A Comissão Europeia apertou o cerco contra a Meta e deixou um ultimato claro: ou Facebook e Instagram reduzem os mecanismos considerados “viciantes” de seus algoritmos ou a empresa pode enfrentar uma multa que chegaria a 6% da receita global — algo que, na prática, ultrapassaria facilmente a casa dos US$ 14 bilhões.
O que a Comissão Europeia quer mudar?
Em parecer preliminar, os reguladores afirmaram que os feeds infinitos, as notificações em tempo real e o sistema de recomendações que empurra conteúdos similares consecutivamente — o chamado “efeito toca do coelho” — violam as regras do Digital Services Act (DSA), legislação que entrou em vigor em 2024 para proteger usuários contra práticas consideradas predatórias.
Entre as exigências listadas estão:
- Desativar ou limitar recursos que estimulam scroll infinito e prolongam o tempo de tela involuntariamente.
- Aprimorar avisos de uso excessivo, tornando o lembrete de tempo de tela mais visível e menos opcional.
- Ajustar o algoritmo de recomendação para reduzir a repetição excessiva de temas — principalmente em contas de menores de idade.
Por que esta multa é diferente das anteriores?
Multas bilionárias contra gigantes de tecnologia não são novidade na Europa, mas o DSA introduziu uma alavanca mais pesada: a cobrança pode chegar a 6% do faturamento mundial da companhia. Para efeito de comparação, em 2023 a Meta registrou receita de US$ 134 bilhões; 6% disso equivale a mais de US$ 8 bilhões — valor superior ao orçamento anual de vários países europeus.
Impacto prático para quem usa Facebook e Instagram
Se a Meta acatar as mudanças, o usuário poderá notar:
- Feeds menos intermináveis: limite de rolagem ou prompts que convidam a fazer pausas, semelhantes ao que o TikTok adicionou recentemente.
- Conteúdo mais variado: o algoritmo teria de oferecer respiros e diversidade de temas, especialmente para menores de 18 anos.
- Alertas de tempo de tela mais rigorosos: pop-ups em tela cheia ou bloqueios temporários após determinado uso contínuo.
Na prática, isso afeta inclusive o consumo de bateria e dados móveis em smartphones, já que menos refresh de feed significa menor carga sobre CPU e GPU. Usuários de aparelhos gamer, por exemplo, podem sentir o dispositivo aquecer menos durante maratonas nas redes.
A resposta da Meta
Em nota enviada à imprensa, a companhia afirmou “discordar respeitosamente” das conclusões da Comissão, mas garantiu que continuará “cooperando de forma construtiva”. O gigante de Menlo Park ainda pode apresentar defesa antes da decisão definitiva, esperada para os próximos meses.
Imagem: William R
O que vem depois? Cronograma e próximos passos
1. Meta envia réplica técnica à Comissão.
2. Reguladores analisam argumentos e podem abrir espaço para ajustes voluntários.
3. Caso considere as mudanças insuficientes, a UE formaliza a infração e aplica a multa.
4. A empresa ainda pode recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que empurraria a novela por anos.
Como isso afeta o mercado de tecnologia como um todo?
A pressão sobre a Meta cria um efeito dominó regulatório. Plataformas como TikTok, X (antigo Twitter) e até o YouTube já monitoram de perto o desfecho para antecipar ajustes parecidos. Para desenvolvedores de apps e fabricantes de hardware, mudanças nos padrões de engajamento significam novas métricas a observar — de tempo médio de uso a consumo energético, impactando desde o design de smartphones até periféricos focados em bem-estar digital.
Seja qual for o resultado, uma coisa é certa: a era do scroll infinito sem responsabilização regulatória está chegando ao fim na Europa — e, como de costume, o resto do mundo deve assistir a reboque.
Com informações de Hardware.com.br