Imagine finalmente poder assistir a uma live no celular, fazer chamadas de vídeo com a família ou até jogar online em núcleos rurais onde hoje o sinal de telefone simplesmente não existe. Essa é a realidade que o Ministério das Comunicações pretende destravar com um leilão reverso de R$ 20 milhões, marcado para 16 de junho. O edital, construído em parceria com a Anatel e a entidade Seja Digital, quer antecipar em até quatro anos a chegada do 4G/5G a cerca de 120 localidades espalhadas por Amapá, Bahia, Maranhão, Paraíba, Paraná e Pernambuco.
Por que “reverso” e de onde vem o dinheiro?
Em vez de arrecadar recursos, o leilão reverso premia a operadora que pedir o menor valor para instalar a rede em cada comunidade. O montante de R$ 20 milhões não sai do Tesouro: ele faz parte da verba que as operadoras já estavam obrigadas a investir na limpeza da faixa de 700 MHz desde o leilão 4G de 2014. Nas três rodadas anteriores desse formato, R$ 270 milhões já foram convertidos em antenas e quilômetros de fibra que beneficiam pequenas cidades do interior.
O que muda na prática para o morador (e para quem gosta de tecnologia)?
• Streaming sem travar: serviços como Netflix, Prime Video e Twitch precisam de, no mínimo, 5 Mb/s para rodar em HD. Com 4G pleno, a média nacional supera 30 Mb/s, e no 5G pode chegar a 300 Mb/s. Adeus buffering.
• Jogos online e nuvem: latências na casa dos 20 ms permitem experimentar serviços de cloud gaming, como Xbox Cloud Gaming ou GeForce NOW, até em celulares intermediários.
• Smart home e IoT rural: sensores de irrigação, coleiras inteligentes para gado e termostatos finalmente podem se conectar direto à nuvem, sem depender de links via satélite ou rádio amador.
Quem pode participar e qual a regra do jogo?
Cada operadora e prestadora regional poderá dar apenas um lance por localidade. Vence quem oferecer o menor custo para cobrir a área designada. Caso a verba não dê para todas as 120 comunidades, o critério de desempate prioriza municípios com IDH mais baixo; persistindo o empate, ganha quem prometer instalar a rede no menor prazo.
Confira algumas das comunidades que podem receber sinal ainda em 2023
• Agricolândia (Governador Eugênio Barros, MA)
• Agrovila do PA Aquarius (Santa Maria da Boa Vista, PE)
• Cabeceira da Jiboia (Vitória da Conquista, BA)
• Horizonte Alegre (Pedra, PE)
• Iauretê (São Gabriel da Cachoeira, AM)
• Vila do Engenho (Itacoatiara, AM)
Na lista completa — disponibilizada pela Seja Digital — há aldeias indígenas, comunidades quilombolas e agrovilas de reforma agrária, refletindo um esforço para democratizar o acesso à informação.
4G ou 5G? Entenda por que as duas tecnologias são importantes
Embora o edital cite “4G/5G”, na prática a maioria das antenas deve sair inicialmente no 4G. O motivo é simples: custo e cobertura. A frequência de 700 MHz cobre áreas muito maiores com menos torres, barateando o projeto. Mas o hardware já virá preparado para 5G NSA/SA, permitindo upgrade por software ou troca de módulos no futuro. Para o consumidor, significa comprar hoje um smartphone 5G — como o Samsung Galaxy M54 ou o Moto G84, já disponíveis na Amazon — e estar pronto para velocidades superiores assim que a operadora apertar o botão de ativação.
Imagem: Vitor Pádua
Impacto nas vendas de equipamentos de rede e gadgets
Mercados locais tendem a aquecer com roteadores 4G/5G domésticos, antenas externas e até power banks mais parrudos, já que a autonomia se torna essencial em regiões sem energia estável. Pequenos provedores também podem rivalizar com links de fibra oferecendo pacotes fixos via LTE, cenário em que unidades indoor CPE e modems CAT 12 podem disparar em popularidade.
Próximos passos e cronograma
• 16 de junho: sessão de lances online com divulgação imediata dos vencedores.
• Até 30 de junho: assinatura dos termos de compromisso.
• 2023–2024: instalação das primeiras ERBs (Estações Rádio-Base) e ativação comercial.
• 2030: prazo final das obrigações originais encurtado, economizando até 4 anos.
Se tudo correr como planejado, o morador das áreas contempladas poderá fazer a primeira videochamada em alta definição ainda neste Natal — um salto gigantesco para quem hoje depende de torres distantes ou da internet via satélite de alto custo.
Com informações de Tecnoblog