A Anthropic, startup por trás do assistente de IA Claude, pode se tornar a empresa privada de inteligência artificial mais valiosa do planeta já nas próximas semanas. Segundo fontes da Bloomberg, a companhia negocia uma nova captação que a colocaria na casa dos US$ 900 bilhões — algo em torno de R$ 4,5 trilhões na cotação atual. Se o número se confirmar, o valuation de mercado colocará a jovem empresa à frente da OpenAI, dona do ChatGPT, avaliada em US$ 852 bilhões na última rodada de março.
Como a Anthropic saltou de US$ 380 bi para US$ 900 bi em três meses
No início de fevereiro, a Anthropic havia sido estimada em “apenas” US$ 380 bilhões. O patamar atual representa uma multiplicação de 2,3 vezes em menos de 90 dias — ritmo de valorização que chama a atenção até mesmo em um setor acostumado a números estratosféricos.
Dentre as propostas em discussão, investidores ofereceriam entre US$ 40 bi e US$ 50 bi em capital fresco, sugerindo um apetite pouco visto desde os tempos áureos das big techs. O conselho da empresa deve bater o martelo em maio.
Receita em alta e parcerias gigantes de infraestrutura
A escalada de preço encontra sustentação em resultados sólidos. A Anthropic afirma ter triplicado sua receita anualizada em relação a 2023, chegando a US$ 30 bilhões. Parte do impulso veio do Claude Code, ferramenta que automatiza tarefas de programação e ganhou força entre equipes corporativas.
Além disso, a companhia selou parcerias estruturais que garantem recursos de computação de sobra para os próximos anos:
- Amazon Web Services (AWS): até 5 GW de capacidade e um potencial aporte adicional de US$ 25 bi.
- Google + Broadcom: outros 5 GW para expandir data centers e acelerar modelos como o recém-anunciado Mythos Preview, voltado a cibersegurança.
No total, são mais de 10 GW de poder de fogo reservado, número que explica boa parte do otimismo de Wall Street.
Impacto no ecossistema de hardware: demanda por GPUs explode
Cada gigawatt em computação de IA significa, na prática, milhares de placas aceleradoras de alto desempenho. Empresas como NVIDIA, AMD e, mais recentemente, Intel, colhem frutos com volume recorde de vendas de GPUs H100, MI300 e ponteiros semelhantes. Nesse cenário:
- Os preços de placas de vídeo de consumo avançado — como a GeForce RTX 4090 e a Radeon RX 7900 XTX — permanecem altos, pressionados pela mesma cadeia que atende os data centers.
- A procura por memória GDDR6X e HBM3, usada tanto em servidores quanto em modelos gamer premium, continua pressionando os fornecedores, o que já reflete nos custos de montagem de PCs entusiastas.
- Marcas de periféricos (mouses, teclados e headsets) com foco em criadores de conteúdo e desenvolvimento de IA começam a destacar teclas macro e sensores de alta precisão como diferenciais para programadores que usam assistentes como Claude Code.
Em outras palavras, a corrida bilionária por IA não fica restrita aos laboratórios; ela reverbera no preço e na disponibilidade de componentes que chegam às prateleiras — inclusive na Amazon.
Existe bolha? O alerta dos mercados secundários
Em plataformas privadas de negociação, ações da Anthropic já trocam de mãos por valores que extrapolam a marca de US$ 1 trilhão. Para analistas, o movimento reforça o fear of missing out dos fundos — o receio de ficar de fora do “próximo grande player” antes de um IPO. A Bloomberg cita outubro como janela provável para uma oferta pública inicial, o que tornaria a rodada atual a última chance de entrada na fase pré-bolsa.
O otimismo, porém, não vem sem ressalvas. O Pentágono classificou recentemente a Anthropic como risco de cadeia de suprimentos, bloqueando contratos com o Departamento de Defesa dos EUA. A startup processa o governo para reverter a decisão. Caso o veto se mantenha, ela ficará longe de um cliente que movimenta dezenas de bilhões por ano — um ponto que parte do mercado prefere ignorar.
Imagem: Internet
OpenAI, Microsoft e o tabuleiro que se move
A nova avaliação da Anthropic ocorre enquanto a OpenAI mantém negociações com Microsoft, NVIDIA e Amazon para captar até US$ 60 bi adicionais. Entre rumores de desenvolvimento de chips próprios para smartphones (em parceria com Qualcomm e MediaTek) e potenciais expansões de data center, fica claro que a briga está apenas começando.
Para o consumidor final, essa disputa se traduz em:
- Assistentes de IA mais avançados chegando a apps de produtividade, games e smartphones.
- Aumento da competição por GPUs, com reflexo direto no preço das placas de vídeo gamer.
- Novas integrações de IA em teclados mecânicos, headsets com cancelamento de ruído inteligente e mouses com ajuste dinâmico de DPI — recursos que ganham força justamente para quem produz ou testa modelos generativos em casa.
O que observar nos próximos meses
• Validação do valuation: a reunião do conselho da Anthropic em maio será decisiva para saber se os US$ 900 bi viram realidade.
• Data centers em expansão: com 10 GW contratados, a companhia tende a ser barômetro para futuras encomendas de GPUs NVIDIA Blackwell e AMD Instinct, componentes que também abastecem o mercado de workstations e PCs entusiastas.
• Possível IPO em 2026: a abertura de capital pode redefinir parâmetros de preço para todas as startups de IA, influenciando inclusive fabricantes de hardware que buscam novos investidores.
A valorização meteórica da Anthropic é, ao mesmo tempo, sinal de confiança no avanço dos modelos de linguagem e alerta sobre como a infraestrutura — do data center ao PC gamer — se tornou peça estratégica nessa corrida. Se você acompanha o mercado para decidir quando trocar de GPU, processador ou aquele teclado mecânico topo de linha, vale monitorar de perto os próximos capítulos: cada bilhão injetado em IA hoje pode impactar o preço dos componentes que chegarão às prateleiras amanhã.
Com informações de Mundo Conectado