A cena gamer se despede de um verdadeiro arquiteto dos jogos de ação. Morreu, aos 64 anos, Yoshihisa Kishimoto, designer japonês responsável por transformar brigas de rua em um dos gêneros mais populares dos videogames: o beat ’em up. De Renegade a Double Dragon e River City Ransom, suas criações não apenas definiram a diversão nos arcades dos anos 80, como também influenciaram títulos modernos que ainda brilham em PCs com placas de vídeo de última geração e consoles de nova geração.
Da gangue escolar aos circuitos de 8 bits
Antes de conquistar os fliperamas, Kishimoto foi um banchō — líder de gangue estudantil — e aproveitou suas memórias de confrontos reais para projetar Nekketsu Kōha Kunio-kun (1986), lançado no Ocidente como Renegade. Ao contrário dos jogos estáticos de luta da época, o game introduziu a profundidade 2.5D, permitindo movimentação vertical no cenário e combos em 360°. Essa liberdade de deslocamento ainda serve de base para sucessos atuais, como Streets of Rage 4.
Double Dragon: quando dois irmãos reinventaram os controles
Em 1987, o designer refinou a fórmula e entregou seu magnum opus: Double Dragon. A cena inicial — Marian sendo sequestrada com um soco no estômago — inaugurou uma narrativa cinematográfica nos arcades. A jogatina cooperativa simultânea, a possibilidade de usar tacos, facas e chicotes, além de sprites enormes para a época, exigiram uma gestão agressiva de memória de vídeo de apenas 56 KB. Hoje, GPUs com dezenas de gigabytes de VRAM renderizam mundos abertos, mas o DNA do “co-op de sofá” continua intacto.
Kunio, River City e o embrião do mundo aberto
Não satisfeito em só distribuir pancadas, Kishimoto levou elementos de RPG para o Nintendinho. River City Ransom (1989) oferecia lojas, evolução de atributos e exploração não linear — conceito que só seria comum anos depois em franquias gigantes como Yakuza. Tudo isso cabia em um cartucho de 256 KB, menos do que uma única textura 4K ocupa hoje em um SSD NVMe.
Por que o legado de Kishimoto ainda importa para quem joga hoje?
Se você curte títulos como Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge ou River City Girls 2, saiba que as mecânicas de agarrar inimigos, compartilhar vidas em multiplayer e varrer a tela com special moves nasceram nos projetos de Kishimoto. Até mesmo placas de vídeo modernas, como a linha RTX 40 da Nvidia, trazem otimizações específicas para jogos em side-scroll, garantindo 120 fps em monitores de alta taxa de atualização — um luxo inimaginável quando Double Dragon rodava a 30 fps travados nos arcades.
Imagem: William R
Revivendo clássicos no hardware atual
Graças a coletâneas oficiais disponíveis para PC, PlayStation, Xbox e Nintendo Switch, é possível (re)descobrir as obras de Kishimoto com conforto moderno: controles USB estilo arcade, monitores 144 Hz e headsets com áudio espacial elevam a nostalgia a outro patamar. E, se você já investiu em um teclado mecânico ou mouse gamer responsivo, sabe como latência mínima faz diferença até mesmo em jogos retrô.
Yoshihisa Kishimoto deixa um legado que atravessou gerações e prova que boas ideias sobrevivem a qualquer evolução de hardware. Seu trabalho transformou fliperamas em arenas cooperativas, abriu caminho para franquias bilionárias e, principalmente, mostrou que aventura se torna épica quando compartilhada lado a lado com um amigo.
Com informações de Hardware.com.br