A DJI – maior nome do mercado de drones de consumo – entrou com um processo de violação de patentes contra a Insta360 na justiça chinesa. A ação, registrada apenas três dias antes do lançamento de novos modelos das duas marcas, envolve seis patentes consideradas estratégicas para o coração de qualquer aeronave não tripulada moderna: controle de voo, estrutura de hardware e processamento de imagem. O movimento, inédito dentro da China para a DJI, pode redefinir não só o calendário de produtos de 2024, mas também o preço – e até a disponibilidade – dos drones que chegam às prateleiras brasileiras.
Por que a DJI levou a disputa para tribunais chineses?
Historicamente, a DJI costumava resolver conflitos de propriedade intelectual fora de casa, recorrendo a cortes norte-americanas ou acordos extrajudiciais. Ao optar agora pelos tribunais de Shenzhen, a companhia se apoia em uma legislação local que considera “invenção de serviço” toda tecnologia desenvolvida por ex-funcionários até um ano após seu desligamento. Em outras palavras, se engenheiros que deixaram a DJI migraram para a Insta360 levando códigos, layouts de placas ou algoritmos de estabilização, a lei dá respaldo extra à gigante dos drones.
O que está em jogo: as 6 patentes que podem aparecer no seu próximo drone
Embora os números de registro não tenham sido divulgados publicamente, fontes próximas ao processo descrevem pontos-chave:
- Sistemas de autopiloto com detecção de obstáculos por visão computacional;
- Arquitetura de chassi modular – conceito usado no DJI Mini 4 Pro para reduzir peso abaixo de 249 g;
- Pipeline de imagem que integra sensores CMOS maiores a processadores dedicados, semelhante ao que vimos no DJI Air 3.
Se confirmada a violação, a Insta360 teria de descontinuar linhas que fazem sucesso entre criadores de conteúdo, como o Insta360 Sphere – módulo que transforma o DJI Mavic Air 2 em uma câmera 360° invisível – e o recém-anunciado Insta360 Drone Camera, que promete gravação 8K a 60 fps.
Resposta imediata da Insta360: contra-ataque nas sombras
O fundador da Insta360, JK Liu, rebateu alegando que as patentes “não têm valor prático” para o portfólio atual. Mais: o executivo afirmou ter mapeado 28 patentes próprias que poderiam ser usadas contra a DJI, divididas em 11 de hardware, 8 de software, 6 de sistemas de controle e 3 de acessórios. Traduzindo: se a briga escalar, poderemos ver um efeito dominó com bloqueios de vendas e atualizações de firmware em ambos os lados.
Impacto para quem planeja trocar de drone ou camera 360 este ano
1. Lançamentos podem atrasar. A DJI é esperada para apresentar o Mavic 4 e o Avata 2 ainda neste semestre. Já a Insta360 deve revelar seu primeiro drone próprio, posicionado entre o DJI Air 3 e o Mini 4 Pro. Qualquer liminar pode adiar essas datas.
2. Preços mais altos? Custos com litígio e possíveis royalties tendem a ser repassados ao consumidor – sobretudo em mercados importados, como o Brasil. Vale acompanhar promoções de geração anterior, que podem ganhar descontos agressivos enquanto o estoque durar.
3. Funcionalidades bloqueadas via software. Quem lembra da disputa GoPro × Insta360 sabe que atualizações remotas podem desativar recursos enquanto a batalha legal não se resolve. Se você depende de ActiveTrack, Hyperlapse ou captura 360° em 8K, monitore notas de firmware antes de atualizar.
Imagem: Internet
Comparativo rápido: DJI x Insta360 hoje
• Imagem: o sensor de 1” do DJI Air 3 oferece ISO nativo duplo, enquanto o Insta360 Ace Pro traz lente Leica F/1.8 optimizada para luz baixa.
• Portabilidade: o DJI Mini 4 Pro pesa 249 g e dispensa registro em vários países; já o Insta360 Flow é um estabilizador dobrável que complementa smartphones em voo indoor.
• Ecossistema: DJI aposta no DJI RC 2 com tela integrada de 5,5”; a Insta360 responde com aplicativo Insta360 Studio, famoso por edição automática AI Reframe.
Em termos de escolha, os produtos da DJI costumam entregar voo mais estável e alcance de até 20 km (OcuSync 4.0), enquanto a Insta360 brilha em criatividade de imagem, graças aos modos Bullet Time e 360 Horizon Lock.
O que esperar dos próximos capítulos
Disputas similares em smartphones e chips mostraram que acordos extrajudiciais são o desfecho mais comum. No entanto, este é o primeiro processo de PI doméstico da DJI, sinalizando que a empresa pretende fazer da justiça chinesa uma extensão de sua estratégia de mercado. Se a tendência vingar, podemos assistir a uma avalanche de processos cruzados no setor de drones, elevando a importância de software proprietário e integração vertical – dois pontos em que a DJI historicamente leva vantagem.
No curto prazo, consumidores e criadores de conteúdo devem ficar atentos a anúncios oficiais e, principalmente, a eventuais mudanças de firmware que afetem voos comerciais ou recreativos. Para muitos entusiastas que planejam investir em um novo drone ou em uma câmera 360° avançada, as próximas semanas serão decisivas.
Com informações de Mundo Conectado