O Rio de Janeiro acaba de entrar para o seleto grupo de cidades latino-americanas que colocam **inteligência artificial operacional** no coração da máquina pública. A Prefeitura firmou um acordo de R$ 2 milhões com a AICUBE, startup fundada por brasileiros no Vale do Silício, para instalar a plataforma Qilbee em unidades municipais de saúde. O objetivo? Acelerar trâmites burocráticos, reduzir filas e liberar profissionais para tarefas realmente estratégicas — tudo sem abrir mão da soberania sobre os dados do cidadão.
IA agêntica: muito além do chatbot
Diferente dos assistentes virtuais que apenas respondem perguntas, a Qilbee trabalha com o conceito de IA agêntica. Na prática, são “agentes digitais” capazes de executar **fluxos completos de trabalho**: checar estoque de medicamentos, agendar consultas, preencher relatórios e integrar informações em múltiplos sistemas legados — tudo de ponta a ponta, sem necessidade de supervisão humana constante.
Segundo Garry Dias, CEO da AICUBE, o software foi desenhado para ambientes governamentais de alta complexidade, garantindo segurança, rastreabilidade e conformidade com a LGPD. “Nossa missão é ampliar a capacidade operacional dos governos com eficiência e total soberania sobre os dados”, resume o executivo.
O que muda para quem usa o SUS carioca?
- Menos tempo de espera: fluxos de admissão, triagem e marcação de exames podem ser automatizados, diminuindo gargalos administrativos.
- Maior disponibilidade de profissionais de saúde: médicos e enfermeiros gastam menos horas com papelada e mais tempo no atendimento.
- Integração de prontuários: a IA sincroniza informações entre postos, hospitais e farmácias, reduzindo erros de prescrição ou duplicidade de exames.
Em termos de hardware, a adoção da Qilbee exige servidores equipados com GPUs NVIDIA e infraestrutura em nuvem AWS — tecnologias que, no mundo gamer e profissional, também turbinaram a aceleração de gráficos e deep learning nos últimos anos.
Potência computacional: AWS, NVIDIA e silício de sobra
Para dar conta dos modelos de linguagem (LLMs) proprietários e da carga de trabalho 24×7 da Prefeitura, a AICUBE mantém contrato de US$ 15 milhões com a Amazon Web Services, selado em 2026, além de participar do programa NVIDIA Inception — o mesmo laboratório que fomenta startups que exigem GPUs de última geração, como as séries RTX 40 e placas profissionais H100.
Essa musculatura tecnológica é a mesma que alimenta os sistemas das empresas privadas atendidas pela AICUBE, entre elas BRF, PicPay e Banco BMG, bem como órgãos federais como Anvisa e Conselho Nacional do SESI.
Imagem: William R
Brasil avança no mapa da IA governamental
Com o piloto no Rio, o país começa a competir diretamente com iniciativas de México, Chile e Colômbia em IA aplicada à gestão pública. A expectativa da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação é estender o projeto para outras secretarias — transporte, educação e segurança — se as métricas de economia de tempo e custo se confirmarem.
Próximos passos
Nas próximas semanas, equipes da Prefeitura e da AICUBE farão a integração da Qilbee aos sistemas de marcação de consultas e abastecimento da rede de saúde. O cronograma prevê:
- Mapeamento dos workflows críticos (até 30 dias);
- Capacitação de servidores para interação com a plataforma (60 dias);
- Implantação em todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) até o fim do semestre.
Se os testes forem bem-sucedidos, a IA pode se tornar uma peça-chave na transformação digital do poder público brasileiro — e colocar o Rio de Janeiro como vitrine de soluções que, até pouco tempo, pareciam exclusivas de empresas bilionárias do setor privado.
Com informações de Hardware.com.br