O Mac deixou de ser “computador de designer” para virar item comum em escritórios norte-americanos. De acordo com o mais recente relatório da Omdia/Informa, a Apple encerrou 2025 com 11 % de participação no segmento enterprise dos EUA, um salto de 2,4 pontos percentuais em relação a 2024. É a maior fatia da companhia na história recente do mercado corporativo — e as projeções indicam que a escalada está longe do teto.
Por que isso importa para o seu próximo upgrade?
Empresas costumam ser conservadoras na escolha de hardware, priorizando estabilidade, suporte e custo total de propriedade (TCO). Quando a Apple avança nesse terreno, ela envia dois sinais claros para quem compra computador:
- Confiabilidade e segurança estão se provando competitivas frente ao ecossistema Windows.
- Preço final passou a caber na planilha corporativa — e, por tabela, no bolso do consumidor comum.
MacBook Air segue no trono — agora com 16 GB de RAM de série
O estudo coroa o MacBook Air como “notebook mais popular” de 2025. Ao longo do ano, a Apple:
- dobrou a memória padrão para 16 GB;
- cortou US$ 100 no preço de tabela;
- manteve bateria para até 18 horas e o chip Apple Silicon que dispensa ventoinhas.
Na Amazon Brasil, modelos concorrentes como Dell XPS 13 e Lenovo ThinkPad X1 Carbon ainda custam mais e oferecem autonomia menor. Para quem edita vídeos leves, programa ou simplesmente quer mobilidade extrema, o Air continua tendo a melhor relação desempenho/watt do mercado.
MacBook Neo: a cartada de US$ 599 que vira o jogo no nível de entrada
Se o Air já força a concorrência a repensar preços, o recém-anunciado MacBook Neo (US$ 599) promete um abalo sísmico na faixa de notebooks básicos. Para instituições de ensino dos EUA, o valor cai a impressionantes US$ 499. Quem vende Chromebooks e PCs de entrada — categoria dominada por Intel Core i3 e Ryzen 3 — terá de lidar com:
- um macOS completo (nada de versão “lite”);
- SSD NVMe e 8 GB unificados de RAM;
- o mesmo ecossistema de apps otimizados para Apple Silicon.
No Brasil, a chegada está prevista para o 2º semestre e, mesmo com impostos, especialistas projetam preço competitivo frente a notebooks Windows de configuração similar.
Componentes dispararam até 70 % — mas a Apple comprou estoque antes
Omdia alerta: memória e armazenamento ficaram 40 %–70 % mais caros desde o início de 2025. E vem mais: a consultoria projeta novo salto de até 60 % já no 1º trimestre de 2026, o que pode adicionar entre US$ 90 e US$ 165 ao custo de produção de cada PC.
Para não ficar refém, a Apple teria antecipado compras de DRAM e NAND “a preço de ouro”, garantindo fornecimento para seus laptops. Resultado: enquanto fabricantes menores apertam margens ou elevam preços, Cupertino mantém tabelas — e ainda reduz valores em produtos-chave.
Imagem: Jny Evans
O efeito dominó: Windows deve ficar mais caro nas empresas
Com custo de RAM/SSD pressionando OEMs que pagam licenças do Windows e dependem de processadores de terceiros, a verticalização da Apple (silício + sistema + loja de apps) vira vantagem estrutural. Analistas preveem reajustes em máquinas Windows de especificações equivalentes ao MacBook Air, o que só reforça a percepção de “melhor negócio” para o Mac.
O que observar em 2026
• Se o cenário geopolítico mantiver o petróleo em alta, logística e plástico encarecerão ainda mais a produção de PCs.
• Segmentos de até US$ 500 — os mais sensíveis a preço — devem sofrer atraso nas renovações de parque.
• A Apple tende a crescer acima da média de mercado, explorando sua folga de caixa para segurar valores e ganhar participação.
Vale a pena esperar ou comprar agora?
Para profissionais e estudantes que já cogitam migrar para macOS, a conjuntura sugere que modelos atuais, como o MacBook Air M2/M3, oferecem excelente custo-benefício antes que a inflação de componentes atinja também a Apple. Quem prefere Windows deve ficar atento a promoções relâmpago, pois 2026 pode elevar os preços de entrada.
No fim das contas, a era de “Mac é caro” pode estar ficando no retrovisor. E, se as previsões se confirmarem, veremos cada vez mais o logo da maçã reluzindo em reuniões de negócios — e no carrinho de compras online.
Com informações de Computerworld