Imagine um funcionário que não tira férias, não faz intervalo para o café e ainda aprende sozinho a cada turno. É exatamente isso que a Figure AI está mostrando ao mundo com o robô humanoide Figure 03, que já ultrapassou a marca de 100 horas contínuas de operação em um centro logístico nos Estados Unidos — tudo transmitido em tempo real no YouTube.
Por que essa demonstração chama tanta atenção?
Até pouco tempo, maratonas desse tipo eram privilégio de braços robóticos fixos em linhas de produção. Agora, vemos um humanoide com 1,72 m de altura se locomovendo, identificando pacotes, virando o código de barras para baixo e devolvendo-os à esteira com ritmo classificado pela empresa como “velocidade humana”.
Na prática, o Figure 03 faz o “pior” tipo de tarefa manual repetitiva que ainda recai sobre trabalhadores humanos em armazéns: virar caixas o dia todo. A diferença é que ele roda 24/7 graças a uma rotação automática entre unidades: a cada 4 h, um robô com bateria cheia assume o posto, enquanto o anterior vai recarregar — sem intervenção humana.
Ficha técnica do Figure 03
- Altura/Peso: 1,72 m / 61 kg
- Autonomia: 5 h por carga
- Velocidade máxima: 1,2 m/s
- Carga útil: até 20 kg
- IA embarcada: modelo Helix-02, que combina visão computacional e linguagem natural para aprendizado contínuo
- Recurso de auto-reparo: soft reset automático em caso de mau funcionamento
Esses números colocam o Figure 03 no mesmo patamar de projetos badalados como o Tesla Optimus, o Digit da Agility Robotics e o recém-atualizado Atlas da Boston Dynamics, todos ainda longe do varejo, mas cada vez mais presentes em pilotos industriais.
O que muda para a logística (e para você)?
Em armazéns, a inserção de humanoides promete resolver o “último metro”, onde empilhadeiras autônomas não chegam e humanos ainda fazem micro-ajustes. Para o consumidor final, isso pode significar entregas mais rápidas e baratas — e, no médio prazo, a chegada de assistentes domésticos capazes de tarefas simples como organizar compras ou carregar objetos pesados pela casa.
Embora o Figure 03 seja voltado originalmente ao lar, a escolha de testá-lo em uma fábrica da BMW e agora em um centro logístico revela que a tecnologia já está madura o bastante para ambientes críticos. A Figure AI fala em “escala industrial até 2026”, mesma janela em que Amazon, Tesla e outras gigantes projetam colocar robôs de uso geral em produção.
Concorrência acirrada no palco global
Na última CES, startups como Apptronik, Sanctuary e Unitree exibiram humanoides “prontos para contrato”. O aeroporto de Haneda, em Tóquio, por exemplo, iniciou testes com modelos Unitree para bagagens pesadas. A corrida lembra a disputa inicial dos smartphones: quem entregar primeiro um sistema confiável, modular e barato deve dominar um mercado estimado em US$ 154 bi até 2030 (Allied Market Research).
Imagem: reprodução
Quer acompanhar em tempo real?
A transmissão da Figure AI segue ao vivo no YouTube. Analistas de mercado, investidores e entusiastas de robótica comentam cada movimento no X (antigo Twitter). Basta observar por alguns minutos para perceber como os robôs rotacionam entre si e fazem “pit-stops” de recarga sem qualquer mão humana.
O futuro já tem data?
Ainda não veremos o Figure 03 na prateleira da Amazon ao lado de aspiradores robô tão cedo, mas o passo dado pelas 100 h ininterruptas é simbólico: mostra que um humanoide já consegue executar tarefas simples de armazém com robustez aceitável. Quando essas máquinas chegarem às casas, é provável que capinem o gramado, levem compras da porta à cozinha e, quem sabe, até montem seu próximo setup gamer — cenário que estava restrito à ficção científica há poucos anos.
No ritmo atual de evolução de baterias, atuadores e modelos de IA generativa, especialistas estimam que o custo de um robô desse tipo possa cair abaixo dos US$ 20 mil em menos de uma década, preço similar ao de um carro popular nos EUA. Se isso acontecer, prepare-se: em breve, você poderá comparar um Figure 05 com sua próxima placa de vídeo antes de fechar o carrinho.
Com informações de Tecnoblog