear ou limitar bots para proteger cliques e receita de anúncios.
- Varejistas querem justamente aparecer no topo das respostas de IA e por isso permitem (ou até incentivam) o acesso.
Akamai trata o fenômeno como um problema de gestão, não necessariamente de ameaça. A recomendação é identificar o “intento” do bot antes de bloquear tudo — afinal, um crawler bem-comportado pode trazer vendas, enquanto um scraper malicioso pode apenas roubar dados.
O que vem pela frente?
Com a temporada de promoções se aproximando, a expectativa é de um pico histórico de requisições automatizadas. “Bots sempre enlouquecem na época de festas; agora temos um jogo totalmente novo”, diz Lester. A Akamai promete publicar relatórios em tempo real durante a Cyber Week.
Para quem compra hardware, a dica é simples: mantenha seus alertas de preço atualizados, use listas de desejos inteligentes e, se possível, aproveite as respostas das IA para tomar decisões mais rápidas. Já para desenvolvedores de e-commerce, vale revisar cache, CDN e regras de rate-limit antes que o seu carrinho virtual vire o alvo favorito das novas legiões robóticas.
No fim das contas, a relação homem-máquina dá mais um passo: os bots de IA correm porque os velhos bots de busca abriram caminho. Quem entender essa corrida primeiro — seja para vender ou para comprar — larga com vantagem.
Com informações de Stack Overflow Blog