Quantos graus você arrancaria da sua placa de vídeo para espremer mais alguns frames sem investir em um modelo novo? O YouTuber TrashBench resolveu descobrir na prática: munido de serra, tubos de silicone e fluido de radiador, ele transformou o dissipador original de uma Asus Dual GeForce RTX 2060 em um sistema de resfriamento líquido artesanal que derrubou a temperatura da GPU de 70 °C para impressionantes 13 °C sob carga total.
O que está em jogo: por que temperatura importa tanto?
Mesmo sendo de 2019, a RTX 2060 ainda roda títulos como Cyberpunk 2077 e Apex Legends com folga em 1080p. Mas, como qualquer chip gráfico, ela esbarra no limite térmico: quanto mais quente, menor o boost clock e maior o ruído das ventoinhas. Reduzir dezenas de graus Celsius significa, na prática, frequências mais altas, desempenho extra e mais longevidade—algo que normalmente só se obtém com waterblocks dedicados ou trocando de GPU.
Cirurgia extrema nos heat pipes
Em vez de investir em um bloco de água comercial — que custa quase o preço da própria placa — o modder optou por reutilizar o cooler original:
- Cortou as extremidades dos heat pipes de cobre, removendo o fluido de mudança de fase de fábrica.
- Acoplou mangueiras de silicone diretamente nas aberturas, criando um circuito fechado.
- Usou uma bomba de diafragma de 12 V para circular uma mistura de água destilada com anticongelante (responsável pelo visual verde neon).
O resultado lembra uma solução AIO, mas com o miolo da própria RTX servindo de waterblock improvisado — algo inédito e, convenhamos, nada recomendado para quem preza pela garantia.
Termômetro não mente: de 70 °C para 13 °C
Os testes de laboratório do TrashBench revelam três cenários:
- Cooler de fábrica: 70 °C | 1 935 MHz.
- Loop líquido (temperatura ambiente): 47 °C | queda de 23 °C.
- Loop líquido + água gelada (< 0 °C): 13 °C | 2 025 MHz estáveis.
Ou seja, além da queda térmica absurda, a placa ganhou cerca de 90 MHz de boost, equivalentes a 5–8 % de desempenho extra em jogos sensíveis a clock.
Riscos reais: condensação, vazamentos e garantia nula
A mágica tem preço. Para operar próximo de 0 °C, o criador precisou aplicar vaselina na placa de circuito impresso (PCB), evitando curtos causados pela condensação — a mesma prática de overclockers extremos que usam nitrogênio líquido. Além disso, qualquer vazamento de fluido pode danificar componentes, sem falar no fato de que o simples corte dos heat pipes já inviabiliza o RMA.
Imagem: William R
Existe caminho mais seguro (e vendável) para resfriar sua GPU
Se você gostou da ideia de turbinar a RTX 2060 — ou qualquer outra placa — mas não quer encarar serrote e solda, há alternativas plug-and-play no mercado:
- Kits AIO para GPU — suportes como o NZXT Kraken G12 permitem acoplar radiadores de 120 mm ou 240 mm, entregando quedas de 20 °C sem mutilar nada.
- Coolers de terceiros — modelos como Arctic Accelero Xtreme III ainda fazem sucesso entre entusiastas e são compatíveis com várias placas.
- GPUs mais novas — uma RTX 3060 Ti ou RX 6750 XT já chegam com soluções térmicas modernizadas, RGB discreto e, claro, maior desempenho por watt.
No fim das contas, o experimento de TrashBench prova que até mesmo uma “velha” RTX 2060 tem fôlego oculto quando a barreira térmica é removida. Se você prefere ir pelo caminho oficial, porém, soluções de refrigeração prontas — facilmente encontradas na Amazon Brasil — oferecem ganhos significativos sem riscos drásticos, além de prepararem seu setup para futuros upgrades.
No entanto, nada supera o fator diversão (e o show de ciência) de ver uma GPU operando a meros 13 °C em pleno stress test. Apenas lembre-se: tente isso em casa por sua conta e risco.
Com informações de Hardware.com.br