A corrida para impedir que a DJI desapareça das prateleiras norte-americanas entrou na reta final – e, desta vez, o futuro dos drones mais populares do planeta depende diretamente dos usuários. A Federal Communications Commission (FCC) abriu até 11 de maio um período de comentários públicos que pode definir se a gigante chinesa continua ou não na “Covered List”, a lista negra que barra a homologação de novos equipamentos considerados ameaça à segurança nacional.
O que está em jogo?
Quando um produto cai na Covered List, ele perde o direito de ser comercializado, importado ou até anunciado legalmente nos Estados Unidos. No caso da DJI, isso significa congelar inovações como o Mavic 4 Pro ou o recém-divulgado Osmo Pocket 4, deixando consumidores, produtores de conteúdo e equipes de resgate presos a gerações antigas.
Para dimensionar: a própria empresa calcula um impacto de US$ 1,56 bilhão em 2026, considerando 14 produtos já autorizados e 25 lançamentos que ficariam no limbo. Entre eles estão drones agrícolas de pulverização de precisão, gimbals para câmeras full frame e estabilizadores de smartphone que hoje disputam espaço entre os mais vendidos da Amazon.
Por que o debate saiu dos bastidores políticos
Até esta semana, mais de 460 manifestações já foram protocoladas no sistema eletrônico da FCC. O movimento é puxado pela Drone Advocacy Alliance, que orienta usuários a relatar como um drone DJI faz diferença no trabalho diário. Entre os depoimentos se destacam:
- Corpos de bombeiros que utilizam o Matrice 30 T com câmera térmica para localizar vítimas em incêndios.
- Agricultores da Califórnia que monitoram irrigação e pragas com o Agras T40, reduzindo custos de defensivos em até 30%.
- Equipes de busca e salvamento que contam com o Mavic 3 Enterprise por seu tempo de voo superior a 40 minutos, praticamente o dobro de muitos rivais norte-americanos.
Concorrentes existem, mas a que preço?
Fabricantes locais, como a Skydio, oferecem drones equivalentes, porém com valores até 70 % mais altos e sem toda a suíte de sensores da DJI. Um exemplo: enquanto o DJI Air 3S (até então liberado) chega a 46 min de autonomia, seu concorrente doméstico mais próximo fica em torno de 27 min e custa quase US$ 1 000 a mais, segundo cotações atuais na Amazon.com.
O argumento de segurança nacional ainda é nebuloso
O Departamento de Defesa insiste que drones estrangeiros representam “risco inaceitável”, mas as evidências permanecem classificadas. A DJI rebate dizendo nunca ter recebido provas concretas e alega que a FCC “extrapolou autoridade” ao incluí-la na lista. Em paralelo, a empresa processa a agência no 9º Tribunal de Apelações, tentando derrubar o banimento por vias judiciais.
Como participar (e por que isso pode beneficiar também usuários brasileiros)
Qualquer pessoa – inclusive fora dos EUA – pode enviar um comentário curto pelo Electronic Comment Filing System (docket ET 26-22). Basta explicar, em termos práticos, como a tecnologia DJI impacta o seu dia a dia. Um volume expressivo de feedbacks pode pressionar a FCC a exigir provas mais transparentes, abrindo precedente para regulações futuras em outros países.
Imagem: Internet
No Brasil, onde drones da DJI dominam listas de mais vendidos, uma eventual proibição nos EUA poderia encarecer peças, limitar atualizações e até atrasar lançamentos globais, já que a escala de produção ficaria comprometida.
Calendário apertado e precedentes preocupantes
Se a FCC mantiver a decisão, a próxima geração de produtos ficará bloqueada “até segunda ordem”. Para efeito de comparação, a estatal chinesa China Unicom esperou quase três anos por uma resposta definitiva – e perdeu. Ou seja, o relógio corre contra a DJI.
Resumo para o leitor entusiasta
• Prazo final: 11 de maio para comentários no site da FCC.
• Risco imediato: zero homologação para qualquer modelo lançado a partir de 2026.
• Impacto no bolso: alternativas nacionais custam mais e entregam menos autonomia e sensores.
• Efeito dominó: possível alta de preços de peças e acessório nas Américas, inclusive os vendidos na Amazon Brasil.
Se você depende de estabilização de imagem para vídeos, monitoramento agrícola via RTK ou câmeras térmicas acessíveis, vale acompanhar de perto – e, quem sabe, deixar seu depoimento. O futuro dos drones mais populares do mundo pode estar a um clique da comunidade.
Com informações de Mundo Conectado