A Samsung Electronics acaba de cravar seu nome em mais um marco das telecomunicações: a companhia realizou a primeira chamada comercial do mundo usando uma RAN virtualizada (vRAN) totalmente hospedada em um único servidor equipado com o novo processador Intel Xeon 6. O teste foi feito em plena operação na rede de uma operadora Tier 1 dos Estados Unidos, mostrando que a tecnologia já saiu dos laboratórios e está pronta para encarar o tráfego real de milhões de usuários.
Por que essa ligação é tão importante?
Em vez de depender de inúmeras caixas de hardware proprietário espalhadas pelos sites de antena, a vRAN transforma funções críticas da rede — acesso rádio, núcleo móvel, transporte e segurança — em software. Tudo roda de forma virtualizada na nuvem ou, como neste caso, em um único servidor comercial (COTS) da Hewlett Packard Enterprise, sob a plataforma Wind River.
O resultado? Menos equipamentos, menor consumo de energia, instalação simplificada e upgrades via software — pontos que reduzem drasticamente CAPEX e OPEX das operadoras. Para o usuário final, isso se traduz em redes mais estáveis, rápidas e preparadas para receber recursos de inteligência artificial e, em breve, 6G.
Intel Xeon 6: o motor que faltava para a RAN movida a IA
A Samsung apostou no Intel Xeon 6700P-B de até 72 núcleos. O chip estreou com dois trunfos de peso para workloads de telecom:
- Intel Advanced Matrix Extensions (AMX) – acelera inferência de IA diretamente no processador, dispensando GPUs em muitas tarefas.
- Intel vRAN Boost – blocos dedicados de hardware que tratam funções radio (L1) com menor latência e consumo.
Comparado à geração Xeon Scalable de 4ª geração, o novo SoC entrega até 2× mais largura de banda de memória e saltos de eficiência energética que podem chegar a 40 %, segundo a Intel. Na prática, isso abre espaço para algoritmos de IA fazerem otimização de tráfego em tempo real, detecção de falhas e alocação de espectro — tudo sem acrescentar hardware extra.
Menos racks, mais rendimento: o impacto na infraestrutura
A consolidação de funções em um servidor único ataca um dos calcanhares de Aquiles das redes móveis: o excesso de equipamentos em cada site. Um armário que antes precisava de várias unidades de processamento de banda base (BBUs) dedicadas, switches e appliances de segurança agora cabe em um chassi 2U — e ainda sobra espaço. Isso significa:
- Energias reguladas – menos fontes, menos ar-condicionado.
- Gerenciamento unificado – atualização e monitoramento via software.
- Escalabilidade elástica – mais núcleos ou instâncias na nuvem sob demanda.
Rumo ao 6G: o que muda para jogos, streaming e IoT?
Com a vRAN pronta para IA, recursos como network slicing (garantir banda sob medida para cada aplicação) ficam mais fáceis de implementar. Gamers podem ganhar latências quase de fibra, serviços de realidade estendida (XR) terão throughput dedicado e cidades inteligentes poderão operar milhares de sensores sem congestionar a rede.
Imagem: Internet
Quando o 6G chegar — estimativas apontam para testes comerciais na virada de 2028 — a base de hardware precisará suportar velocidades multi-gigabit e inteligência na borda. Esse piloto da Samsung indica que a arquitetura virtualizada em CPU generalista já dá conta do recado, dispensando ASICs caros e inflexíveis.
Próximos passos e o que ficar de olho
A Samsung pretende expandir a solução para outras operadoras ainda em 2024. Enquanto isso, a Intel prepara variantes do Xeon 6 com mais núcleos e litografia Intel 3, prometendo ganhos adicionais de performance por watt — algo vital para data centers de telecom que querem neutralizar sua pegada de carbono.
Para entusiastas de hardware e administradores de TI, vale acompanhar:
- Evolução do AMX e sua adoção em frameworks como ONNX e TensorFlow.
- Compatibilidade da Intel vRAN Boost com redes Open RAN baseadas em ARM ou RISC-V.
- Novos servidores HPE, Dell e Lenovo que tragam slots PCIe Gen5 otimizados para aceleradores de IA.
Em síntese, a primeira ligação comercial com vRAN em Intel Xeon 6 não é só um “marco de operadora”; é um termômetro de como será a infraestrutura que, em breve, alimentará nosso 6G, casas conectadas e experiências imersivas ainda inimagináveis.
Com informações de Mundo Conectado