A corrida da inteligência artificial ganhou um novo protagonista voraz. Segundo projeções da consultoria financeira KeyBanc, a NVIDIA deve consumir, sozinha, quase 10 % de toda a memória destinada ao mercado global de smartphones até 2026. O principal “culpado” é o Vera Rubin, superchip que combina CPU e GPU para workloads avançados de IA e que chega a exigir 1,5 TB de memória por unidade — três vezes mais que os 512 GB do Grace, antecessor direto.
Quanto é 1,5 TB na prática?
Para efeito de comparação, um smartphone topo de linha hoje costuma trazer entre 256 GB e 512 GB de armazenamento interno. Isso significa que cada Vera Rubin requer espaço equivalente ao de até seis celulares premium, apenas para operar um único chip em um rack de data center.
Multiplicando essa conta pelos milhares de servidores previstos para 2024-2026, a demanda chega a 20 bilhões de gigabits (Gb) de NAND, volume suficiente para equipar entre 100 e 150 milhões de smartphones.
Por que tanto apetite?
O segredo está na recém-anunciada tecnologia ICMS (Interface Memory Context Storage), que desloca parte do cache de inferência — o famoso KV Cache usado por grandes modelos de linguagem — para módulos de NAND flash. Isso permite que a GPU trate conjuntos de dados colossais sem afogar a DRAM, mas implica instalar muito mais memória por servidor.
Impacto no seu bolso (mesmo que você só queira um novo celular)
Com data centers disputando os mesmos chips de LPDDR5X e NAND que equipam smartphones, a KeyBanc prevê:
- Encarecimento de até US$ 100–150 no custo de materiais (BOM) de cada aparelho.
- Possível queda de 3 % a 5 % nos envios globais de smartphones em 2026, à medida que o consumidor postergue a troca do dispositivo.
- Pior disponibilidade de chips para outras verticais de eletrônicos — de SSDs PCIe Gen 5 para PCs entusiastas a cartões de memória para consoles portáteis.
O que isso significa para gamers e criadores de conteúdo?
Ainda que a disputa se concentre em NAND e LPDDR5X, a tendência de aumento de custos costuma contaminar todo o ecossistema de memórias. Se você pensa em fazer upgrade de SSD NVMe ou DDR5 para manter o PC pronto para a próxima geração de GPUs — como as RTX 50, aguardadas para 2027 —, observar o calendário e promoções pode ser estratégico.
Imagem: Internet
Apple e Samsung levam vantagem, mas não escapam
KeyBanc acredita que gigantes como Apple e Samsung conseguirão proteger parte de seu estoque graças a contratos de longo prazo. Ainda assim, o peso das memórias já responde por cerca de 20 % do custo total de um iPhone ou Galaxy S-series, porcentagem que tende a subir caso a NVIDIA mantenha o ritmo de compras.
Quem ganha com a escassez
Fabricantes de semicondutores como Micron, SK hynix e Samsung Foundry podem registrar margens melhores com o pico de demanda. Já para o usuário final, a melhor estratégia é ficar atento a promoções relâmpago (especialmente em grandes varejistas on-line) e considerar upgrades antes de possíveis reajustes.
No fim das contas, a mesma tecnologia que impulsiona chatbots mais articulados e renderizações fotorrealistas também pode tornar o próximo smartphone — ou aquele SSD PCIe Gen 5 de 4 TB — consideravelmente mais caro. E, se as previsões da KeyBanc se confirmarem, a fome do Vera Rubin é apenas o aperitivo de um banquete de IA que está só começando.
Com informações de Adrenaline