Dirigir um Cadillac, Chevrolet, Buick ou GMC fabricado a partir de 2022 vai ficar ainda mais inteligente nas próximas semanas. A General Motors começou a liberar o Google Gemini para cerca de 4 milhões de veículos nos Estados Unidos, transformando o painel em um centro de comando por voz de próxima geração — sem custo extra para quem já possui o carro.
O que muda com o Gemini dentro do carro?
Até então, os modelos da GM com Google built-in usavam o Google Assistente tradicional. O Gemini, baseado em IA generativa, troca os comandos engessados por conversas em linguagem natural. Você pode perguntar “Qual o melhor caminho pra casa com menos pedágio?” e, na sequência, pedir um desvio para um café pet-friendly, tudo na mesma conversa.
Além da navegação, o sistema lê, resume e traduz mensagens, dita respostas e controla streaming de áudio e vídeo. Isso inclui apps já embarcados, como Amazon Music, Audible, Spotify, Prime Video e YouTube — ótima notícia para quem curte maratonar podcasts ou colocar um gameplay no YouTube enquanto espera dentro do carro.
Requisitos para ativar
- Plano OnStar ativo (o pacote Basics virá grátis por oito anos em carros 2025+);
- Conta Google conectada na Play Store do veículo;
- Idioma do assistente em inglês (por enquanto);
- Opt-in manual na primeira notificação de atualização.
A liberação é gradual e deve levar alguns meses. Quando chegar a vez do seu carro, uma notificação surgirá no display central.
Como a GM conseguiu escalar onde rivais ainda patinam
Tesla adotou o Grok; Mercedes-Benz, o ChatGPT; e a Stellantis fechou com a francesa Mistral. Nenhuma delas, porém, já tem milhões de carros nas ruas prontos para receber a IA via software. A GM aproveita três décadas de infraestrutura OnStar, dispensando hardware novo — algo que também pode baratear futuros lançamentos e até refletir em produtos de consumo, como hubs Wi-Fi automotivos vendidos na Amazon.
Privacidade em xeque (e o que a GM promete)
A estreia do Gemini acontece meses depois de a Federal Trade Commission processar a GM por vender dados de condução a seguradoras. A montadora fechou acordo para não comercializar informações sensíveis sem autorização por cinco anos e contratou Christina Montgomery, ex-IBM, para blindar a governança de dados. Segundo a empresa, os dados do Gemini servirão apenas para aprimorar o serviço.
Imagem: Internet
Próximo passo: um “ChatGPT automotivo” exclusivo da GM
Durante o evento GM Forward, a companhia adiantou que trabalha em um assistente proprietário, treinado com os parâmetros específicos de cada veículo. A ideia é avisar sobre a troca de óleo na hora certa, explicar cada luz do painel e até aprender preferências de temperatura e playlist. O Gemini, portanto, é um degrau — mas um degrau com impacto imediato para quem já está na estrada.
Por que isso interessa mesmo se você não dirige um GM?
A guerra dos assistentes vai ditar como interagimos com qualquer tela, seja no carro, na TV ou no PC gamer. Se o Gemini mostrar serviço, a expectativa do usuário sobre interfaces de voz sobe e pressiona outras marcas — inclusive Amazon e Microsoft — a liberar recursos semelhantes em dispositivos domésticos e acessórios de informática vendidos online. Fique de olho: o que acontece no volante costuma chegar logo depois ao teclado e ao mouse.
Resumindo: se você é entusiasta de tecnologia ou planeja trocar de carro (ou de periféricos inteligentes), vale acompanhar de perto o rollout do Google Gemini. Ele pode antecipar o tipo de experiência que veremos em toda a nossa eletrônica pessoal nos próximos meses.
Com informações de Mundo Conectado